segunda-feira, 22 de abril de 2013

Há quem tenha os dois olhos abertos no Brasil



(Trecho de entrevista de Adivo Paim Filho concedida à VEGA Associados)

[...]No plano internacional, qual o papel que você visualiza para o Brasil?
Primeiro de tudo, o de co-articulador da Lusosfera, o "planeta" cultural onde se fala a Língua Portuguesa, capaz de trazer a todos os países que a integram um novo papel perante o mundo inteiro, a partir de suas características culturais e potencialidades econômico-empreendedoras.

Noutras palavras: pouco de ONU, nada de UNASUL (União de Nações Sul-Americanas), nada de Mercosul (Mercado Comum do Sul), nada de submissão à uma suspeita "governança global", neocolonialista. Um Brasil com consciência de integrar o Ocidente, voltado para os seus interesses e auto-existência, de índole pacífica mas não-irenista, aberto, antes de mais nada, para os países com quem partilha a Língua e Valores Culturais Básicos.[...]

domingo, 21 de abril de 2013

A conversão dos muçulmanos na Espanha reconquistada: Francisco Jiménez de Cisneros X Hernando de Talavera



(Do blog Acarajé Conservador)




A Espanha tem uma história muito rica e que se formou ao longo dos confrontos entre povos, culturas e religiões. Desde a conversão do rei visigodo Recaredo I, que abdicara o arianismo ingressando na fé católica, a península ibérica, agora unificada religiosamente, ganhara prestígio aos olhos de Roma. Ainda não tendo os graves problemas doutrinais do reino dos francos ou das colônias itálicas nos Balcãs, os reinos da Espanha enfrentaram a maior humilhação quando no território cristão o domínio muçulmano foi consolidado. Entretanto, através das lutas da Reconquista, com a extensão do domínio católico pelas vastas regiões ocupadas pelos mouros, os ibéricos definiram a sua própria história de modo inigualável. Contudo, o que se destaca nesse processo de dominação e expulsão das populações islâmicas é a dualidade entre duas propostas de tratamento. De um lado se encontrava Hernando de Talavera, Arcebispo de Granada e então confessor da Rainha Isabel I, defensor de um processo de evangelização encabeçado por missionários conhecedores da língua e cultura árabes e coroado com conversões espontâneas. Na outra margem estava o Cardeal Francisco Jiménez de Cisneros, Arcebispo de Toledo e Primaz da Espanha, árduo adepto de uma solução mais radical para o problema dos mouros, isto é, a conversão forçada ao cristianismo. 

 O Califado Omíada na Espanha atingiu um alto nível de esplendor intelectual, artístico e cultural. Entretanto, tamanha produção só ocorreu com o fim do projeto expansionista islâmico. Na Batalha de Poitiers Carlos Martel destruiu o anseio muçulmano de ultrapassar os Pirineus chegando até o reino dos francos. Abaixo da Espanha islamizada estava o Califado Abássida, o responsável pelo destronamento dos Omíadas agora exilados na península ibérica. Em meio ao ócio de uma vida não mais militarizada os muçulmanos conseguiram elevar o nível da sua produção intelectual e artística, tornando Al-Andalus num farol de beleza e sabedoria para todo o mundo. 

A expulsão dos mouriscos, ocorrida em 1609 sob a ordem de Felipe III da Espanha, descendente da Rainha Isabel I, foi o evento culminante de um longo processo iniciado pelos Reis Católicos para exterminar toda a influência cultural, religiosa e étnica dos antigos dominadores muçulmanos. Os mouros que não fugiram para o norte da África quando da queda do seu último bastião, o Reino de Granada, foram obrigados à conversão em 1502 após a vitória de Jiménez de Cisneros com o seu rápido processo de cristianização da península. Mas isso não foi suficiente. A expulsão, portanto, tinha um claro caráter étnico, já que os mouriscos – mouros convertidos – eram vistos como o grande infortúnio da nação. Depois de anos de atrito entre as autoridades espanholas e os neo-cristãos, como o último ato, quase como uma desesperada limpeza étnica, todos os mouriscos são conduzidos aos portos marítimos e embarcados para o Marrocos. 

A expulsão dos mouriscos, contudo, não carregou a mesma dramaticidade da expulsão dos judeus ocorrida em 1492. Oito anos após a saída dos israelitas os muçulmanos espanhóis são obrigados à conversão. Entretanto, o que não é sabido é que antes desta ação definitiva da coroa da Espanha houve uma complexa discussão, com profundos pressupostos teológicos, entre Hernando de Talavera e Jiménez Cisneros. O Arcebispo de Granada, talvez por influência de eruditos religiosos, como Pedro, o Venerável, defendia um processo de conversão que fosse autêntico e que estivesse pautado na explanação da verdade e na conquista para Cristo. Séculos antes o Abade de Cluny, Pedro, realizou uma viagem até a Espanha muçulmana, que então vivia o apogeu do seu domínio, e após o aprendizado junto aos mestres islâmicos, realizou a primeira tradução do Corão para o latim. Para ele os muçulmanos deveriam ser atraídos ao cristianismo "não como nosso povo com frequencia faz, pelas armas, não pela força, mas pela razão, não pelo ódio, mas pelo amor". Entretanto, esse método, adotado por Talavera, era lento e pouco visível aos olhos de uma corte que via os mouros e seus descendentes como manifestações crônicas de uma Espanha doente. 

Quando os Reis Católicos visitaram Granada pela primeira vez desde a vitória de 1492 encontraram uma cidade cristã, rica em igrejas e em manifestações religiosas, onde os sinos, tão perseguidos pelos muçulmanos, repicavam livremente e eram extremamente audíveis. Entretanto, também se depararam com uma cidade onde as mesquitas perduravam e enchiam todas as sextas-feiras. Granada era, portanto, até então, uma típica localidade católica onde os não-cristãos tinham plena liberdade para professarem a sua fé. Contudo, a contínua presença da fé islâmica incomodava os Reis Católicos e estes, finalmente, deram vazão aos planos do Arcebispo de Toledo, Jiménez de Cisneros. Agora os sacerdotes e os pregadores do Primaz da Espanha tomariam a cidade e apressariam o processo de conversão dos mouros. Pouco tempo após o seu novo encargo, o prelado espanhol influenciou a elaboração do edito que, em 1502, definiu que todos os muçulmanos deveriam escolher entre o batismo e o exílio no norte da África. Dentro da estruturação lógica do argumento usado pelos soberanos, não havia o enquadramento da conversão forçada, já que fora dada como alternativa a partida para o Marrocos. Na perspectiva de Cisneros a rápida “cristianização” dos mouros facilitaria o trabalho de evangelização. Obviamente há em tal raciocínio uma total inversão da teologia sacramental católica quando se trata do batismo de adultos com uma consciência formada e livre. Cisneros, para tal intento, transferiu a teologia batismal de crianças como pressuposto teológico do seu projeto e, ademais, ao conceber o muçulmano como intrinsecamente selvagem diminuía o papel da consciência na sua própria composição antropológica. 

A grande dificuldade dos cristãos ibéricos, entretanto, não estava tão vinculada ao problema religioso. Havia, de modo muito natural para a época, a desconfiança diante do desconhecido. Judeus, cristãos e muçulmanos desenvolviam lendas e mitos que buscavam demonizar as outras crenças e, ademais, concebiam o outro como selvagem e bárbaro. Com a conversão forçada de judeus e muçulmanos, na busca pela unidade territorial, surgiu uma eterna desconfiança sobre a sinceridade da fé cristã professada pelos cristãos-novos e pelos mouriscos. Entretanto, mais do que a insegurança frente à honestidade religiosa, existia uma forte aversão ao fator cultural. O combate sistemático da coroa espanhola contra a cultura judaica e principalmente moura exemplifica a incapacidade dos cristãos da época de conceberem a ideia do cristianismo ibérico não estar ligado a uma cultura propriamente ibérica. Destarte, ser católico espanhol era, necessariamente, se incluir dentro do espectro cultural lícito, isto é, as diversas facetas culturais que compunham a nação, desde catalã até galega. A busca pela destruição das marcas árabes na vida dos convertidos e com a consequente castelhanização destes era a forma encontrada de exorcizar os fantasmas do passado. Para que a transformação fosse mais aguda a coroa endossou a destruição da identidade mourisca: o idioma árabe foi proibido e livros nesta língua foram queimados, trajes típicos foram declarados ilegais e até mesmo os casamentos entre mouriscos deveriam ser celebrados de portas abertas para que não se duvidasse da ocorrência de uma cerimônia cristã. Ademais, os mouros convertidos estavam proibidos de portar armas, ainda que fosse uma faca doméstica – que deveria ter as pontas arredondadas. A crença prática era de que a “mancha” étnica triunfava diante da graça batismal, uma concepção extremamente herética para a doutrina católica. 

Havia na época um apreço muito grande pela reflexão a respeito da salvação dos não-cristãos, discussão aprimorada com o descobrimento da América e dos seus povos nativos desconhecedores da Revelação. Para o Cardeal Tomás Caetano, infiéis como os muçulmanos estavam sob o domínio cristão, enquanto os indígenas americanos estavam livres da jurisdição da Igreja. Esse tipo de raciocínio possibilitou o incremento da ação da Inquisição contra os mouriscos. Contudo, a situação da Igreja na Espanha era muito complexa. A instituição eclesiástica, inclusa a Inquisição, era usada como instrumento do estado. Ademais, num curto espaço de tempo reis espanhóis, como Carlos V e Felipe II, restringiram os poderes do papado na península ibérica. O confronto foi agravado com a invasão de Roma pelas tropas de Carlos V e o consequente saqueamento da Cidade Eterna. Felipe II, ainda sendo um fiel defensor dos anseios da Igreja na Europa, mostrou-se na Espanha um ardoroso protetor dos interesses do monarca no campo religioso. A Santa Sé, portanto, não apoiou a conversão forçada das massas, que ocorreu, assim, à revelia da autoridade máxima da fé católica. 

