quinta-feira, 25 de abril de 2013

Tacada brilhante da Rússia


Enquanto assiste de camarote o mundo ocidental sendo arruinado pelas perniciosas ideologias massificantes (tendo por base a distinção entre povo e massa do Magistério) disseminadas pelas ONGs com suas agendas laicistas, amorais e apátridas, a Rússia se resguarda do daninho poderio dessas entidades. Sempre às voltas com a subversão das ONGs, o Brasil deveria imitar a potência dos Urais na criação de entraves e embaraços a essas instituições:

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Liberalices Aquosas

Peter Brabeck-Letmathe, atual presidente do conglomerado Nestlé: ele quer privatizar a água

O acesso seguro, confiável e constante à água potável é de importância fundamental não só para a sobrevivência e desenvolvimento das coletividades humanas em si, mas para cada único indivíduo em particular. Assim sendo, o acesso estável à água potável é dessemelhante ao acesso direto à terra, o qual pode estar restrito à maioria sem que isso implique em escassez socialmente generalizada de gêneros alimentícios, como o provam as safras sempre crescentes e a produtividade ascendente dos rebanhos animais, para não mencionar a vertiginosa redução das doenças relacionadas à desnutrição e à subnutrição. Dito isso, é preciso que haja da parte das autoridades e das classes dirigentes uma sincera preocupação, calcada no respeito ao Princípio da Subsidiariedade, em diligentemente massificar o acesso a esse bem precioso entre aqueles que não contam com ele. Afinal, dar de beber a quem tem sede é uma das obras de misericórdia corporal propugnadas pela Santa Igreja.


O liberal, dogmatizador por excelência da oscilação dos juízos morais humanos em detrimento da estabilidade das certezas éticas perenes que a Igreja comunica aos homens da parte do Espírito Santo de Deus, e ávido da prosperidade a qual ele reputa ser a raison de vivre da ordem civil, ignora toda a lei que não seja a lei positiva no que respeita ao acesso à água, e espera condicionar tal legislação aos ditames da lei da oferta e da procura, de modo que a água potável seja comercializada na mesma base vigente para recursos como a paçoca e a bolinha de gude. Um emblema dessa mentalidade uniforme e invariavelmente financista típica dos liberais contemporâneos é o sr. Peter Brabeck-Letmathe, atual presidente do conglomerado Nestlé. Para conter uma possível futura crise planetária de desabastecimento hídrico, o CEO propõe que seja estabelecida uma cota diária de gratuidade da água para cada pessoa do mundo (cerca de 30l), teto cujo rompimento implicaria em cobranças adicionais que não apenas daquelas taxas necessárias para o transporte e tratamento da água: todo consumo diário superior ao patamar dos 30l seria precificado em si mesmo, à parte dos encargos habituais de armazenamento e acessibilidade. Em suma, a privatização mundial dos recursos hídricos.

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O absurdo da privatização dos recursos hídricos é mais patente se levarmos em conta que dia a dia surgem tecnologias poupadoras de água, além da melhoria e do barateamento dos processos de dessalinização da água marítima. Fora isso, a descoberta de novos mananciais parcamente explorados no mundo todo elevam absurdamente as estimativas da disponibilidade de água.


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A água só pode ser privatizada caso ela seja antes propriedade estatal. Assim sendo, é de se supor que esteja em curso alguma iniciativa que torne os recursos hídricos posse dos Estados, os quais depois poderiam vendê-la para os apaniguados de sempre, os metacapitalistas, entre os quais decerto inclusos estão os alto executivos da Nestlé entusiastas das mudanças drásticas no status quo referente à utilização da água.

terça-feira, 23 de abril de 2013

DIDAQUÉ - Catecismo dos Primeiros Cristãos (Download)

O Partido Progressista brasileiro: Notas





O Partido Progressista (PP), conhecido por seu entranhado caráter fisiológico e adesista, alega querer tornar-se a máxima expressão do inexistente espectro partidário conservador do Brasil. Prova maior da falta de seriedade da intento é a declarada predisposição a um apoio a uma eventual candidatura reeleitoral de Dilma Rousseff (PT) em 2014, socialista assumidadefensora da agenda social e cultural marxistaaliada fidelíssima das pretensões totalitárias dos governos amigos do Foro de São Paulo.

