terça-feira, 30 de abril de 2013

A estiagem em curso no Nordeste brasileiro: Notas




A região Nordeste do Brasil se vê às voltas com o problema das secas novamente. Todos os esforços prometidos pelos poderes públicos para minorar as repercussões negativas do fenômeno natural, quando não contraproducentes ou inexequíveis, não passam de tardios paliativos para os desdobramentos mais críticos da seca: promessas de indenização pelas perdas, caminhões-pipa aqui e acolá para dessedentar os sertanejos e seus esquálidos rebanhos e coisas do tipo. Medidas contracíclicas para prevenir os males decorrentes da seca? Nada. Afinal de contas, manter os sertanejos reféns da insegurança econômica conseqüente às agruras da seca garante a longevidade da Síndrome de Estocolmo eleitoral movida a assistencialismo que possivelmente reconduzirá Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto no ano que vem.


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Nem todos se deixam iludir pelo jogo que os poderes públicos fazem com as mazelas da seca para perpetuação no poder das oligarquias de sempre: na cidade de Campina Grande, um criador de rebanhos protestou despejando as carcaças dos seus animais abatidos pelos rigores da seca diante do Banco do Nordeste.


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Ainda no que toca a Campina Grande, a cidade é notória no Brasil pela sua saudável rebeldia ante os desmandos dos poderes centrais. Em meio ao Nordeste subjugado pela dialética suborno/chantagem do assistencialismo do Partido dos Trabalhadores (PT), Campina Grande destaca-se pela altivez com que manifesta sua resistência ao projeto político dos petistas nas eleições presidenciais. No entanto, não é de agora que o município paraibano expressa sua tenacidade ante os desmandos governamentais. Ao leitor, sugere-se tomar ciência da Revolta do Quebra-Quilos.

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Ao contrário do que muitos pensam, clima semiárido não precisa ser sinônimo de miséria generalizada. No mundo inteiro há cidades prósperas erguidas em meio a climas secos, caso da virtual totalidade do território do Estado de Israel; de Salt Lake City, nos Estados Unidos; e das cidades brasileiras de Petrolina e Juazeiro, pólos de fruticultura exportadora. Desde que atentando zelosamente para os limites estipulados pela Sã Doutrina católica, a exploração econômica das zonas tórridas do Nordeste deve levar em conta as enormes potencialidades e os singulares desafios da natureza local, e não transplantar acriticamente o modelo de dinâmica econômica das regiões de clima ameno para o sertão. Uma boa maneira de se fazer isso passa certamente pela releitura (sob o prisma da Santa Fé) dos pretéritos casos de empreendedorismo local bem sucedido, como o de Delmiro Gouveia.

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A peleja do nordestino com a seca rendeu às artes brasileiras um amplo e vistoso patrimônio literário, musical e pictórico. Dentre todos os artistas que colheram inspirações nos dramas existenciais impostos ao sertanejo pelas severas inclemências das estiagens, Mundividência destaca Elomar Figueira Mello e Xangai.

Elomar Figueira Mello

Elomar, a quem Vinícius de Moraes chamou de Príncipe da Caatinga, é um inusitado compositor cujas criações mesclam o linguajar do homem simples e rústico do sertão com versos alexandrinos, adornando-os com arranjos melódicos que combinam a música popular tradicional do Nordeste, a música medieval ibérica, e a música renascentista. Xangai é o soul mate elomariano por excelência: seu timbre peculiar parece ter sido feito sob medida para interpretar o cancioneiro do trovador-repentista.

Feitas essas observações introdutórias, Mundividência compartilha três composições de Elomar que expressam o desalento do sertanejo com a seca, e também a relação deste com as aguardadas chuvas:

                                                                        CAMPO BRANCO



                                                    CURVAS DO RIO








Ao Braço do Mesmo Menino Jesus Quando Appareceo


Ao Braço do Mesmo Menino Jesus Quando Appareceo

(Gregório de Mattos Guerra)



                                               O todo sem a parte não é todo,

                                               A parte sem o todo não é parte,

                                               Mas se a parte o faz todo, sendo parte,

                                               Não se diga, que é parte, sendo todo.


                                               Em todo o Sacramento está Deus todo,

                                               E todo assiste inteiro em qualquer parte,

                                               E feito em partes todo em toda a parte,

                                               Em qualquer parte sempre fica o todo.


                                               O braço de Jesus não seja parte,

                                               Pois que feito Jesus em partes todo,

                                               Assiste cada parte em sua parte.