O choque de Talavera com Cisneros pode ser concebido, portanto, como a luta entra um propósito sincero de conversão e o uso político da religião para fins obscuros. O Arcebispo de Granada, grande erudito que dominava perfeitamente o idioma árabe, por mais ineficiente que parecesse aos olhos de uma coroa ansiosa pelo fim da presença islâmica na península, não usava de meios violentos, mas, isto sim, através da persuasão racional e do testemunho amoroso apresentava o cristianismo aos mouros. Já o Arcebispo de Toledo, com a conversão forçada dos mouros granadinos e em seguida de todos os islâmicos em Castela, exterminou, ao menos nominalmente, o islã do reino cristão, mas não conseguiu transformar os mouriscos em verdadeiros católicos por mais que sacerdotes e monges entrassem aos montes em suas vilas e bairros. Com a ineficiência da conversão começou a se fortalecer a tese de que a cultura moura, ou até mesmo a raça árabe, era a grande responsável pela dificuldade dos convertidos em abraçar verdadeiramente o cristianismo. Iniciou-se, portanto, um processo sistemático de destruição cultural e de controle sobre a vida dos mouriscos. 

Os sucessores de Cisneros em suas teses continuaram com a busca pela cristianização dos já nominalmente cristãos. Tal tensão criara tamanha desconfiança sobre a sinceridade da fé que até mesmo os que viviam honestamente a nova crença eram vistos com precaução. Incapazes, portanto, de tornar todos os descendentes dos mouros em verdadeiros cristãos e impossibilitados de destruir completamente os resquícios da cultura árabe, a coroa espanhola resolveu expulsá-los da península ibérica, enviando-os para o Marrocos, como já havia ocorrido com os judeus séculos antes. A expulsão ocorreu em 9 de abril de 1609, sob a ordem de Felipe III da Espanha. 

Desde a conversão em 1502 até a expulsão em 1609 um século foi atravessado. O método de Cisneros se mostrou um grande fracasso. Poucos mouros adotavam sinceramente a fé cristã e ainda mesmo aqueles que o faziam não abriam mão de sua rica cultura. Começa-se, portanto, o segundo processo, o de substituição da cultura árabe pela castelhana, o que intensificara a revolta mourisca contra a coroa. Com a tensão no sul da Espanha se tornando cada vez mais complexa e, ademais, com o crescente desenvolvimento de teses que defendiam a ideia de “mancha étnica” indelével, houve-se por bem banir todos os mouriscos do reino da Espanha. 

Certamente Hernando de Talavera, com seu método orgânico de conversão, ainda que não atingisse a totalidade da população moura, geraria conversões sinceras que serviriam como testemunhos profundos da vida cristã junto aos muçulmanos. Entretanto, por mais dinâmica que tenha sido a história de Al-Andalus e da Reconquista, o que fica claro de modo mais enfático é a capacidade do homem de produzir, através do seu espírito, monumentos de eternidade e ações que marcam a sua vida, a dos homens da sua época, mas que atravessam o tempo e chegam até o homem presente. Não cabe, portanto, um juízo metódico sobre Cisneros e suas teses fracassadas, entretanto, fica o aprendizado de que a consciência individual jamais deve ser tolhida na liberdade que tem de seguir, ainda que seja no seguimento do erro.

Ainda o Nexo Idolatria-Necromancia/Antropocentrismo-Aberrossexualismo


Numa das postagens de ontem deste blog ("Os vínculos entre rituais satânicos, o gayzismo e a pedofilia"), foi aclarada a conexão entre as modalidades de idolatria, o aberrosexualismo e as necromancias, existentes tanto sob a forma de sistemas religiosos mais ou menos consistentes quanto como mera prática utilitária desvinculada de concepção religiosa específica. Também foi evidenciada a relação mutuamente tributária entre as escolas (estéticas, filosóficas, "científicas" etc) antropocêntricas e a necromancia, e como ambas fomentam a idolatria do Homem, foco de uma ensimesmação espiritual narcisística cujo corolário é a perversão aberrossexualista, estritamente lúdica ou de engajamento público.

Dario Vellozo

Retoma-se a temática para demonstração adicional da necessidade de resguardar a cultura da influência dos arqueólogos de saberes tradicionais proscritos pela Igreja, e de como tais arqueólogos foram mais abundantes e decisivos que se pensa. Trago ao conhecimento dos leitores o caso daquele cujo "nome mágico" era Apolônio de Thyana , o sr. Dario Persiano de Castro Vellozo (1869-1937)expoente da literatura simbolista parananense, educador, político, pensador, grão-mestre maçom, neopitagórico, e pesquisador de ocultismo com obra* publicada a respeito. Qual será a extensão da influência que ele terá deixado inconscientemente impregnada nas mentes daqueles que com ele sem prevenções conviveram, desarmadamente leram sua literatura, apartados da cautela assistiram suas preleções? Difícil precisar, mas pode-se supor com bastante segurança que é uma influência maculada por elementos oriundos de saberes alheios à Sã Doutrina católica, até mesmo a ela contrários.

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* VELLOZO, Dario. Ocultismo no Paraná. In: Esfinge, Curitiba, vol. 2, n. 11, 1900.

Doutrina da Igreja Católica a respeito do uso dos livros sagrados



(De SPES - Santo Tomás de Aquino)




Jean-Baptiste Malou
[Tradução: Gederson Falcometa]
A leitura da Sagrada Bíblia em língua vernácula (I)

I.
Doutrina da Igreja Católica a respeito do uso dos livros sagrados
Nós acreditamos que as Sagradas Escrituras foram dadas a Igreja para instruir todos os fiéis, e que foram particularmente confiadas aos pastores, afim de que as conservassem intactas e puras em meio às vicissitudes e revoluções das sociedades humanas, afim de que esses fizessem dela a base de seu ensinamento. Acreditamos que contém a maior parte das verdades reveladas, e que a Igreja docente, isto é, o corpo dos pastores, o sucessor de Pedro como chefe, recebeu a missão de interpretá-la de forma autêntica por meio da tradição vivente, por ela conservada em seu próprio seio em virtude da autoridade recebida do Salvador. Acreditamos que as Sagradas Escrituras em várias circunstâncias são suficientes por si só, para confundir a heresia se entendidas no sentido atribuído a elas pelos SS. Padres e conformemente às decisões anteriores da Igreja; mas acreditamos ainda com Tertuliano que não são susceptíveis de resolver definitivamente e absolutamente alguma controvérsia quando separadas do princípio de autoridade e se lhe determine o sentido segundo opiniões preconcebidas ou segundo sistemas humanos; neste último caso, elas para servir-nos da expressão enérgica daquele Doutor Africano, servem apenas para turbar o estômago e o cérebro [1]. Acreditamos que a Escritura não contém todas as verdades reveladas, mas acreditamos que a sua leitura seja necessária aos pastores de almas e que possa ser útil a todos os fiéis que são preparados para esta mesma leitura; acreditamos que jamais Deus ordenou a todos os cristãos de lerem a Sagrada Bíblia e atingir com os seus próprios esforços o conhecimento da revelação; acreditamos que os fiéis lucram com as Sagradas Escrituras se colocam atentamente e docilmente o ouvido ao ensinamento dos seus pastores, e acreditamos que a Igreja teve legítimos motivos para estabelecer e modificar as leis disciplinares ou os costumes locais que restringiram ou encorajaram em épocas diferentes o uso dos livros sagrados entre os leigos.

 Aqui de forma breve, aquilo que acreditamos, aqui a verdadeira e própria doutrina da Igreja; para compreender lhe os princípios, é necessária a ciência de uma série de fatos fundamentais que os protestantes ignoram ou perdem de vista e que é essencial recordá-los para provar aqui sumariamente que as crenças da Igreja não são arbitrárias, mas se ligam concretamente ao berço do cristianismo e as instituições fundadas pelo Salvador.
O primeiro fato que retenho relevante constatar é o método usado pelo divino Mestre no ensinamento da fé; ele desde o princípio poderia consagrar o uso da leitura dos livros santos com o seu exemplo, propondo-o aos seus discípulos, e ao invés difundiu a própria doutrina a viva voz e formou os apóstolos por meio do ensinamento oral. Seguiram eles, o projeto da sua Igreja, predisse a eles as tempestades que essa deveria sofrer um dia, falou a eles de todos os interesses do seu povo, de todos os dons do seu amor, e impôs a eles o dever de anunciar a fé no mesmo modo com o qual eles mesmos a haviam recebido; por disposição da sua providência a nova aliança foi não só anunciada a viva voz, mas foi também concluída e sancionada antes que um só livro do Novo Testamento tivesse sido escrito.

A Igreja mesma foi fundada sem a ajuda de tais livros; o Salvador lhe havia escolhido o chefe, preparado os elementos, revelado as crenças antes de subir ao céu, e depois da sua gloriosa ressurreição confere a Pedro [2] e aos apóstolos a jurisdição que havia a eles prometido [3], e tendo sentando-se a destra do Pai os enviou segundo a sua promessa o Espírito consolador, que ensinou a eles toda a verdade [4]. A lei evangélica, promulgada no dia de Pentecostes, existia assim toda inteira no ensinamento oral da Igreja representada pelo colégio apostólico e que, comunicada a viva voz aos primeiros discípulos do Evangelho, foi anunciada a todas as nações da terra, frutificando entre essas ao cêntuplo.

Os livros sacros foram escritos depois que a fé já havia sido anunciada no mundo inteiro [5]; a sua promulgação foi lenta e tardia, o seu uso se introduziu sucessivamente nas Igrejas. O primeiro livro sacro do Novo Testamento foi escrito apenas oito ou dez anos após a morte do Salvador, e o último cerca de sessenta anos mais tarde, pelo fim do primeiro século da era cristã. Inicialmente as Igrejas não receberam o depósito completo das Sagradas Escrituras; no início do IV século se contavam sete livros divinos do N.T. a qual origem sacra não era universalmente estabelecida [6].

Aqueles livros dos quais a origem é indubitável não tinha um forte caráter de utilidade geral; alguns, como os Evangelhos, embora fossem de extremo interesse para a Igreja universal, foram redigidos sobre a requisição de alguns singulares fiéis: S. Mateus escreve para os Judeus convertidos, S. Marcos sobre requisição dos fiéis de Roma, S. Lucas para fornecer uma ajuda aos gentios, S. João sobre requisição dos seus amigos [7]; outros livros, quais as Epístolas de São Paulo, foram endereçados a igrejas particulares ou a simples bispos para resolver dificuldades locais ou para conselhos circunstanciais; nenhum deles possuía características de uma lei universal, promulgada na origem em todas as Igrejas como único código do povo cristão.