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É certo que há uns poucos gatos pingados no Partido Progressista (PP) que fogem do fisiologismo e do adesismo banais na agremiação, e que longe estão de qualquer compromisso (ao menos, consciente e voluntário) com as engenharias sociais apátridas e anticristãs enfiadas no cavalo de Tróia cujo madeirame é feito da corruptora prosperidade inflacionária movida a paternalismo dirigista e perdularismo assistencialista que caracterizam a quase totalidade da gestão dos partidos que governaram o Brasil desde o fim do Regime Militar, em especial o PT. Dentre os esparsos nomes que conseguiram fugir à mediocridade geral pepista, são particularmente dignos de menção Roberto Campos (1917-2001), Jarbas PassarinhoSandra Cavalcanti e Paulo Maluf (a despeito da condenável probidade, e antes da capitulação ante o PT). Na atualidade, destacam-se a família BolsonaroWilson Leite Passos e Percival Puggina.

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Caso tenha êxito em tornar-se um expressivo partido conservador, o PP será possivelmente o primeiro partido do mundo a intitular-se progressista enquanto sustenta o conservadorismo. Coisas do Brasil.

O princípio de Subsidiariedade e o Magistério da Igreja



(Do blog Sou conservador sim, e daí?)

A estrutura fundiária do Medievo como expressão do funcionamento de uma honesta e harmônica complementaridade
 dos diversos graus hierárquicos sociais, políticos e eclesiásticos: subsidiariedade em prática


O princípio de subsidiariedade está associado ao princípio de autonomia. Este último consiste no direito que tem a pessoa de prover às suas próprias necessidades materiais, culturais e espirituais sem interferência de autoridades maiores.


CONCEITO BÁSICO

O princípio de subsidiariedade (do latim subsidium – auxílio, assistência) tem dois aspectos:

a) a necessidade de a autoridade respeitar a autonomia de uma pessoa;

b) obrigação da autoridade de auxiliar a pessoa naquelas áreas onde os seus esforços são insuficientes.

Prof. Plínio Corrêa de Oliveira explica:

“A intervenção do poder público nos vários setores da vida nacional deve fazer-se de maneira que, o mais breve possível, cada setor possa viver com a necessária autonomia. Assim, cada família deve poder fazer tudo aquilo de que por sua natureza é capaz, sendo apoiada apenas subsidiariamente por grupos sociais superiores naquilo que ultrapasse o seu âmbito. Esses grupos, por sua vez, só devem receber o apoio do município no que excede à normal capacidade deles, e assim por diante nas relações entre o município e a região, ou entre esta e o país”. (Cfr. Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução – Parte I, Cap. III, F.)

ENSINAMENTO DA IGREJA

Em 1931, o Papa Pio XI referiu-se explicitamente ao princípio de subsidiariedade na encíclica Quadragesimo Anno. Contudo, deve-se notar que, sendo um princípio da ordem natural, a subsidiariedade estava certamente implícita nos escritos sociais de Leão XIII (Cfr. Pe. R.E. Mulcahy, s.v., Subsidiarity, in New Catholic Encyclopedia – McGraw Hill, New York, 1967, Vol. 13, p. 762). Eis a formulação que Pio XI dá desse princípio, na sua encíclica:

“Aquele importante princípio, que não pode ser desprezado ou mudado, permanece fixo e inabalável na filosofia social: Como não se pode subtrair do indivíduo e transferir para a sociedade aquilo que ele é capaz de produzir por iniciativa própria e com suas forças, assim seria injusto passar para a comunidade maior e superior o que grupos menores e inferiores são capazes de empreender e realizar. Isso é nocivo e perturbador também para toda a ordem social. Qualquer atuação social é subsidiária, de acordo com a sua natureza e seu conceito. Cabe-lhe dar apoio aos membros do corpo social, sem os destruir ou exaurir. [...] Quanto mais fiel for o respeito dos diversos graus sociais através da observância do princípio de subsidiariedade, tanto mais firmes se tornam a autoridade social e o dinamismo social e tanto melhor e mais feliz será o Estado”(Cfr. Pio XI, Quadragesimo Anno, 15 de maio de 1931, n° 79).