                                               Não se sabendo parte deste todo,

                                               Um braço, que lhe acharam, sendo parte,

                                               Nos disse as partes todas deste todo.

COMUNGO A HÓSTIA BRANCA QUE IRRADIAS


COMUNGO A HÓSTIA BRANCA QUE IRRADIAS



(Ângelo Monteiro)


Comungo a hóstia branca que irradias
Como se em mim ó vida fosses maio
E os sinos em seu último desmaio
Ainda repicassem sobre os dias.

Por isso em tuas chamas me contraio,
E em tua forma circular que hostias
Em minha boca, abrindo novas vias,
Eu busco o amor como quem busca o raio.

Elevo sempre as torres derribadas
Para erguer-me de novo às cumeadas
Onde o vôo mais alto amor coroa.

Como se herdando a fluidez dos ares
A esperança acendesse os seus altares
Na comunhão com tudo que se escoa.


JHS



JHS




(Durval de Moraes)

Cruz de carne a sangrar sobre o Calvário.
Fim de vida no céu de um fim de dia...
Silêncio, solidão, treva, agonia,
Vindo os olhos fechar ao Solitário!

Hóstia de expiação da grei sombria?!
Oh! Que loucura, Excelso Visionário!
É quanto restará do teu fadário,
Fria carne a morrer na noite fria?

Dá-me que eu beba, Pecador sem crime,
Nas cinco fontes dessas cinco chagas,
O sangue que alimenta e que redime...

E dando leve pela vida escura,
Entre as bênçãos dos homens e entre as pragas,
Tua Cruz, teu Amor, tua Loucura.

O Islã: Notas


Acossada pelos sucessivos e crescentes abusos das minorias islâmicas, a Noruega resolveu dar uma (tardia) resposta ao proselitismo religioso saudita no país nórdico: os súditos da monarquia de Ryad e seus demais correligionários maometanos só poderão seguir com o envio de recursos financeiros para a construção de mesquitas em solo norueguês caso a Arábia Saudita passe a aceitar a construção de templos de outros credos em seu território. Nos termos do indiferentismo religioso liberal ora hegemônico, a resposta norueguesa é sem dúvida coerente, e traz algum alívio mesmo a residual Cristandade ainda remanescente na Noruega.

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No Brasil, o Islã segue com seu avanço lento e contínuo. Em tempos recentes, foi anunciada a construção de uma mesquita na cidade de Porto Alegre, a ser erguida com dinheiro vindo de Abu Dhabi. Nas favelas dos grandes centros urbanos, a penetração da ideologia Black Panther subjacente à contestatária subcultura rapper norte-americana trouxe consigo a opção pela religião islâmica como forma de resistência política a uma alegada opressão da elite branca cristã contra o negro pobre. No semiárido do Nordeste brasileiro, clérigos islâmicos aliciam sertanejos para a causa do Crescente. Há, portanto, perigo no horizonte: ou os católicos já se esqueceram da Revolta dos Malês? Uma reedição dela que congregasse periferias urbanas sublevadas à la PCC e sertanejos em armas à la Canudos seria tremendamente desastrosa.

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A Península Ibérica sucumbiu às invasões muçulmanas em onze anos, e levou sete séculos para livrar-se do jugo islâmico. Tendo isso em mente, o velho ditado de que prevenir é melhor que remediar assume um apelo  nada desprezível. Sobre o domínio mouro sobre os reinos cristãos ibéricos, Mundividência recomenda uma das vídeo-aulas da Montfort a respeito da Reconquista (aqui e aqui).

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Em sua colossal ojeriza à Cristandade, os talmudistas escolheram o lado dos ímpios maometanos nas guerras entre estes e a nobreza católica na Reconquista. Assim sendo, a distância entre o vasto poderio econômico, midiático e cultural de Higienópolis e o potencial demográfico, missiológico e insurrecional do Islã no Brasil pode ser bem menor que se supõe.

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No auge da era ferroviária do Brasil, nos idos do Segundo Império e da República Velha, as companhias inglesas que espalhavam trilhos pelo estado do Paraná tencionavam resolver o problema da escassez de mão-de-obra mediante a importação de maciços contingentes de curdos muçulmanos do Iraque, minoria étnica sempre indócil ao domínio neocolonial britânico. A idéia das oligarquias inglesas era debilitar a resistência curda no Iraque com a rarefação populacional dos redutos daquele povo na Mesopotâmia, com a vantagem adicional do favorecimento aos lucrativos empreendimentos ingleses no Brasil. A manobra só não teve êxito porque precocemente o povo do Paraná teve ciência da pretensão, e a rechaçou com veemência. Graças a isso o interior do Paraná não é um pseudópodo do Califado, apesar dos bolsões maometanos de Foz do Iguaçu.