Todavia, longe de nós o pensamento de atribuir ao acaso a publicação dos livros sacros, ou de negar o fim providencial que presidia a sua redação! Nós acreditamos com a Igreja que o Espírito de Deus, inspirando-lhes, queria oferecer aos fiéis uma lei divina e universal que servisse como tutela e salvaguarda da fé em todas as idades; mas ousamos afirmar sem temor de sermos refutados que este fim não se concretiza na forma dos livros divinos, nem nas circunstâncias do seu nascimento [8]. Tais livros haveriam tido o caráter concreto de lei única e universal se os apóstolos, ao invés de promulgar lhe sucessivamente e isoladamente, e a segunda exigência dos tempos e dos lugares, lhe houvessem redigidos em comum e lhes houvessem promulgado sucessivamente de comum acordo como o único código da Igreja, como a única fonte de instrução cristã.

Deus, que havia confiado a Igreja o depósito da Tradição, não permite que uma promulgação solene das Escrituras viesse de qualquer modo a desmentir o seu primeiro dom com o consignar a Sacra Bíblia uma destinação que ela própria não tinha; Ele deu muito maior evidência a instituição do ministério apostólico e a primeira pregação do Evangelho, mais que a publicação dos livros santos, e isto para manifestar de modo factual a sua vontade formal de submeter ao juízo da Igreja a interpretação dos livros inspirados, e de fazer depender da autoridade dos pastores o fruto conseguível com o seu estudo. A prática de quinze séculos junto ao testemunho da Bíblia e a doutrina dos SS. Padres atestam no mundo mais explícito esta vontade do Salvador; mas ainda na ausência destas provas evidentes, o conjunto dos fatos originais que acabamos de expor o provaria com a máxima evidência, adquirindo toda a força de uma apologia em favor da disciplina atual da Igreja; e em efeito, é fácil deduzir-lhe os princípios fundamentais da nossa crença e das leis disciplinares que nos regem.

Em primeiro lugar precisa concluir-se que o uso dos livros santos não é uma necessidade absoluta no ensinamento da fé, que, além disso, qual lhe possa ser a utilidade: o comportamento dos apóstolos e as relações existentes entre os livros santos e as primeiras revelações orais não consentem a mínima dúvida a este respeito. Os apóstolos não se serviram dos livros santos para chamar os idólatras à fé, e os seus discípulos, um século depois da morte do Salvador, anunciavam ainda a viva voz o Evangelho aos povos bárbaros, que não tinham noção alguma das letras humanas [9]. O ensinamento oral das verdades reveladas, não apenas precedeu a existência das escrituras, mas os escritores inspirados se serviram da Tradição divina como de uma fonte. Os homens que o Espírito Santo iluminou com a luz celeste afim de que colocassem por escrito as vidas admiráveis e as doutrinas sublimes do Salvador tirara da Tradição da Igreja uma grande parte dos fatos e das verdades que lemos nos seus escritos [10]; e atingindo a sacra doutrina a esta fonte divina, eles não a teriam drenado, como afirmam os protestantes, mas a tem fecundado acrescentando as verdades já notáveis, as verdades que Deus a eles inspirou. A própria linguagem em uso na Igreja, e o sentido teológico dos termos que empregavam podem ser determinados apenas pelo ensinamento oral dos apóstolos. Então, é necessário considerar as Escrituras como um potente sustento, como uma sanção duradoura da Tradição divina, e não como fonte única de toda a verdade cristã.

É impossível afirmar que a Tradição, assim intimamente unida a Escritura desde o princípio, dela tenha sido separado mais tarde; nos tempos sucessivos a sabedoria divina não destruiu a instituição originária de Jesus Cristo, o qual quer que a letra morta da Sagrada Bíblia receba a vida da Tradição oral e dependa da vontade da Igreja, afim de que, em todos os tempos pudesse se discernir o verdadeiro sentido da revelação, do sentido que a heresia ou o capricho dos homens lhes atribuía. A Tradição divina foi então destinada no princípio a existir perpetuamente ao lado das Escrituras enquanto expressão vivente do pensamento dos escritores sacros, para atribuir aos livros santos o seu verdadeiro sentido dogmático, mais ou menos como as vozes são colocadas ao lado das consoantes para conferir seu som e formar o sentido gramatical da frase. A Tradição, embora tenha ainda como escopo o conservar algumas verdades reveladas da qual em vão se buscariam os traços nos nossos livros santos, sobretudo, devem servir-nos para determinar a doutrina das Escrituras, da qual é por assim dizer a fonte e a vida; e se ainda não adicionasse alguma verdade essencial, a verdade contida nos nossos livros santos, não obstante, seria necessária a Igreja para iluminar as Escrituras e como regra infalível das nossas crenças. Nós não consideramos a Tradição como um ensinamento suplementar, totalmente distinto do ensinamento dado pelas Escrituras, mas como um ensinamento por assim dizer colateral àquele da Sagrada Bíblia, sob certos aspectos mais abundantes e sempre muitos preciosos, porque oferece a dúplice vantagem de fixar o sentido das Escrituras e de conservar-nos um grande número de verdades não colocadas por escrito. Se os ministros protestantes têm retido que a Tradição divina para nós não fosse outra coisa, que um conjunto de verdades não escritas, que os fiéis tem sempre professado na Igreja, fizeram uma ideia falsa da nossa doutrina; porque os nossos teólogos não ensinaram nunca que a Tradição apostólica fosse um ensinamento suplementar (no sentido que tais ministros dão a este termo) ao ensinamento das Escrituras. [11]

Destes fatos originários podemos ulteriormente deduzir que o Salvador e os apóstolos nunca impuseram aos fiéis a obrigação de ler a Sagrada Bíblia. E que os judeus e os gentios receberam da boca dos apóstolos e dos seus primeiros discípulos as verdades da fé, enquanto os cristãos de hoje não poderiam mais ser instruídos naquela mesma fé, escutando atentamente o ensinamento dos Pastores aos quais o Salvador conferiu a missão de anunciar a palavra sacra e de continuar a obra iniciada no dia de Pentecostes? Por qual curiosa revolução a pregação da Fé, que Deus colocou em relação com a conversão do mundo, tornou-se insuficiente para ensinar os fiéis, as vias da salvação e as regras da vida cristã? As vias do céu abertas pelo Salvador talvez estejam fechadas no dia de hoje? As condições colocadas para obter a salvação talvez estejam mais rigorosas? No nascimento da Igreja poderia nos salvar acreditando nas verdades a viva voz e obedecendo aos Bispos depositários da Tradição… por que hoje não se pode mais? Os ministros protestantes nos explicam de graça, os motivos que atualmente obrigam os seus fiéis a ler a Sacra Bíblia sob pena de danação [12]!… A Reforma talvez tenha recebido o poder de abrir e fechar a seu gosto as portas do céu? Talvez, não nos imponha, com a sua privada autoridade, um julgo insuportável que os apóstolos não nos impuseram e que foi desconhecido por quinze séculos de Igreja?

Mas a Igreja Católica acredita que nos possa salvar acreditando nas verdades anunciadas a viva voz e obedecendo aos Bispos depositários da tradição e, mais sabiamente que os reformadores, retém assaz menos importante fazer ler a Sacra Bíblia, que fazer observar as leis impostas a nós por Deus, e é persuadida que a Bíblia seja de proveito para todos os fiéis, muito mais por meio do ensinamento dos pastores, para os quais, na verdade, foi escrita e aos quais foram especialmente confiadas, que por meio de uma leitura pessoal: o Apóstolo ensinou que toda Escritura inspirada é útil para ENSINAR, para REPREENDER, para CORRIGIR e para CONDUZIR a justiça e a piedade [13], isto é, para dirigir os pastores no governo de suas greis. Qualquer que sejam as ideias que os protestantes fizeram da hierarquia sacra, é de fé para eles como para nós que não todos os fiéis são doutores, apóstolos, intérpretes, pastores [14] e que não todos foram estabelecidos pelo Espírito Santo para apascentar a grei de Jesus Cristo [15]: segue-se evidentemente que não todos receberam as Escrituras para ensinar, repreender, corrigir e conduzir, e que os fiéis podem contar com a sabedoria e o zelo dos Bispos que Deus constituiu chefes de seu povo para conhecer as Escrituras e conformar as suas crenças e os seus costumes a lei do Senhor. Santo Ambrósio chama a Bíblia de o livro sacerdotal, e Santo Agostinho dizia que o homem que se apoia sobre a fé, a esperança e a caridade, não tem necessidade da Escritura QUE PARA INSTRUIR OS OUTROS [16]. A doutrina do Apóstolo era então aquela dos Santos Padres, e deve ainda ser a nossa.

Também os protestantes aceitariam tal doutrina, se a necessidade imperiosa de negar a autoridade da Igreja e o depósito da Tradição não lhes forçasse de qualquer modo a desconhecê-la; remove aos protestantes o interesse pela sua seita, fazei com que possam defender a sua causa sem substituir a Sacra Bíblia pela Igreja e o juízo individual pela autoridade espiritual, e não terão mais dificuldade a reconhecer conosco que, embora se todos os homens são obrigados a aderir a verdade revelada, a obrigação de conhecer tal verdade por meio da leitura dos Livros sacros, existe apenas para os pastores; não é a sã razão, nem a evidência da verdade que lhes obriga a atribuir a leitura pessoal da Bíblia uma similar importância, verdadeiramente ridícula. Um pouco menos preocupação, um pouco mais de calma faria com que compreendessem aquilo que nós compreendemos que isto, a leitura, é somente um meio para alcançar o conhecimento da verdade, o qual por outro lado, se manifesta em várias formas diferentes. Que importa em ultima análise a maneira com a qual a verdade penetra a alma dos fiéis? No momento no qual estes gozam da consolação das escrituras [17], que consiste na meditação das promessas de Deus, o Espírito Santo que inspirou a Sacra Bíblia, talvez não tenha chegado ao fim, e as Escrituras não são, talvez, estadas de proveito para todos os cristãos? Faz desaparecer o prejulgamento protestante, e a necessidade de ler a Bíblia será reduzida a seu justo valor: a se aconselhar a muitos como um meio útil, mas não a se imporá a todos como dever essencial; se reconhecerá que o ensinamento oral dos pastores faz com que os fiéis se beneficiem das verdades contidas na Bíblia, e que uma só coisa é verdadeiramente necessária em matéria de ensinamento cristão e de sacras Escrituras, e isto é, conhecer a verdade e aderir a esta [18].

Reduzida ao valor de meio material, a leitura da Sagrada Bíblia não é mais objeto de uma lei divina, mas de uma lei disciplinar da Igreja, a qual varia com a necessidade dos fiéis e a exigência dos tempos. A Igreja, para regular-lhe o uso, não faz outra coisa, que empregar as regras da prudência cristã; qual que seja a sua decisão, essa obedecerá a palavra de Deus se distanciar das almas frágeis e carnais o terrível risco de transformar o nutrimento substancial das Escrituras em veneno mortal, e se impedirá com leis severas e inflexíveis os excessos que a heresia em todos os séculos nos oferece, como um desolador espetáculo.