João Paulo II também desenvolve o princípio de subsidiariedade, dizendo:

“Uma comunidade de ordem mais elevada não deve interferir na vida interna de uma comunidade de ordem inferior, privando-a de suas funções, porém deve sustentá-la em caso de necessidade e ajudar a coordenar sua atividade com as atividades dos demais membros da sociedade, sempre com vistas ao bem comum” (Cfr. João Paulo II, encíclica Centesimus Annus, 15 de maio de 1991, n° 48 – www.ewtn/library/encyc/jp2hundr.htm. Cf. Catecismo da Igreja Católica, n° 1883).

No seu livro Doutrina Social Cristã, o Cardeal Joseph Höffner expõe quando, de acordo com o princípio de subsidiariedade, a intervenção da sociedade mais elevada é necessária:

“Mas subsidiariedade significa também ‘ajuda de cima para baixo’, coisa que, às vezes, tendenciosamente se tenta ignorar. Essa ajuda do organismo social maior pode ser oferecida por duas razões: ou porque indivíduos e grupos menores fracassaram nas tarefas que lhes cabem, com ou sem culpa; ou por se tratar de tarefas que só uma organização social maior teria condições de dominar” (Cfr. Cardeal Joseph Hoeffner, Doutrina Social Cristã, Edições Loyla, São Paulo, 1986, p. 36).

Na Encíclica Quadragesimo Anno, Pio XI combateu a tendência totalitária e centralizadora dos tempos modernos, especialmente o socialismo e a tecno-burocracia, que sufoca o indivíduo e comunidades menores numa maré montante de leis, regulamentos e planejamento federal ou estadual.

António Sardinha e o Carlismo




É imperativo saber, depois de tudo isto, o que leva o Carlismo a manter-se com importância ao longo de quase dois séculos, quando tantas formas políticas da sua época já não são sequer lembradas. Na perspectiva do nosso António Sardinha, isto é ainda mais claro.


Primeiro, porque o Carlismo é uma forma de pensamento Cristão e Católico onde não sucedeu o retrocesso do político face à Justiça. Ao contrário de algumas formas de Catolicismo que vão progredindo através de sucessivas concessões ao seu tempo, o Carlismo não apresenta o elemento político como estanque ou imune à sociedade, mas também não aceita o princípio moderno (ou modernista) de que o governo é mera emanação da vontade da sociedade. No Carlismo communio é o elemento político por excelência, porque só dessa forma é possível manter o núcleo da Justiça intocada perante aquelas maiorias e minorias que a querem tomar como arma para o seu plano privado de poder. Num momento em que o Poder se encontra à solta e em que ninguém questiona os limites do poder democrático e da vontade humana, esta é uma lição fundamental, que mesmo poucos católicos parecem compreender.


Em segundo lugar, porque o Carlismo, e sua forte tendência Hispanista, é uma reflexão sobre a identidade dos povos que permite compreender o “político” através de uma dimensão narrativa. O Carlismo possui uma vertente dinâmica que compreende as comunidades num seguimento narrativo que é o oposto da doutrina constitucional actual. Esta última, ao tomar o momento constitutivo da comunidade política como acto da vontade ex-nihilo, procede a um conjunto de cortes com a Realidade. Na sua demência, o constitucionalismo actual opera mediante um conjunto de reflexões sobre os seus próprios actos e percepções, em vez de se pensar a justiça da norma, é pensada a vontade do legislador, o que conduz a que a comunidade política se encontre vinculada pela vontade de outros e não pelo valor intrínseco da lei. As portas abertas por esta forma de pensar a todo o tipo de injustiças, são por demais evidentes. O Carlismo, porém, opera num contexto de continuidade histórica, em que a comunidade se compreende e referencia face a elementos históricos e transcendentes (Portugal às Espanhas, as Espanhas a Roma, Roma a Atenas e Jerusalém). Pode-se assim falar de um pensamento que é revolucionário, no sentido em que esta palavra significa a adequação da matéria ao “real” – verdadeira essência das coisas –, mas que sabe que a identidade só pode ser um continuum de gerações, em que, como viram Burke e Chesterton, os vivos não têm o direito de destruir a obra dos que não estão (os nossos maiores e os nossos descendentes).