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O ímpeto cruzado ibérico, além de livrar Portugal e Espanha do domínio muçulmano, impeliu a ilustre nação lusitana nos seus empreendimentos navais, inclusive a descoberta do Brasil.

Os esforços por dar combate ao Islã (em particular na personificação otomana deste), bem como por subtrair-lhe pela evangelização e pelo batismo as almas dos pagãos, levou Portugal a erradicar a presença do Império da Sublime Porta na costa índica da África e nos arquipélagos dos derredores. Um dos personagens mais memoráveis desse processo foi Cristóvão da Gama, homem a quem incumbiu liderar as forças portuguesas que vieram em socorro do imperador cristão da Etiópia naquela guerra contra somalis e otomanos que poderia ter sido a última.

Embora em ridícula minoria, as forças luso-etíopes impuseram fragorosa derrota aos inimigos. A improvável vitória resultou sobretudo da invulgar coragem dos portugueses: o próprio Cristóvão da Gama sacrificou-se ateando fogo num paiol cheio de pólvora para não permitir-se ser preso quando na iminência da inevitável captura, levando consigo muitos soldados otomanos.

Deve-se sobretudo aos hercúleos esforços de Cristóvão da Gama e de seus comandados o fato de a Etiópia não ter capitulado diante do Islã e seguir sendo até hoje um oásis cristão no deserto muçulmano do Norte da África. A obra portuguesa  na Etiópia possa encontrar o favor da graça divina e ainda vir a frutificar na conversão ao catolicismo daquele país.

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Ainda no que toca à extensão da obra cruzada e missionária de Portugal no Índico, ela foi de tal envergadura que a Diocese de Goa (fundada pelos portugueses), pelo valor e extensão do apoio que dava aos trabalhos de evangelização dos pagãos na Ásia e na costa oriental da África, era conhecida como a Roma do Oriente, tamanha era a abrangência da sua atuação, inferior apenas ao da própria Diocese de Roma.

Nos trabalhos da Diocese de Goa pela expansão da Santa Fé católica nos confins da Terra, destacaram-se São Gonçalo Garcia (franciscano) e São Francisco Xavier (jesuíta). Este, de tanto ministrar o batismo aos pagãos, não raro via extenuadas as forças dos braços. Como sinal do máximo dom oferecido à causa de Cristo pelo jesuíta, o Altíssimo quis preservar incorruptos os braços que a tantos aspergiram as santas águas do batismo.

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A célebre memória do espírito cruzado português, do qual é tão devedora a Cristandade (e mesmo a caricatura laica desta chamada de Ocidente), foi brilhantemente enaltecida pelo poeta Alphonsus de Guimaraens nos versos que Mundividência tem gosto de compartilhar com seus leitores:

BONS TEMPOS

Bons tempos da loriga e da cota de malha,
Quando vós, meus avós das montanhas do Minho,
Balestreiros viris, vermelhos do bom vinho,
Ao sarraceno infiel ousáveis dar batalha!

As loiras castelãs, cheirando a rosmaninho,
Diziam-vos: — "Que Deus, na peleja, vos valha!"
E o saio d'armas era a querida mortalha
Que vos ia cingindo o amplo torso de pinho ...

Combates pela Cruz em campos do crescente!
Fidalgos, infanções, ou gente de mesnada,
Volviam para Cristo o olhar piedoso e crente.

E vós, guerreiros, quando a morte alucinada
Surgia, para vê-la erecta, frente a frente,
Inda erguíeis a heril viseira da celada ...






segunda-feira, 29 de abril de 2013

Legitimidade Católica Proscrita (II): O "Desterro" de São Dominguito del Val, Mártir



 



Por Prof. Pedro M. da Cruz. 
(Do site do blog Sociedade Apostolado)



“Da boca das crianças sai um louvor que confunde vossos adversários, reduz ao silêncio vossos inimigos” (Sal. 8,3)


Magnífica luz resplandecia na noite, junto à ribeira do Ebro, em Zaragoza, Espanha. Aquele fenômeno, qual arauto divino, anunciava aos cristãos uma sublime mensagem celeste. Encontrava-se alí, o corpo terrivelmente mutilado dum “anjo de pureza e heroísmo”, exemplo para os homens do mundo inteiro, mas, particularmente, para as crianças do catolicismo.