[Tradução do francês para o italiano: C.S.A.B.]

[CONTINUA]

NOTAS:
[1] Tertull. De praescript. cap. XVI: «Nihil proficit congressio Scripturarum nisi plane ut stomachi quis ineat eversionem aut cerebri.»
[2] Joan. XXI. 15.
[3] Matth. XVI. 18. — XVIII 18.
[4] Act. I.
[5] Rom I. 8. Col I. 6.
[6] Euseb. Hist. eccl. lib. III. c. 25. p. 118. Os livros deuterocanônicos do N.T. são as Epístulas de S. Tiago, de S. Judas, a segunda de S. Pedro, a segunda e a terceira de S. João, a Epístola aos Hebreus e o Apocalipse; as dúvidas levantadas contra estes livros desapareceram na Igreja Católica no V ou no VI século, bem que o canône das Escrituras não tenha sido promulgado nesta época como lei universal. Estas dúvidas revividas pelos primeiros reformadores foram abandonadas pelos protestantes modernos, que rejeitam apenas os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento.
[7] «Matthaeus apud Hebraeos propria eorum lingua conscriptum evangelium edidit, dum Petrus et Paulus Romae Christum praedicarent et ecclesiae fundamenta jacerent.» Euseb. Hist. l. V. c. 8. p. 219. ex Irenaeo. — «Primum Evangelium scriptum est a Matthaeo, qui illud hebraico sermone conscriptum Judaeis ad fidem conversis publicavit… Tertium Evangelium Lucae, in gratiam gentilium conscriptum.» Euseb. ibid. l. VI. c. 25. p. 290. ex Origene. — «Marcum Petri sectatorem enixe orarunt (Romani), ut doctrinae illius, quam auditu acceperant, scriptum aliquod monumentum apud se relinqueret. Nec prius destiterunt, quamhominem expugnassent, auctoresque scribendi illius, quod secundum Marcum dicitur, Evangelii exstitissent.» Euseb. ibid. lib. II. cap. 15. p. 64. — «Aiunt Joannem ab amicis rogatum… res a Servatore gestas… in Evangelium suum conjecisse.» Euseb. ibid. l. III. cap. 24. p. 117.
[8] Não afirmamos que «os apóstolos redigiram as suas obras por conta própria e não por ordem de Deus», como assegura Oster, pg.150, mas que o Espírito Santo comunicou as próprias luzes na ocasião de determinadas necessidades dos fiéis, sem manifestar a própria vontade formal de impor qualquer livro a cada fiel como uma lei imutável. Em outros termos a promulgação dos livros do N.T. não foi acompanhada da solenidade que circunda a promulgação da lei antiga sobre o monte e a instituição do ministério da palavra sob a lei da graça.
[9] S. Ireneo. lib. III. c. IV. n. 2. p. 178. Gentes barbarae sine litteris fidem didicerunt.
[10] Luc. I. 2 e 3.
[11] Esta observação responde em parte a questão que Oster nos endereçou nestes termos: «Quais são as verdades essenciais que a tradição acrescenta a Escritura?» p. 148- Indicaremos estas verdades em outro lugar, mas ainda que não tivesse alguma, a tradição seria necessária como regra interpretativa. Esta observação responde ainda a dificuldade colocada por Monod, pg. 174.
[12] É uma opinião de Girod, na pg. 36 do seu Avvertissement.
[13] II Tim. III. 16.
[14] I Cor. XII. 29. — Ephes. IV. 11. — I Tim. I 7.
[15] Act. XX. 28.
[16] «Homo fide, spe, caritate subnixus, non indiget Scripturis,nisi ad alios instruendos.» De doct. christ. l. I. c. 49.
[17] Rom. XV. 4.
[18] Os ministros protestantes, quando estão sem a sua preocupação sectária, chegam a alcançar a verdade; aqui como um deles reconhece o princípio que nós apenas estabelecemos: «A multidão inumerável de pessoas, afirma que foram convertidas a Deus, o foram por meio da Bíblia SEJA diretamente pela sua leitura, SEJA indiretamente por meio da pregação da verdade que ela encerra» Boucher, pg 89. «Não nos podemos recusar a admitir, diz (pg.193), que a inteligência da doutrina de Deus, é apenas um meio para chegar ao fim, que é compreender a vontade de Deus.» — «Sem dúvida se pode chegar ao conhecimento do Salvador apenas com a pregação!» Girod p. 36.  Neste caso, que é feito do dever absoluto de ler a Bíblia e de procurar por si mesmo, as verdades da salvação?

Partidos para quê?

Partidos para quê?
(Do blog Acção Integral)
Reunião dos Estados Gerais sob convocatória do Rei da França
Que desapareçam os partidos políticos. Nunca ninguém nasceu membro de um partido político; em troca, todos nascemos membros de uma família, somos todos vizinhos num município, esforçamo-nos todos no exercício de um trabalho. Pois se essas são as nossas unidades naturais, se a família e o município e a corporação é no que verdadeiramente vivemos, para que necessitamos do instrumento intermédio e pernicioso dos partidos políticos que, para unir-nos em grupos artificiais, começam por desunir-nos nas nossas realidades autênticas?

José Antonio Primo de Rivera in «Discurso de fundação da Falange Espanhola».

Os vínculos entre rituais satânicos, o gayzismo e a pedofilia




Qualquer um que buscar as relações entre satanismo, pedofilia e a atual campanha gay irá encontrar muita coisa.


Aleister Crowley, o mais conhecido mestre satanista do mundo pop, autoproclamado “Besta 666”, recomendava aos seus seguidores que relatassem suas experiências com pedofilia em seus “diários mágicos”. Isso foi seguido fielmente por um dos seus súditos mais devotos e famosos, o zoólogo Alfred Kinsey, conhecido patrono do movimento gay norte-americano. Os “relatórios Kinsey” foram o alicerce das campanhas pela normalização da homossexualidade nos EUA (http://www.youtube.com/watch?v=htAUysRPvNs).

A relação entre movimentos gays e a militância pela pedofilia é algo tão evidente que seria tedioso listar aqui as comprovações. Para quem ainda duvida, citemos aqui apenas um trecho do artigo do pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, que atesta não somente a relação entre os conceitos da prática mas no histórico das duas militâncias:

Fundada em 1978, por muito tempo a NAMBLA (North American Man/Boy Love Association – Associação norte-americana de amor homem/menino) pertenceu à ILGA – Associação Internacional de Gays e Lésbicas – também esta fundada no mesmo ano. Em 1993 a ILGA alcançou o “status” de membro consultivo da ONU. A presença de um grupo explicitamente pró-pedofilia dentro da ILGA suscitou críticas quanto à presença desta última nas Nações Unidas. Por esse motivo, em 1994, a ILGA resolveu expulsar a NAMBLA de seus quadros (http://ilga.org/ilga/en/article/861). A expulsão foi meramente estratégica, pois a ILGA sempre se opôs às “restrições de idade” para crianças e adolescentes praticarem atos sexuais com adultos.
Portanto, não se trata somente de uma consequência lógica da transformação do conceito de direitos humanos, estendendo-os à regulamentação das fantasias sexuais, mas é algo que se torna cada vez mais evidente, como a participação ativa do lobby da pedofilia nas questões de sexualidade. Afinal não pode ser à toa que o alvo da campanha gay tem sido as crianças, como mostram as frequentes propostas de cartilha gay, kit gay e a “campanha contra o preconceito nas escolas”.

A partir da normalização da homossexualidade (que já chegam a propor até mesmo que a heterossexualidade é anormal!), o apoio à pedofilia se torna uma evolução natural. A campanha pedófila já ficou evidente muito antes das defesas pelos “direitos sexuais das crianças” pelas Nações Unidas, já que a NAMBLA, como vimos, é há 20 anos membro consultivo da ONU (http://www.midiasemmascara.org/artigos/globalismo/12955-onu-direitos-sexuais-para-criancas-de-10-anos.html).

Pois bem, evidenciada a relação histórica entre pedofilia e agenda gay, vejamos a relação com os rituais de sacrifício. Alain Soral afirma que as redes de pedofilia estão espalhadas por todo o mundo. São estas redes as responsáveis pela grande maioria dos casos de crianças desaparecidas em diversos países. “As crianças são roubadas para serem vendidas e armazenadas para cerimônias de sacrifício”, diz Soral. Quem tiver dúvidas,assista a um de seus vídeos.

Tanto na magia sexual como nos rituais de sacrifício de Aleister Crowley, há inúmeras referências e pretextos para a utilização de crianças. Therion (“besta”, em grego, um dos pseudônimos de Crowley) deu origem à quase totalidade das seitas esotéricas e místicas da atualidade, tendo seu pensamento e obra presente na maioria dos manuais ocultistas, junto de Austin Osman Spare, Samael Aun Weor, entre outros.

Qualquer um que buscar as relações entre satanismo, pedofilia e a atual campanha gay irá encontrar muita coisa. Como exemplo, vale ler trecho do livro Magick, de Crowley, explicando sobre a importância e relevância da vítima infantil para os rituais de sacrifícios.

“…it was the theory of the ancient magicians that any living being is a storehouse of energy varying in quantity according to the size and health of the animal , and in quality according to its mental and moral character. At the death of the animal this energy is liberated suddenly. The animal should therefore be killed within the Circle, or Triangle, as the case may be, so that its energy cannot escape…For the highest spiritual working one must accordingly choose that victim which contains the greatest and purest force. A male child of perfect innocence and high intelligence is the most satisfactory and suitable victim.” (Magick, by Master Therion, published in 1929 by the Lecram Press, Paris, France)
Em tradução livre:

“… é da teoria dos magos antigos de que a quantidade de energia armazenada varia de acordo com o tamanho e a saúde do animal e, em termos de qualidade, de acordo com seu caráter mental e moral. Na morte do animal toda essa energia é liberada instantaneamente. O animal deve, portanto, ser morto dentro do círculo, triângulo ou conforme o caso, de modo que a sua energia não escape. Para os maiores trabalhos espirituais, portanto, deve-se escolher aquela vítima que contenha maior força pura. Uma criança do sexo masculino de perfeita inocência e elevada inteligência é a vítima mais adequada e satisfatória”.