O Carlismo tem também uma palavra para o nosso tempo, porque hoje vivemos na Ibéria. Portugal é Ibéria, a Espanha é Ibéria, o Benelux (nome que bem poderia ser uma marca de sabonete de baixo custo e nada representa senão a ânsia funcionalista do nosso tempo) é Ibéria. A Ibéria é o país inventado, sem referências e tradições, sem povo, onde se vive uma pequena parcela de cosmopolitismo e onde toda a comunidade (e Justiça) é afastada do léxico e da esfera pública. Vivemos numa Europa Unida em que todas as perspectivas são válidas, excepto a perspectiva que não se ajoelha perante o altar da subjectividade, em que todos têm direito à tolerância, excepto os que se consideram portadores de Verdade. Vivemos numa gigantesca consumer-nation em que os políticos são eleitos e reeleitos pelos seus feitos económicos e de gestão. Temos energia, água canalizada, segurança-social! Não temos um pingo de justiça e achamos que uma mulher pode decidir se o seu filho vive ou morre, consoante o seu apetite diário. Achamos desnecessária a reflexão sobre “o que é a vida humana” e tomamos como válida a resposta de cada um, por mais irreflectida, ilógica ou inválida que sejaTemos documentos constitucionais por todo o continente que fazem dos povos da Europa nações confessionais (Alemanha, Polónia, Irlanda, Grécia, Malta, Dinamarca, p.ex.) e, no entanto, vemos descrita a Europa como cristalizadora dos princípios de separação do Estado e da Igreja, de laicismo e de secularidade total e todas as referências ao Cristianismo serem apagadas do diálogo público (substituídas pela linguagem dos Direitos Humanos, dos interesses do consumidor ...). A futura constitucionalização, que inclui um fundamento laico a essas da Europa não deve ser vista como um coup d’état?
Por fim, o Carlismo tem sentido no mundo de hoje, porque tem capacidade de repetir a influência que teve em António Sardinha. Precisamos de mudar esse Catolicismo difuso e procedimental misturado de um conservadorismo ideológico, como o primeiro de António Sardinha, a um pensamento que assume Cristo como facto essencial e critério supremo de justiça da alma e da cidade.


Se assim fôr, a mensagem civilizadora das Espanhas não se deu por terminada.

Jorge Azevedo Correia e Juan Matías Santos Azevedo Correia J e Santos JM. António Sardinha, o Carlismo e o regresso à Madre-Hispânia. Ayuso M (ed). A los 175 años del Carlismo: Una revisión de la Tradición política hispánica. Itinerarios/Fundación Elías de Tejada. Madrid, 2011. 157-174 (173-174).

Brasileiro inicia debate sobre zoofilia nos EUA


Fonte: G1, AcheiUsa

Inversão de valores é nada para qualificar os requintes que toma a perversão


(Do blog UFSCon - Juventude Conservadora da UFSC

O caso de Carlos Romero, 31 anos, noticiado em 2012 a propósito de manter relações sexuais com uma jumenta chamada Doodle, voltou a aparecer na mídia em 2013.

Ocorre que o zoófilo decidiu agora apelar para a inconstitucionalidade da proibição da zoofilia. Por algum motivo ainda não compreendido, o G1 não mencionou mais o fato de o zoófilo ser brasileiro.


Segundo o jornal “Ocala-Star Banner”, o advogado de Romero destacou que a legislação humilha o indivíduo, tornando sua conduta sexual privada um crime.