Era o ano de 1250. A Espanha claudicava sob o jugo dos mouros, e a Igreja de Cristo, Católica, Apostólica e Romana, avançava com vigor, no firme propósito de converter o mundo ao único Deus verdadeiro. Mas, quem seria aquela criança assassinada com tanto requinte de crueldade? Sua cabeça fora violentamente arrancada; e, inclusive, seus pequeninos pés e mãos haviam sido separados do corpo; em seu peito, via-se aberto certo ferimento, muito semelhante ao de Cristo na cruz... quem, quem seria aquela vítima da maldade humana? Dominguito del Val, o lírio do jardim católico de Espanha, o pequeno menino que, desde os céus, dado o sacrifício de sua vida, abençoaria as crianças do mundo inteiro, e todos aqueles que, com fé, o invocassem fervorosamente.

A dias, havia desaparecido da casa paterna; tal fato, deixara todos em desespero. Naquela época, muitos temiam por seus filhos, pois, pérfidos judeus, destilando ódio contra o catolicismo, costumavam praticar todo tipo de ofensas contra a fé cristã, chegando ao extremo de roubar crianças, a fim de que, durante uma cerimônia macabra, pudessem mata-las por crucificação, escarnecendo, deste modo, a Paixão do Senhor. Fora, exatamente o que se dera com Dominguito del Val ...

Pouco tempo depois, havendo sido encontradas as outras partes do corpo, por fatos, igualmente, milagrosos, soube-se de toda a verdade pela boca de Albayuceto, um dos judeus que participaram ativamente do vergonhoso ritual. “Sim, fui eu. Matai-me. A visão do morto me persegue; já não consigo mais dormir”, dissera, tomado pelas lágrimas, aos que o foram aprisionar. A verdade, é que o santo menino alcançará desde os céus a conversão de Albayuceto, que, agora, batizado no catolicismo e, verdadeiramente arrependido, sofrerá, tranquilo, a punição indicada pela justiça humana.

Imaginemos, boquiabertos, a cena estupenda que se  desenrolara no mundo espiritual. São Dominguito del Val, no esplendor de sua glória, tendo em seu corpo fixadas as marcas do martírio, recebendo, frente aos anjos, seu antigo algoz. Sim, porque, no paraíso celeste, reina somente o amor e a mais terna misericórdia. Albayuceto será testemunha do alto grau a que chegou o pequeno santo de Espanha.

Segundo o mesmo judeu, Dominguito del Val fora capturado   quando voltava da catedral de Zaragoza, onde, sabe-se, participava do coro, e servia o altar durante as santas missas. Era o dia 31 de agosto do ano 1250. O santo coroinha possuía, tão somente, sete anos de vida; gozava ainda os albores da infância... o que, não comoveu o pétreo coração de seus verdugos. Arrastado a um lugar secreto, foi coagido a que negasse a fé cristã, porém, resistiu a tal absurdo com todo heroísmo: “Não, isso nunca - disse o menino- não, mil vezes não.” Tomados de ódio contra a firmeza da criança, puseram-se a repetir com ódio os fatos da Paixão. Crucificaram-no, violentamente, numa parede, coroado de espinhos, com três pregos rasgando seus pés e suas mãos. Dominguito tremia de dor e medo, porém, suplicava à Virgem Maria que o ajudasse durante o martírio. Queria morrer como bom cristão. Finalmente, os judeus abriram seu peito com uma lança, sem dó nem piedade. Assim, fora terminado o ritual ...

Que cena estupenda! Ali, fixo na parede, cabeça baixa, qual Cristo na cruz, soltando seu último suspiro, sem, no entanto, haver negado a fé católica! Exemplo glorioso para as crianças e jovens de hoje que, por muito menos, renegam prontamente o que aprenderam aos pés do altar... Possa, São Dominguito del Val, interceder por nós em hora tão dramática na história do cristianismo.

Retirado o inocente da parede, julgaram por bem arrancarem-lhe a cabeça e outros membros, afim de, não só, serem mais discretos no sumiço do corpo, como, também, dificultarem sua identificação. Partes foram lançadas num poço, enquanto que o resto do corpo, como já o demonstramos, fora enterrado, ocultamente, num lugar afastado.
Coube aos céus o anúncio extraordinário de seu esconderijo. Nada como a luz para significar o quão translúcida era a alma inocente daquela criatura. Dali em diante, os milagres se multiplicaram. O selo divino confirmava a santidade heróica manifestada pelo martírio. Suas relíquias repousam até hoje na Espanha, proclamando a todo o mundo a beleza da fidelidade a Cristo e à Igreja. São Dominguito del Val, filho da Virgem Maria, Rogai por nós!