(Outras referências: http://www.horuscentre.org/library/Thelema/Magick_In_Theory_And_Practice.pdf e http://hermetic.com/crowley/book-4/chap12.html)

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Nota de Mundividência: a violação do Primeiro Mandamento da Lei de Deus é uma das causas mais importantes da pandemia de sodomia vivida na Terra.  Quem não ama a Deus acima de todas as coisas é idólatra, e eleva ao lugar Dele algo ou alguém. Como a idolatria correlaciona-se fortemente com as perversões sexuais, e estando tão em baixa o amor a Deus nos dias de hoje, em alta estão os apetites carnais voltados ao mesmo sexo. Adiante explica-se melhor.

Vários são os amores que podem ocupar no coração do homem da Queda o lugar do Altíssimo: o apego ao dinheiro; as desordenadas dependências afetivas de familiares, amigos, parceiro(a)(s) amorosos e até de animais domésticos; a sobrevalorização da boa aparência física; o apreço pela fama e outros. No entanto, ao fim e ao cabo, todos esses amores citados acabam sendo expressões ecleticamente nuançadas de um amor próprio severamente corrompido, inclusive do amor eros. Sendo inviável a consumação satisfatória do amor eros nutrido por uma pessoa para consigo mesma, ela buscará (debalde) o enantiomorfo ambulante para satisfação desses requintes de sua compulsação idolátrica, implícita ou explícita. Se a compulsão em questão é implícita, predisporá ao abrangente espectro dos comportamentos homoeróticos. Se explícita, levará à luta aberta e encarniçada  contra tudo que seja tido (acertadamente ou não) como obstáculo à realização da união com a falsa divindade do Eu projetada no semelhante do mesmo sexo, em particular contra o Decálogo (ver sexto e nono mandamentos), contra o Supremo Legislador e Sumo Juíz que o deu à humanidade, e contra a ordem social e política impregnada do espírito da Lei mosaica: em outras palavras, ativismo político aberrossexualista e recusa acrescida de deliberada afronta ao culto a Deus, buscando o escândalo dos fiéis mediante a prática ostensiva e sistemática de sacrilégios, profanações e da necromancia sob suas diversas formas. É Narciso fazendo-se êmulo de Prometeu, ou mais bem, acalentando a pretensão de incendiar o Olimpo com o archote roubado à divindade.

Sendo a idolatria o fermento do homoerotismo disseminado, e por conseguinte, das expressões subversivas deste contra a paz social (não só da cristã, mesmo da burguesa), convém neutralizar esse coalho, para o que não se pode prescindir da excelência na arte da sujeição ao Criador em tudo e a todo tempo. Ora, excelência é hábito arraigado, o qual se adquire por exaustivas repetições. O que melhor para fazer perecer de inanição a idolatria corruptora da sexualidade que a participação na liturgia católica tradicional, sóbria, repleta de beleza e solenidade, e recoberta pelo véu insinuante do mistério (infelizmente mitigado com a hegemonia do vernáculo)? Portanto, urge restaurar a liturgia para que por meio dela Deus queira restaurar os homens, protegendo-os da loucura mal pacificada que faz com que destruam a si mesmos.

Para além da restauração litúrgica, faz-se necessário o combate frenético e infatigável aos ideários e imaginários difundidos pela sabedoria meramente humana, desacoplada da ciência divina, e portanto, presa fácil da influência que o Maligno a ela comunica por enxertos trazidos discreta e continuamente pelos estudiosos das artes ocultas. Afinal, entre Deus e o Mal Objetivo não há meio termo, e isso está para a sabedoria humana como a dicotomia espaço aéreo-solo está para a ave em pleno vôo: ou bate suas asas, e permanece suspensa na atmosfera, ou cessa de batê-las até que a gravidade a espatife na troposfera.

Bem, e qual a procedência do conhecimento das artes ocultas que bafejam com seus miasmas o patrimônio do intelecto humano, induzindo-o ao suave e vagaroso descenso na rampa do antropocentrismo, poroso e maleável às sugestões do oculto que enfraquecem a observância ao Primeiro Mandamento, deixando a espécie humana suscetível ao narcisismo idolátrico cujo corolário é a aberrosexualidade (militante ou não)?

Uma resposta completa está além das possibilidades do autor, mas mesmo uma resposta breve não pode deixar de apontar o contributo dos doutos hebreus cultores da Cabala (aliás, entusiastas da androginia e da bissexualidade), cujos conhecimentos sempre foram apreciados e procurados pelos incrédulos (sobretudo maçons e rosacruzes, ávidos por aquisição de conhecimentos que justifiquem as infindáveis e sucessivas gradações iniciáticas de suas organizações) de todas as épocas para nela alicerçar "originais" concepções filosóficas, estéticas e religiosas alheias à Sã Doutrina católica. É da Cabala que Freud colheu inspirações para suas pretensões científicas de interpretação de sonhos. É das conjurações cabalísticas de suscitação do Golem que os cientistas colhem entusiasmo para o empreendimento da clonagem, bem como para a adicional perversão de usá-lo para a produção de bestas híbridas entre o homem e os animais. É ocultando alegorias cabalísticas em suas obras literárias que inúmeros escritores, como Bento Teixeira e Bernardim Ribeiro, condicionaram e condicionam o desprevenido imaginário das sociedades luso-brasileiras fora da cultura da civilização cristã. É dando roupagem científica a conhecimento cabalístico que os físicos contemporâneos pretendem dissuadir os homens de que todas as coisas foram criadas pelo Verbo e com o Verbo, e persuadi-los de que o foram pelas Dez Sefirot/Dez Dimensões.

Resta óbvio que o combate à disseminação do aberrossexualismo exige a restauração do culto a Deus sob uma liturgia de sacralidade transbordante, expurgada do antropocentrismo tributário da Cabala, concomitante à denúncia incessante e veemente do cavalo de Tróia túrgido de ocultismo e necromancia que esse mesmo antropocentrismo é. Mais: deve-se mostrar que tal turgor se deve aos saberes colhidos fora do Aprisco do Bom Pastor, nos desmandos espirituais da Sinagoga. Fora a liturgia, devemos ainda pôr as instituições cultoras e formadoras do ideário e do imaginário das sociedades cristãos fora do alcance dos saberes profanos tingidos pela Cabala. Por fim, devemos redobrar as insistências nos esforços para conquistar os hebreus para os Sacratíssimos Corações de Nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo e da Santíssima Mãe de Deus e Advogada nossa, de modo que estejam sempre e em tudo absortos em satisfazer as demandas do Reinado Social do Filho de Deus em detrimento das perversões cabalísticas.

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LER TAMBÉM:

- Idolatria como auto-divinização de um povo: Cabala diz que hebreus são divinos

- Idolatria como nivelamento do Deus único aos falsos deuses:  Conexão do aberrossexualismo aos sistemas religiosos necromantes politeístas

- O grupo em detrimento de Cristo: a homoheresia, corporativismo gay na Igreja

- A Idolatria: Causa do Homossexualismo

sábado, 20 de abril de 2013





Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

 Acabo de ler Projetos para o Brasil (Publifolha, São Paulo, 2000), uma boa compilação de escritos diversos de José Bonifácio de Andrada e Silva. José Bonifácio é um dos poucos homens públicos brasileiros que desde jovem me chamou a atenção e admirei.

Sabia que José Bonifácio era o responsável pelo bom sucesso do processo de independência do Brasil em 1822. Sabia, como qualquer brasileiro, que tinha tido um tremendo conflito com D. Pedro I e vítima de injustiça. Sabia que a causa do conflito era sua defesa de uma monarquia constitucional, à inglesa, ameaçada pelo pendor absolutista do nosso primeiro imperador. Sabia também que era um homem inteligente, culto, fino, de boa família, mas não sabia que era um grande estadista, um pensador, um homem que tinha, realmente, um projeto para a nação que começava a engatinhar.

Há varias coisas a considerar a respeito de Projetos do Brasil. Em primeiro lugar, deve-se dizer que se trata de escritos esparsos, de notas pessoais, que não se destinavam à publicação, de modo que apresentam um tom muito intimista e pessoal.

José Bonifácio expressa uma visão abrangente, perspicaz, dos problemas e  desafios  do Brasil de então, visão que conserva uma atualidade impressionante. Percebia que o Brasil era um país completamente heterogêneo, com grupos humanos marginalizados, como os negros e índios, além de imensas regiões isoladas. Em poucas palavras, o Brasil tinha-se constituído um Estado independente em virtude de uma crise política, sem que de fato houvesse uma nação brasileira. Esta tinha de ser construída, com muita prudência e sabedoria, qualidades que distinguiam o caráter do patriarca da independência.

Via com clareza o problema da escravatura. Propugnava pelo fim do tráfico negreiro e pela abolição gradual do cativeiro. Denunciava com agudeza os males morais decorrentes do regime escravocrata. A escravidão, dizia, produz uma degradação geral da sociedade, favorecendo o surgimento de todos os vícios. Queria a integração dos índios à civilização. Combatia as injustiças cometidas contra ambas etnias, silvícolas e negros africanos, dizendo que os reis de Portugal tinham tentado defender os primeiros, mas tinham fomentado a exploração dos negros.

Como solução de tantos problemas, e visando à construção da nacionalidade, defendia a miscigenação, através da qual seria possível construir uma nação brasileira homogênea. E reconhecia a necessidade de, uma vez abolida a escravidão, garantir aos ex-escravos trabalho no campo por meio de uma reestruturação do sistema fundiário que corrigisse injustiças na distribuição da propriedade rural.

Ademais, José Bonifácio de Andrada e Silva tinha consciência da necessidade de preservar nossas florestas e rios, proteger a natureza em geral, destruída pela ignorância de um povo que não tinha conhecimento da ciência agrícola. Via igualmente os malefícios da monocultura da cana de açúcar e clamava pelo incentivo da agricultura, especialmente pela produção de alimentos essenciais, assim como pelo incentivo da piscicultura e apicultura.
Dava-se conta também da necessidade premente de fomentar a vida intelectual do país através da criação de escolas, fundação de jornais, etc.

Por outro lado, sob o aspecto político, a visão de José Bonifácio de Andrada e Silva é de uma sensatez e de um realismo admiráveis. Tendo conhecido de perto os horrores da Revolução Francesa – esteve na França poucos meses antes do regicídio – e vendo o perigo da anarquia revolucionária, queria para o Brasil uma monarquia constitucional, pois pensava que uma república seria incapaz de preservar a integridade do território do antigo império português na América, além de outros inúmeros males que grassavam nas republiquetas nascidas sobre as ruínas do antigo império espanhol e poderiam repetir-se no Brasil.