Romero havia sido preso em setembro ao ser flagrado em um celeiro com as calças arriadas ao lado da jumenta. Na época, ele foi detido acusado de crueldade contra os animais.


Durante o interrogatório na prisão, ele afirmou que faz sexo com cavalos desde os 18 anos, e que prefere os equinos devido a sua “forma feminina, comportamento e força bruta”.

Este tipo de referência ao assunto na mídia acaba gerando uma ampliação do debate que, tal como a pedofilia, vai em breve contar com apoiadores no mundo todo.


No resto do mundo


A zoofilia vem crescendo em prestígio internacional. Este ano, a decisão de proibir a prática na Alemanha já causou protestos.

Veja matéria abaixo:

A Alemanha aprovou nesta segunda-feira (4), uma curiosa lei que proíbe zoofilia no país, após polêmicas a respeito do tema ao longo do ano passado. Entretanto, apesar da multa, estimada em quase 25 mil euros, diversas pessoas protestaram em frente à Câmara de Berlim contra a decisão.

Representante do grupo zoófilo Zeta (Engajamento Zoófilo para a Tolerância e a Informação, na sigla em alemão), Michael Kiok afirmou que pretende recorrer à Justiça para anular a decisão.

Bibliotecário de Munique, Kiok mantém relações sexuais com Cissy, sua cachorra da raça pastor alemão, há pelo menos sete anos. “Nos sentimos como criminosos. Isto é tudo por causa dos fanáticos defensores dos direitos animais que pensam que nós magoamos os nossos companheiros”, disse, de acordo com o jornal “El País”.

Após um levantamento, o governo alemão afirma que cerca de 500 mil animais são mortos por ano, pouco depois de passarem por abusos sexuais. Os manifestantes de Berlim apresentavam cartazes com dizeres “amamos os animais”, “condenamos qualquer tipo de violência que possa causar sofrimento e nos machuca a alma ver animais sofrerem”.
Kiok, que já foi casado e diz ter percebido seu desejo por animais aos 15 anos, deixou claro que deverá recorrer à Suprema Corte da Alemanha para reverter a decisão. De acordo com o membro do Zeta, cerca de 100 mil alemães praticam zoofilia pelo país. “É mais fácil compreender os animais do que uma mulher, por exemplo”, encerrou o bibliotecário.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O Liberalismo é Maçônico



(Do blog Reconquista)

Jean Madiran




Os dois significados da palavra"liberal"


 Liberal, da palavra latina liberalis, se diz daquele que é generoso (capaz de "liberalidades") e, de forma geral, de tudo o que é digno de uma pessoa de condição livre, em oposição a condição de escravo. Liberales artes ou doctrinae, as "artes liberais", é a erudição. Este primeiro significado sobrevive mais ou menos na expressão: as "profissões liberais" (advogado, médico, arquiteto, escritor, etc.), quer dizer, as que se exercem mais livremente que as profissões assalariadas. A liberalidade consiste, então, em ter a disposição a dar generosamente, ou então, o dom mesmo feito com generosidade. Ser liberal, no sentido que empregam esta palavra Bossuet, Moliere e La Fontaine, é o contrário de ser mesquinho ou avaro. Este primeiro significado não faz nenhuma referência a uma doutrina política ou moral particular.

O segundo significado é ideológico. O liberal é então um partidário do liberalismo, doutrina que pode ser econômica, moral, política, religiosa, que faz da liberdade o princípio diretor (supremo ou inclusive único) da vida individual ou coletiva.

Ideologia por sua vez filosófica e religiosa, política e moral, econômica e social, o liberalismo encontra resumida sua expressão mais definitiva no hino que uma hierarquia maçônica fazia cantar em 1984 as organizações católicas no momento das manifestações pela liberdade escolar: "Liberdade, creio que tu és a única verdade."


O primeiro erro do liberalismo

Fazendo da liberdade o princípio supremo ou único da organização política e social, o liberalismo comete o error de não reconhecer seu justo lugar a outros princípios, iguais ou superiores: entre outros o princípio nacional, enaltecido pelo nacionalismo, já que eleva o bem comum nacional acima dos interesses particulares.