Cumpre dizer que, como maçom e iluminista, José Bonifácio de Andrada e Silva, não obstante sua defesa de uma monarquia constitucional, não esconde sua simpatia pelo despotismo esclarecido. Elogia os cognominados grandes da Rússia, Pedro e Catarina, bem como Frederico II da Prússia, chegando a dizer que, se D. Pedro I fosse como este último, ele lhe perdoaria as injustiças. Mas não poupa duras críticas ao caráter do príncipe, dizendo que era um sultão, que chegaria às mais baixas grosserias  da luxúria, a ponto de adquirir um coração insensível, incapaz de nutrir amizade e respeito por alguém. 
Após a leitura tão edificante de 
Projetos para o Brasil, impõe-se a questão: o projeto de José Bonifácio para o Brasil era um projeto maçônico incompatível com nossa consciência moral e nossos valores católicos tradicionais e irrenunciáveis?

Sou pela negativa. Os princípios fundamentais do projeto do nosso patriarca são os princípios perenes da moral católica e do direito natural. Em várias páginas o patriarca diz que as bases de uma nação são a família, a religião e a propriedade privada. Seus argumentos mais contundentes contra a escravatura são de natureza teológica, porquanto diz que uma instituição tão desumana contradiz a lei do Evangelho.

É bem verdade que em várias páginas respinga um anticlericalismo maçônico, a zombaria dos padres e frades, mas sempre em razão de uma crítica legítima: a conivência do clero secular e religioso com a injustiça da escravidão. Por outro lado, enaltece o padre Vieira, paladino dos direitos dos índios e negros. É certo que tem um preconceito contra o celibato eclesiástico, compreensível pelo ambiente intelectual em que se formou e quem sabe justificado por maus exemplos que presenciou.

Terá formulado talvez um juízo injusto da obra de evangelização dos jesuítas junto aos indígenas. Mas é preciso reconhecer que não se trata de um assunto tão simples: por um lado, os jesuítas foram heróicos e beneméritos evangelizadores, defendendo e civilizando os índios, por outro lado, parece terem cometido um erro (assim dizem alguns críticos eruditos), mantendo-os em um estado infantil, não os preparando para viverem como homens adultos integrados na sociedade civil. Os jesuítas teriam tentado uma utopia na América.

Da leitura do texto de José Bonifácio de Andrada e Silva não resulta a conclusão, como pretende o autor do posfácio, Omar Ribeiro Thomas, de que o patriarca defendesse para a construção da nação brasileira uma ideologia iluminista, como se estivesse convicto de que bastavam as luzes da deusa Razão para a felicidade e progresso do Brasil. Se lia Voltaire, era porque estava na moda – como muitos hoje incensam cretinamente Saramago -, mas não porque dissesse com o ímpio francês ecrasez l’infame.

A ser correta a interpretação do sr. Ribeiro Thomas, como explicar que José Bonifacio, embora não fosse um católico fervoroso,  sublinhasse em várias passagens o valor da religião, a importância da catequese na educação da juventude (chega a falar da reza do terço de Nossa Senhora como parte da catequese dos índios!), tivesse a sensatez de propugnar por uma monarquia, e não fosse um republicano furibundo? Ademais, José Bonifacio distancia-se da ideologia maçônico-iluminista criticando os devaneios de Rousseau (o mito do bom selvagem) e formulando um juízo criterioso sobre a inquisição, ao dizer que esse tribunal em Portugal e na Espanha não agrediu a sociedade porque o ponto de honra era ser ortodoxo.

Em suma, Projetos para o Brasil revelam um homem de um bom senso extraordinário, muito distinto de um ideólogo iluminista revolucionário ou mesmo reformista. Revelam um homem dotado de notável prudência, dócil à realidade, consciente da importância dos valores tradicionais para a saúde de uma sociedade. Sem dúvida, José Bonifácio de Andrada e Silva estava influenciado pelo iluminismo à portuguesa, mas o argumento substancial  de todo o seu discurso expressa as constantes da civilização na busca do aperfeiçoamento das instituições sociais e da elevação moral do homem. O  acidental e circunstancial, que não compromete o valor dos seus escritos, são algumas diatribes sectárias de anticlericalismo e antijesuitismo, que alguns mais tarde  seriam declaradas por José de Alencar, em célebre discurso contra a maçonaria e em defesa do Estado confessional,  como relíquias de um passado morto.

Oxalá a figura exponencial do patriarca da Independência inspirasse os nossos políticos de hoje a lutar pela defesa dos valores morais da família brasileira, pela libertação dos novos escravos, os jovens usuários de drogas, explorados pelos traficantes, tão execráveis quanto os antigos mercadores do tráfico negreiro. Oxalá os ajudasse a ver a necessidade da educação religiosa e moral da juventude. Oxalá os encorajasse na defesa da propriedade privada, sobretudo da propriedade rural, vilipendiada pelos criminosos baderneiros do MST acobertados pelo governo petista.

Oxalá nos ensinasse a todos brasileiros a edificar instituições políticas em harmonia com nossas raízes históricas.

Anápolis, 30 de dezembro de 2010.

Um conservadorismo autóctone





Do blog Acarajé Conservador 

Com a crescente popularidade do conservadorismo em muitos meios, principalmente entre os jovens, fica a pergunta se estamos falando do conservadorismo no Brasil ou do Brasil. Obviamente a importação de autores e escritos, principalmente dos EUA, enriquece profundamente a reflexão e preenche uma triste lacuna que há de uma literatura conservadora. Entretanto, qualquer tentativa de concretização de tais ensinamentos no Brasil, desconhecendo as nuances da nossa sociedade e da sua grande distância dos paradigmas americanos e europeus, será certamente fracassada.

O conservadorismo consciente que se desenvolveu historicamente no Brasil tinha como característica fundante a primazia da fé católica e a sensibilidade diante da amálgama cultural que é a nossa civilização. Pensadores como Gilberto Freyre, Nelson Rodrigues, Gustavo Corção, Alceu Amoroso Lima, Otto Maria Carpeaux etc estavam, direta ou indiretamente, associados com este paradigma. Havia, contudo, um segundo conservadorismo, porém não consciente, que era fruto do espírito maçônico republicano. Entretanto, diferentemente dos seus similares americanos, no Brasil o conservadorismo foi muito mais tímido em sua produção e na sua capacidade de criação de saber e estética. Não obstante a aparente ineficiência, grande parte dos conservadores brasileiros nutria uma visão de mundo realista da nossa história e condizente com as experiências tradicionais da nação.

O fato do conservadorismo americano ter, em sua grande parte, uma matriz cristã o torna mais palatável ao brasileiro. Ademais, as produções mais recentes têm fortes marcas católicas, livres de perigosas percepções protestantes, tão diferentes da nossa sensibilidade. Entretanto, um segundo fator torna a experiência conservadora da América, e também da Europa, profundamente distinta da realidade brasileira. O Brasil diferencia-se por ser uma civilização ocidental tropical, talvez a mais pujante existente. Para cá vieram os europeus mais miscigenados com os selvagens mouros; portugueses que, diferentemente dos espanhóis, não nutriram nenhum ódio avassalador contra a cultura humana árabe. O português, portanto, nem era puramente o descendente dos nórdicos que na península fundaram cidades, nem apenas a extensão do norte da África em solo europeu. Os povos do antigo Condado Portucalense eram loiros e morenos, ruivos e escuros. Assim, portanto, a Europa que aportou na Terra de Santa Cruz estava longe do caráter circunspecto e grave das nações do norte.

Aqui o português encontrou o índio e, mais tarde, trouxe para o Brasil o povo que definiu profundamente as marcas da cultura brasileira: o negro. Tamanho encontro entre raças e tradições tão distintas deu origem a uma nova forma de relacionamento humano e de visão de mundo. Enquanto os escravos enviados para os EUA eram, em sua maioria, oriundos de uma mesma localidade e sem grandes cargas culturais, entre os negros para o Brasil levados estavam muitos membros da aristocracia e realezas africanas, sacerdotes, sábios das mais diferentes regiões. Tamanha erudição fez com que em certas senzalas habitassem homens mais doutos do que muitos brancos das casas-grandes. A influência dos povos africanos ajudou a formar e reformar costumes e hábitos. Até mesmo a língua portuguesa, fundamental na unidade das províncias e na definição das fronteiras, foi  tomada pelo ritmo e suavidade do modo como os negros a falavam. Os filhos do senhor de engenho estavam mais habituados com a forma usada pelas amas-de-leite do que pela normatividade do português europeu ensinada nos colégios.

Tamanha miscelânea deu forma a uma sociedade muito distinta da Europa e da África, uma experiência única. O Brasil, ao ser colonizado pelo português, tornou-se numa nação onde a realidade multicultural, algo muito distinto do uso corrente do termo, foi sintetizada e transformada em cultura própria. Destarte, o conservadorismo que ignora as tradições mais profundas da história brasileira é nada mais do que uma caricatura dos modelos americanos. Sendo, portanto, incapaz de conhecer e reconhecer as experiências tradicionais do seu povo, o conservadorismo se converte em discurso panfletário, romântico e, até mesmo, revolucionário. Entretanto, é necessário não confundir esta leitura com o nacionalismo. Ao pensamento conservador é possível a junção do patriotismo com o olhar crítico fundamentado na busca pela verdade e pela beleza. Deste modo, falar do conservadorismo DO Brasil é entender o pensamento que não abre mão da nossa história e das nossas origens e que, ao contrário, fundamenta-se em tudo isso para defender a ordem espiritual da comunidade.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Achado: Resumo do Livro O Jardim das Aflições




*Do blog Conservadorismo em Debate


Resumo de O Jardim das Aflições [(I) e (II)].

Boa leitura!

A fraude de uma tradição "Judaico-cristã"


Do blog Combater a Nova Ordem Mundial  
A falsa esperteza do ecumenismo irenista estende a mão à esperteza genuína do hebraísmo cabalo-talmúdico

A fraude de uma tradição "Judaico-cristã"
Michael A. Hoffmann

(Do livro "Judaism's Strange Gods")

O culto sobrenatural do “Judaico-cristianismo” é um paradoxo encontrado nos lábios de muitos cristãos, incluindo mesmo os conservadores.

Essa abominável invenção “Judaico-cristianismo” representa um tecido com a clonagem de genes humanos e animais ou quaisquer das outras misturas de alquimia de duas mutuamente contraditórias substâncias, que nós testemunhamos essas poucas últimas décadas no caldeirão moderno.

A próxima aprovação universal exercida por esse termo absurdo expõe em um relance o nível de ignorância histórica abismal que hoje se obtém.

Os Padres da Igreja não conheciam nenhuma tradição “Judaico-cristã”, na medida em que o Judaísmo não existia antes de Cristo.

Antes dele, havia a fé dos israelitas que gradualmente decaiu e foi subvertida pelos ensinamentos corruptos tais como foram transmitidos pelos fariseus e saduceus.

Essa corrupção foi grandemente expandida quando uma parte dos israelitas rejeitou o Messias, Yashua (Jesus), depois que seus líderes finalmente tomaram seus rumos para a Babilônia, quando a tradição oral oculta, corrupta e condenada dos sábios foi executada para a escrita e compilada como o Mishnah, compreendendo a primeira parte do Talmud. Nesta ligação, a religião Judaica nasceu.

É o Talmud, não a Bíblia, o sistema hermenêutico do Judaísmo ortodoxo.

A religião do Judaísmo como foi conhecida desde que foi confeccionada depois da crucifixão de Cristo é o que é chamado de Judaísmo “ortodoxo” hoje.

A Igreja primitiva reconhecia o Cristianismo como tendo sido fundado pelos israelitas e representando a única verdadeira religião da Bíblia. Cristãos são, então, “a geração escolhida, sacerdócio real, nação santa...” (I Pedro 2, 9).

O Judaísmo não era visto como o repositório das verdades espirituais ou conhecimento do Antigo Testamento, mas como um culto pós-Bíblico, babilônico, totalmente em contrariedade com o Cristianismo bíblico.

Verdadeiros israelitas poderiam somente ser os cristãos, não os seguidores do Judaísmo. Os seguidores do Judaísmo são anti-bíblicos; eles tiveram que violar o Antigo Testamento no intuito de rejeitar Jesus.

Basta apenas começar com a atitude histórica cristã rumo ao sexo e ao corpo e contrastá-la com o ensinamento do Judaísmo nessas matérias, para descobrir um vasto e irreconciliável abismo que é, hoje em dia, obstruído e falsificado em um frenético esforço para aplacar o poder Judaico.

Agostinho, no Tractatus adversus Judeos declarou o Judaísmo rabínico como a falsificação do verdadeiro Israel. Agostinho declarou que Judaísmo era “Israel segundo a carne”, Israel carnal.

Para cristãos, a essência do ser humano é a alma, para os Judeus é o corpo. Conseguintemente, a adoração de sua própria raça como tipo de deus.

A virgindade é altamente problemática no Judaísmo onde a poluição é definida como falha em se engajar no ato sexual. “Quem não copula é como se tivesse derramado sangue” (Yebamot 63b. Shullan Arukh”). Os rabinos proíbem a virgindade.

Nesse assunto de sexualidade, em particular, é impossível falar de uma tradição “Judaico-cristã”.

Que Cristo e Seu Evangelho são traídos por aqueles que declaram uma alegada tradição “Judaico-cristã”, é de nenhuma discernível preocupação de ministros, papas e eruditos assim engajados. Eles são Judeus fariseus em tudo, menos no nome, engajados na moderna deturpação apologética padrão do Judaísmo, fora o medo dos Judeus e uma necessidade de insinuar-se ao “deus desse mundo”.

Não há fundamental oposição entre espírito e matéria no Judaísmo. Quando Jesus declarou em João 6 que “a carne não aproveitava nada”, ele estava violando a tradição oral dos Fariseus:

Antropologia rabínica difere nesse respeito da antropologia cristã. Não há uma fundamental oposição metafísica entre corpo e alma.” [1]

Judaísmo celebra o corpo a um perímetro sórdido que há até mesmo uma oração de defecação que todo Judeu macho é mandado recitar toda vez que ele se alivia: “Bendito seja tu, Senhor... que fez o humano em seus orifícios e buracos.”

Tudo a respeito do Judaísmo é tanto uma distorção quanto uma falsificação do Antigo Testamento porque o Judaísmo é baseado em uma tradição humana que esvazia o Antigo Testamento por meio de uma série de dispensas e escapatórias.

Isso começa com o Mishnah, que representa o compromisso de escrever as lendas ocultas e doutrina daqueles israelitas que preservaram “conhecimento secreto” que apareceu com a adoração do bezerro de ouro, de Moloch e abominações similares.

Com a rejeição de seu Messias, o comprometimento da anteriormente tradição oral para a escrita, esses israelitas abandonaram-se completamente a uma perversão que havia se tornado somente um persistente fluxo subterrâneo poluindo Israel, mas, depois da crucifixão de Cristo, emergiu como a principal ideologia daqueles que se recusaram a aceitar Jesus como seu salvador.

Posteriormente, rabinos talmúdicos qualificaram esse cânone primário de Judaísmo escrito como Mishnah (literalmente “repetição”). O termo significa “tradição oral aprendida pela repetição constante”. A conotação é derivada da denotação hebraica, a raiz sh-n-y, significando “repetir”.

A tradição babilônica judaica no tratado do Talmud Berakot 5A e Shabbat 31A ensina que o Mishnah e o resto do Talmud (Gemara) foram dados por Deus a Moisés no Monte Sinai, junto com os Dez Mandamentos.

O Mishnah foi completado no final do Segundo Século D.C., mais de 100 anos depois da destruição do segundo Templo pelos Romanos em 70 D.C.

A maioria das leis da religião do Judaísmo não tem qualquer justificativa bíblica; elas contradizem e anulam a palavra de Deus.

Onde a suficiência da Escritura é negada, as falácias e imaginações do homem vêm à tona. O Talmud é uma das maiores coleções de tais ilusões e erros humanos; às vezes intrigantes e coloridos, titilando os sentidos com a fantasmagoria do Aggadah, mas mais freqüentemente sórdido, blasfemo e estúpido, a despeito do prestígio intelectual de acordo com seus autores rabínicos.

Por exemplo, enquanto pode ser primorosamente dito que o Judaísmo ortodoxo consiste em viver uma vida para esse mundo através do corpo, os meios pelos quais essa vida é implementada são psicóticos.

Designando a religião do Antigo Testamento como “Judaísmo”, uma inevitável e inexorável conexão é estabelecida entre a religião daqueles que rejeitaram Jesus como Messias e a religião do Antigo Testamento de Seu Pai, Javé.

Relacionar a antiga religião israelita ao termo “Judaísmo” é um grave erro léxico e hermenêutico.

É dar ao credo das inteiras Doze Tribos de Israel e seu Pacto com Elohim o título de uma perversa tradição humana que floresceu entre um segmento da prole do quarto filho do patriarca Jacó (a tribo de Judá).

A palavra “judeu” é uma forma corrompida da palavra Judá. É uma referência a duas das 12 tribos de Israel, Judá e Benjamin, e não aparece mesmo na Bíblia até II Reis 16,6 e novamente, em 25, 25 e II Crônicas 32, 18.

As marcas da “religião judaica” de acordo com Paulo são duplicados: perseguição da Igreja de Deus (I Ts 2, 14-16), e fidelidade às “tradições” dos homens.

Os Fariseus perguntaram a Jesus por qual motivo Seus seguidores desobedeciam o Talmud (à época conhecido como a “tradição dos antigos” e ainda não em forma escrita), recusando-se a engajar-se no ritual de lavar as mãos: “Por que transgridem teus discípulos a tradição dos antigos? Nem mesmo lavam as mãos antes de comer.”

“Mas Jesus lhes disse, “E vós, por que violais os preceitos de Deus, por causa de vossa tradição?” (Mateus 15, 2-3)

Como pode ser dito que o “Judaísmo” é a origem do Cristianismo, se, de acordo com Paulo, é uma religião de tradições humanas e, de acordo com Cristo, as tradições humanas do Judaísmo tornavam a Lei de Javé “sem feito”? (Mateus 15, 9)

Como pode ser dito que o “Judaísmo” é a origem do Cristianismo, se no Antigo Testamento não havia “Judaísmo”? Procura-se em vão pelo termo, ainda que cristãos modernistas hoje usem-no quase exclusivamente para descrever a religião do Antigo Testamento, de Javé e Seu povo.

Depois que alguns Judeus rejeitaram seu Messias, eles formalizaram a tradição dos antigos condenada por Cristo como a plena anulação da Lei de Deus, e essa nova religião é exatamente e propriamente chamada de “Judaísmo”.

Esse novo sistema, tratado primeiramente como simplesmente provisório por causa da esperança sobrevivente de restaurar a nação Judaica, tinha logo que ser aceito como definitivo... Por isso foi que o Judaísmo rabínico ou Judaísmo talmúdico afirmou completamente sua autoridade... o ‘ensinamento oral’ (Mishna) completado pelo Rabbi Juda I, comprometeu-se a finalmente escrever na forma dos Talmudes de Jerusalém e Babilônica e os expôs por gerações de professores nas escolas da Palestina e Babilônia, guardado indiscutível fora das mentes e consciências dos Judeus.

Em verdade, essa longa aceitação do Talmud pela raça Judaica, diante de seu centro, deslocada do Oriente ao Ocidente, assim enfatizava sua... Lei (Mishnah) sob os corações dos Judeus até o presente dia permaneciam essencialmente talmúdicos, tanto em teoria quanto na prática... Judaísmo ortodoxo... admite distintamente a força obrigatória absoluta da Lei oral
...” [2]

O Judaísmo tem como seu deus não Javé, mas o povo Judeu, cuja auto-adoração está no coração do Talmud.

Ele tem como sua lei não o Tanakh (livros do Antigo Testamento), mas o Talmud.

Jesus proclamou que o estágio inicial do Talmud, o Mishnah, que existia em sua forma oral no tempo de Cristo – era a tradição dos antigos que anula a palavra de Deus.

Em Marcos 7, 1-13, tal como em Mateus 15, 1-9, há direta e incontroversa refutação no Evangelho da falsificação inerente da Lei Oral e suas tradições, que os fariseus e seus herdeiros mentirosamente alegavam que era um ensinamento secreto de Moisés.

Essa suposta transmissão da “Torah Oral”, a tradição dos antigos, desde Moisés a Josué, aos profetas, foi desafiada por Jesus Cristo que a designava não Torah, mas os mandamentos dos homens, que anulavam a palavra e doutrina de Deus, tornando o conto da própria transmissão uma fraude.