O segundo erro do liberalismo

Ademais, a liberdade da qual o liberalismo faz seu princípio supremo não é qualquer liberdade abstrata ou concreta. É uma certa liberdade: a entendida em seu sentido muito determinado, aquele da "declaração dos direitos do homem" de 1789.


Os direitos do homem

Os próceres do liberalismo reconhecem unanimemente que "os direitos do homem são o problema fundamental do mundo de hoje". Eles deixam 1793 para a "esquerda marxista" e reclamam a de 1789 como se fosse "a propriedade dos liberais" e sua "herança".
Não digo que aprove que os liberais invoquem continuamente os "direitos do homem" em geral, mais do que falar a uns e a outros de seus deveres recíprocos, mas posso compreende-lo de parte dos parlamentares que imaginam dirigir-se a seus futuros eleitores.
Sem embargo, existem outras "declarações de direitos" além daquela de 1789. Existe a "declaração universal dos direitos do homem" feita pela ONU em 1948. Por sua origem e por seu destino é muito mais "universal" precisamente e, em certa maneira, mais oficial que a de 1789. Por outra parte e algo diferente, mencionamos os direitos da família, que com freqüência os católicos invocam quando desejam mostrar que também eles podem falar dos "direitos do homem", destacando, na necessidade, que é menos criticável. E primeiramente estava a declaração americana de 1776, que em vários de seus artículos não era muito melhor que a francesa de 1789, mas tinha ao menos sobre ela a vantagem de invocar a Deus e de fundar os direitos do homem mais sobre a vontade divina do que sobre o arbítrio humano.

Teoricamente existe uma certa margem de escolha. Entre estas diversas declarações de direitos os liberais tem o costume de apoiar-se na que é mais discutível, em todo caso certamente, na mais maçônica: a de 1789.



O plano maçônico

A "declaração dos direitos do homem" e "do cidadão" de 26 de agosto de 1789 figura no preâmbulo da primeira constituição francesa, que foi a de 3 de setembro de 1791.
A Constituição de 1791 não é, em resumo, nada mais que a primeira Constituição política da França. Outra constituição a precedeu, conseqüência ainda mais direta, mais próxima, da declaração dos direitos de 1789, foi uma constituição religiosa: a "constituição civil do clero" de 12 de julho de 1790.

Pois, se declaração maçônica dos direitos de 1789 era dirigida contra o "Antigo Regime" em geral, estava mais direcionada contra o Antigo Regime religioso do que contra o Antigo Regime político; mais contra a Igreja que contra a monarquia, e é por isso que a constituição política de 1791 define então a França como um "reino", declara que o "governo é monárquico" e que é exercido "pelo rei"; e que o "trono se delega hereditariamente a linhagem reinante de varão a varão, por ordem de primogenitura". No entanto, mais de um ano antes, a constituição religiosa de 1790 havia juridicamente desintegrado a Igreja católica da França.

Este plano maçônico contra a Igreja foi de tal maneira prioritário que foi posto em prática pela Assembléia constituinte desde 20 de agosto de 1789, quer dizer, antes mesmo que fosse terminada a declaração dos direitos do homem. Era a primeira prioridade. Assim, a cronologia mostra que já o "liberalismo" de 1789, do qual fazem referência nossos liberais, era essencialmente anti católico.

A declaração dos direitos de 1789 continha sem dúvida a condenação de um certo número de abusos efetivamente condenáveis e unanimemente reprovados. Mas continha também a formação doutrinal do plano anti católico da franco maçonaria, por uma nova definição do que deve ser a liberdade e do que é necessário rechaçar como arbitrário; em seguida toda autoridade que não proceda expressamente da vontade geral manifestada pelo sufrágio universal deve ser considerada como uma autoridade arbitrária, sendo um intolerável ataque a liberdade. É o resultante dos artículos 3 e 6 e que, por outra parte, confirmaria a declaração universal da ONU de 1948.