O clamor espúrio de uma tradição oral dos antigos legada por Deus a Moisés, é anti-Bíblico e foi denunciado pelo próprio Jesus Cristo. No brilho divino de Jesus, sob o qual a esperteza e perspicácia dos fariseus foi sempre voltada contra si, Jesus muito simples e diretamente iluminava o fato que se a tradição dos fariseus tivesse vindo de Moisés, então os fariseus teriam se tornado Cristãos:

Pois se crêsseis em Moisés, certamente creríeis em mim, porque ele escreveu a meu respeito. Mas, se não acreditais nos seus escritos, como acreditareis nas minhas palavras?” (Jo 5, 46-47)

Cristo simplesmente aniquilou, em um parágrafo, a base para a religião do Judaísmo e seu conceito de uma tradição legada por Moisés, pois se uma tal tradição existisse teria testemunhado de Jesus.

Em vez disso, Ele lhes conta diretamente que eles não acreditam em Moisés. Jesus esmagou o sistema enganador da doutrinação determinada sobre o mito farisaico de uma tradição oral, divinamente inspirada, dos antigos.

O historiador francês Daniel-Rops, em seu estudo embrionário de Cristo e a Igreja primitiva, escreve:

Desde a definição talmúdica de várias observâncias rituais nós podemos ver quão bem justificadas eram os sarcasmos de Jesus; por exemplo, era proibido comer no dia do Sabbath um ovo do qual a maior parte havia sido deixada por uma galinha, antes que uma segunda estrela estivesse visível no céu. No dia sagrado era tanto um crime quebrar uma pulga como matar um camelo, embora o Rabbi Abba Saul concedesse que se pudesse gentilmente espremer a pulga e o Rabbi Zamuel mais tolerantemente permitisse extirpar seus pés...

Nós podemos ver também, nesses textos rabínicos, seu imensurável desprezo pelas pessoas comuns, os camponeses, os am-ha-arez, que não gozavam do privilégio de conhecer a Lei. E nós podemos entender como o Evangelho se disseminava entre esses intocáveis, rendiam tal produto imediato e poderoso
.” [3]

A condenação farisaica da classe camponesa israelita pode ser encontra em João 7, 48-49: “Há, acaso, alguém dentre as autoridades ou fariseus que acreditou nele? Este poviléu que não conhece a lei é amaldiçoado!...

Camponeses israelitas eram “reconhecidos... como grosseiros afundados em impureza ritual”, e o líder fariseu Hillel via-os como sub-humanos: “um caipira sem consciência.” [4]

Fazer qualquer conexão entre uma religião que contradiz diretamente a própria solene, admonitória condenação das tradições humanas, e a religião do Deus de Israel, não é somente irracional e não-escritural, mas uma abominação.

Os Karaítas são uma pequena seita Judaica que tenta entender e seguir o Antigo Testamento sem o Talmud ou Jesus.

Apesar disso, os Karaítas são detestados e severamente perseguidos pelos aderentes do Judaísmo. Por quê?

Porque o Judaísmo é Talmudismo, não Antigo Testamento, e aqueles que honram os ensinamentos do Antigo Testamento fora do prisma do Talmud são seus inimigos hereditários.

Uma falsificação não pode ser dita ser herdeiro de um artigo genuíno. O Judaísmo, seja qualificado como antigo ou não, é totalmente estranho à única religião bíblica na terra hoje, o Cristianismo.

A religião do Deus de Israel é o Cristianismo. Não há qualquer origem na religião do Judaísmo que é a religião do Talmud.

O Judaísmo não é simplesmente uma perversão, até algum grau ou outro, da revelação original de Deus à nação hebraica. É a plena religião da anulação do Antigo Testamento; uma diabólica falsificação. Agora, que sociedade há entre as trevas e a luz? Nenhuma.

Essa é a falha fatal no moderno Cristianismo. Eles prestam alguma reverência, seja pequena ou grande, ao atroz engano de que há origem bíblica ao Judaísmo.

Os israelitas que apostataram para seguir a nova religião do Judaísmo e seus deuses estranhos – Talmud, Kabbalah e auto-adoração – não têm qualquer alegação sobre nós do que qualquer outro idólatra.

A predominância da idéia defeituosa que o Judaísmo seja a origem do Cristianismo é responsável por muito da paralisia e impotência da Igreja hoje.

O Prof. Israel Shahak da Universidade Hebraica de Jerusalém, e Prof. Norton Mezvinsky da Universidade do Estado de Connecticut escrevem:

A Bíblia de qualquer modo não é o livro que primariamente determina as práticas e as doutrinas dos Judeus ortodoxos. Os mais fundamentalistas Judeus ortodoxos são grandemente ignorantes das maiores partes da Bíblia e sabem algumas partes somente através de comentários que distorcem seu significado... O Judaísmo, como veio a ser conhecido, não existia durante o período bíblico.” [5]

Para o protestantismo moderno, anunciar que Abraão é o pai do Judaísmo e do Cristianismo é proclamá-lo pai dos fariseus, e sua tradição dos antigos, contradizendo o pleno coração do que Jesus proclamou aos fariseus no livro de João, capítulo 8.

De acordo com o Dicionário de Inglês de Oxford, o Cristianismo existiu por 1494 anos antes que esse termo “Judaísmo” fosse mesmo cunhado em inglês, ainda que Cristãos modernistas designam por esse nome a antiga religião israelita de Javé.

Realmente, o mau uso das palavras nessa era da mídia digital tem repercussões bem além do domínio acadêmico. Precisão é de crucial importância e a falha em selecionar a palavra ou termo exato para uma coisa pode enganar nações inteiras por gerações. A substituição do Judaísmo pelos israelitas é talvez um dos mais espetaculares exemplos desse processo maligno em ação.

Os nomes israelitas e Javé são representações diretas e historicamente precisas do povo, de suas crenças e divindade do credo do Antigo Testamento.

Na realidade, esses termos descritivos exatos eram em geral usados por escritores, estudiosos e teólogos Cristãos por séculos antes do surgimento do período moderno e a pressão comensurável sobre a Igreja para prestar respeito à falsificação de Israel – Israel carnal, para usar o termo Agostiniano – uma religião de cada vez maior rituais mortos e superstição oculta do primeiro século D.C. adiante.

Não o Livro do Gênesis, não o Pentateuco, mas o Mishnah é o “primeiro documento” do Judaísmo, colocando-se no “centro do sistema”. Como pode ser dito que o Judaísmo representa o ensinamento de Moisés, quando a Bíblia não é o centro do sistema? Foi o que Moisés ensinou?

Do Talmud, Shabbat 15c e Baba Metzia 33A, provêm três proposições do reverenciado Rabbi Shimon ben Yohai, um dos mais honrados de todos os “sábios” Judeus cujo suposto local do enterro no Estado de Israel é cenário de uma gigantesca peregrinação anual. Yohai escreveu:

A. “Aquele que se ocupa com as Escrituras não ganha mérito algum.”
B. “Aquele que se ocupa com Mishnah ganha mérito através do qual o povo recebe uma recompensa.”
C. “Aquele que se ocupa com o Talmud – não há fonte de mérito maior.”

O Judaísmo é a religião da tradição dos antigos e a anulação do Antigo Testamento, exatamente como Jesus Cristo declarou, ainda que suas corajosas palavras de verdade sejam tão politicamente incorretas em nossa corrente era Judaica, que, “por medo dos Judeus”, toda mudança de opinião deva ser voltada para aqueles que alegam ser Seus seguidores hoje, no intuito de apagar as próprias palavras de Cristo de advertência, e conformar-se, ao contrário, ao dogma de ferro que os aderentes do Judaísmo são o “Povo do Livro”.

Realmente, eles são, mas esse livro não é o Antigo Testamento, mas o Talmud Babilônico.

O deus do Judaísmo é o próprio povo judeu como personificado em seus rabinos. O Judaísmo é a adoração do sangue Judaico na pessoa do rabino. A própria “raça” Judaica é feita deus pelos seus meios.

Uma manifestação de sua superstição é encontrada na própria auto-adoração do Judaísmo. No Judaísmo, o rabino é a Torah encarnada. Ele realiza seu status divino através da memorização e vã repetição do Talmud e das interpretações talmúdicas do Tanakh (Antigo Testamento), de uma maneira similar às religiões orientais importadas atadas aos encantamentos mantricos.

O mantra do Talmud é acreditado dar ao rabino poder sobrenatural e sua superioridade e divindade intrínseca é tornada manifesta pelos seus meios. Ele próprio agora se torna um objeto de adoração, como o pergaminho da Torah, porque tendo atingido sua plena manifestação como a Torah encarnada, ele próprio se torna a principal fonte da salvação Judaica.

Católicos tradicionais vêem nos pronunciamentos e ações simbólicas dos papas, desde João XXIII e, particularmente, no pontificado de João Paulo II, uma radical ruptura de aproximadamente 2000 anos de ensinamento e prática Cristãos.

Em março de 2000, João Paulo II virou-casaca de forma escancarada, rendendo tributo em Jerusalém aos herdeiros religiosos dos fariseus, que ordenaram a execução de Jesus. O papa desculpou-se com eles pelas “mostras de anti-semitismo dirigidas contra os Judeus por Cristãos em qualquer tempo e qualquer lugar”.

O Cristianismo foi, por uma larga extensão, capturado pela religião do Judaísmo e se tornou um fóssil mais propriamente distinguido como “Judaico-cristianismo”. É interessante comparar a situação em nossas igrejas com uma passagem do Talmud:

Houve um certo gentio que veio diante do Rabbi Shamai. O gentio lhe disse: “Quantas Torahs você têm?

O rabino respondeu: ‘Duas, uma escrita e uma memorizada’.

O gentio lhe disse então: ‘Relativamente à escrita, eu acredito em você. Quanto à memorizada, eu não acredito. Converta-me sob a condição que você me ensinará somente a Torah que está em escrita.’

O rabino repreendeu o gentio e o expulsou
.”

O gentio na citação precedente do Talmud confiava somente na Bíblia e foi expulso pelo rabino porque ele recusou o ensinamento que era baseado nas tradições orais dos antigos.

Notas:

[1] Alon Goshen-Gottstein, The Body as Image of God in Rabbinic Literature, [Berkeley, Calif:1991]

[2] The Catholic Encyclopedia (New York: Robert Appleton Co., 1912), vol. 8, p. 402.

[3] Daniel Rops, Jesus and His Temps, traduzido do Francês por Ruby Millar [Garden City, NY: Image Books, 1958], pp. 67-68

[4] Ibid., p. 157

[5] Israel Shahak e Norton Mezvinsky, Jewish Fundamentalism in Israel [op. cit.], p. 2