Proclamando que as únicas autoridades legítimas são aquelas que emanam expressamente da vontade geral, os redatores da declaração de 1789 podem não haver se dado conta de que aboliam assim a autoridade do homem sobre a mulher no matrimônio, a dos pais sobre os filhos sobre os filhos, a do mestre sobre os alunos e assim sucessivamente. A lógica do demônio seguirá seu curso anárquico no século XIX e sobretudo no século XX. Mas a franco maçonaria, inspiradora e promotora da declaração, sabia bem que assim colocaria fora da lei, como contrários aos direitos do homem, toda idéia de uma lei divina superior a consciência humana e toda autoridade espiritual da Igreja Católica. Em conseqüência, desde 1790 foi decretado que os bispos, daí em diante, seriam eleitos pelo colégio departamental dos eleitores ordinários, incluídos os eleitores não católicos ou incrédulos.

A declaração maçônica de 1789 estava, pois, dirigida contra a religião católica. Michelet teve toda razão ao designa-la como "o credo da nova idade": quer dizer, destinada a tomar o lugar de Eu creio em Deus. A liberdade de 1789 é a de "nem Deus, nem senhor". Adiante, a única moral, a única religião eventualmente admissível é aquela da qual cada consciência, em sua criatividade soberana, se forja uma idéia subjetiva, válida somente para ela mesma. A isto se da o nome também de "anti dogmatismo".


Um ideal característico

A pergunta que surge a propósito dos liberais não é a de sua dependência, de alguma maneira administrativa, a uma obediência maçônica. Não é que esta pergunta não tenha importância, mas, como sabe-lo? A dependência pode ser secreta e publicamente negada. É a diferença em relação a uma dependência religiosa. Um católico não está de nenhum modo obrigado por sua religião a manifestar que é membro do Touring Club da França ou da Associação Guillaume Budé, que aprova os amigos de Robert Brasillach, ou ao Socorro da França: mas jamais tem o direito, ainda que devesse dar sua vida, de dissimular que é católico. Ao contrário, parece que a ética maçônica reconhece o direito, eventualmente o dever dos franco maçom, de dissimular que o são. Por outra parte, existem pessoas que se tornam franco maçons para ter maior êxito em sua carreira financeira, administrativa ou política, sem comprometer suas convicções. Sem dúvida eles subestimam o fato de que a solidariedade maçônica possa leva-los muito mais longe do que pensam. Que tal ou qual liberal seja membro de uma loja e que o seja com esta ou aquela intenção não o sei e não tenho nenhum modo de sabe-lo com certeza. No entanto, os liberais são os predicadores e os apóstolos do liberalismo maçônico de 1789, cujo segundo centenário foi fervorosamente celebrado. Por seu ideal de referência e por sua doutrina assim invocada são franco maçons.


Uma reivindicação limitada

Será necessário esclarecer? Analisando a natureza maçônica do liberalismo francês não persigo de nenhuma maneira o plano inquisitorial, e que seria utópico na V República tal como esta constituída, de proibir aos franco maçons participar da vida pública. Meu plano é muito mais modesto; muito mais limitado; mas é "democraticamente" legítimo: é que pudéssemos ser representados, nós que não temos relação com a franco maçonaria, por pessoas que não sejam franco maçons de fato ou de coração. Os liberais não são forçosamente franco maçons de fato; são franco maçons de coração e por isso seu coração nos é exatamente revelado por seus discursos sobre a declaração dos direitos s de 1789. A medida que se aprende a conhecer um pouco melhor a essência dos partidos políticos, da representação parlamentar, da imprensa, se adverte que os franco maçons souberam perfeitamente estabelecer-se nas formações e nos jornais com vocação de servir-lhes. Mas também nos outros. Em todos os outros ou em quase todos.

Meu plano, a este respeito, modesto e limitado, sempre foi criar, favorecer, ampliar um espaço de liberdade social e política onde os franceses de tradição nacional e católica pudessem reconhecer-se, informar-se, instruir-se, sem serem acompanhados e influenciados por aqueles, conscientes ou não, mais ou menos afiliados secretamente a franco maçonaria ou intelectualmente anexados a seu ideal anti dogmático.

(*) Publicado na Revista "Roma" N 98, de março de 1987.



Jean Madiran é Jornalista e escritor, autor de obras políticas como (Maurras et comme Les deux démocraties), literárias como (Brasillach), filosóficas como (Gilson, « Chroniques philosophiques » et comme Le principe de totalité), e religiosas como (Le Concile en question).


De 1956 à 1996 : foi diretor-fundador da revista mensal Itinéraires.

Depois de 1982 : co-diretor-fundador do diário Présent.

O Anticristo



(Do blog Reconquista)
Pe. Leonardo Castellani

"... porque o Homem do Pecado tolerará e se aproveitará de um cristianismo adulterado...Imporá por todas as partes o reino da iniqüidade e da mentira, o governo puramente exterior e tirânico, a "Liberdade" desenfreada dos prazeres e diversões, a exploração do homem; e seu modo de proceder hipócrita e sem misericórdia. Haverá em seu Reino uma estrondosa alegria falsa e exterior, cobrindo o mais profundo desespero. Em seu tempo acontecerão os mais estranhos distúrbios cósmicos, como se os elementos se houvessem revoltado. A humanidade estará numa grande expectativa e reinará grande confusão e dissipação entre os homens. Rompidos os laços de família, de amizade, de lealdade e bom relacionamento, os homens não poderão confiar em ninguém, e correrá no mundo como um tremor frio, um universal e ímpio "salve-se quem puder". Será atropelado o que há de mais sagrado e nenhuma palavra terá mais fé, nem pacto algum terá vigor, senão pela força. A caridade heróica de alguns fiéis, transformada em amizade até a morte, manterá no mundo ilhotas de fé; porém mesmo ali, ela estará continuamente ameaçada pela traição e pela espionagem. Ser virtuoso será um castigo em si mesmo e como uma espécie de suicídio".

CASTELLANI, Leonardo, Los Papeles de Benjamin Benavides, Buenos Aires: 1953, Caderno 4, cap. 2.

A tensão Igreja-Sinagoga é a mola mestra da história da Redenção


Pe. Julio Meinvielle

"Após o advento do cristianismo, toda a dialética que agita o mundo cristão se move entre os pólos Igreja-Sinagoga.

Cristo vence a Sinagoga. E a era dos mártires dos primeiros séculos do cristianismo, quando a Sinagoga incita o mundo pagão  a  torturar os cristãos, não há de servir se não para regar a semente cristã , que, vigorosa, é brilhar com a Igreja do Padres e Doutores sobre a Sinagoga.

O esplendor medieval da Igreja há de reduzir a Sinagoga à vida dos guetos. Entretanto, na Idade Moderna  a Sinagoga há de se vingar do exílio a que lhe reduziu o mundo cristão, e a Cabala penetra na Cristandade até secularizá-la e ameaçá-la  com a secularização do próprio cristianismo.

Face a esse último fenômeno nos encontramos  agora. Com a tática de 'amizade' e 'diálogo judaico-cristão', a Sinagoga está obtendo  uma vitória sobre a Igreja. É claro que nas mãos de Deus, essa vitória pode ser  transmutada em um triunfo da Igreja.

A dialética Sinagoga-Igreja resolve-se finalmente em  um mistério mais central e luminoso, no mistério de Cristo. Cristo é o ponto chave da história.

A Sinagoga prepara em sua carne a Cristo. A Igreja o perpetua em espírito. Todavia, uma no sobrenaturalismo carnal e a outra no sobrenaturalismo espiritual, ambas completam na dialética interação entre as forças do bem e do mal todo o mistério da redenção cristã.
E o mistério da Redenção, ainda que tenha apenas  um fruto salvífico, não se cumpre a não ser pela intervenção das duas forças, as boas e as más."

Pe. Julio Meinvielle, Da Cabala ao Progressismo, página 361.