Referências bibliográficas:

· http://www.mercaba.org/SANTORAL/Vida/08/08-31_S_dominguito_del_val.htm

· http://es.wikipedia.org/wiki/D ominguito_de_Val

· http:// www.churchforum.org.mx/santoral/Octubre/2710.htm

As corporações de mestres (patrões) e aprendizes ditavam suas próprias leis trabalhistas



(Do blog A cidade medieval)




“O exercício de cada profissão era objeto de uma minuciosa regulamentação, que existia principalmente para manter o equilíbrio entre os membros da corporação.


Toda tentativa para embaraçar um mercado, todo esboço de entendimento entre alguns mestres em detrimento de outros, toda apropriação de quantidades excessivamente grandes de matérias-primas, eram severamente punidas.

Nada mais contrário ao espírito das antigas corporações do que os grandes estoques, a especulação ou os “trusts”.
 Era também punido o desvio da clientela dos vizinhos pelo abuso da propaganda.
Entretanto a concorrência existia sempre, mas restrita ao domínio das qualidades pessoais.

O único modo de atrair os fregueses era fazer pelo mesmo preço um determinado produto mais bem acabado e mais perfeito que o dos vizinhos.

Os regulamentos lá estavam, para zelar pela boa execução dos trabalhos, apontar as fraudes e punir os transgressores.

Com este objetivo o trabalho deveria, o quanto possível, ser feito ao ar livre, ou ao menos de modo bem visível.

Tudo devia ser mostrado à luz do dia, na qual o malandro não gosta de permanecer, e onde 'maître Patelin' (espertalhão) não consegue enganar o comerciante ingênuo.

Os mestres-jurados ou guardas de ofício cuidavam também da fiel observância dos regulamentos.

Exerciam severamente o direito de visita.

Os fraudadores eram colocados no pelourinho e expostos juntamente com sua má mercadoria durante certo tempo.

Seus companheiros eram os primeiros em apontá-los, fazendo-os sentir o desprezo de seus confrades, ofendidos pela vergonha que jorrava sobre todo o ofício.

Eram colocados à margem da sociedade.

Por isso os falsificadores eram olhados mais ou menos como os cavaleiros perjuros, que teriam merecido a degradação.”


Fonte: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)

Economia e Produção na Idade Média



(Do blog A Cigarrilha de Chesterton)


Tintureiros do Medievo

O regulamento favorecia os mestres e também, pelo menos em princípio, a clientela, visando uma 
produção qualitativaViolar a qualidade era trair tanto o ofício como o cliente. É este o motivo por que os artigos fabricados com desprezo pelas regras eram declarados falsos, tal como a moeda falsa, sendo os infractores quase igualmente perseguidos. Existia um ideal de fabrico, que as regras do ofício protegiam. O culto da «obra bela», da «obra-prima» - aliás tardio -, apesar de não ocultar as facetas menos desagradáveis da realidade, mostra que pelo menos que o factor trabalho era um factor de civilização cristã e não apenas um factor de produção.

Guy FourquinHistória Económica do Ocidente Medieval

domingo, 28 de abril de 2013

Deputado Nazareno Fonteles: Notas



Muito tem sido dito nos últimos dias a respeito do deputado federal Nazareno Fonteles (PT-PI). O interesse pelo parlamentar decorre da recente aprovação no Congresso da  PEC (Proposta de Emenda Constitucional) nº 33, da qual ele é autor. Na PEC em questão está previsto o condicionamento da valia de certas decisões judiciais do Superior Tribunal Federal à aprovação do Congresso Nacional.

Sob o pretexto de corrigir as sucessivas usurpações de competência praticadas pelo Judiciário federal contra as prerrogativas da Câmara dos Deputados, a PEC 33 cria um abuso de mão oposta mediante a subordinação prática do STF ao Congresso Nacional.  Não se sana os existentes desequilíbrios entre os Poderes com a fabricação de outro.


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É curioso notar que o mais evidente e duradouro desequilíbrio entre os Poderes não merece do deputado Nazareno Fonteles nenhuma medida retificadora. Não se tem conhecimento de qualquer iniciativa parlamentar do deputado governista para findar o seqüestro do cronograma do Congresso Nacional por parte dos interesses do Poder Executivo, sobretudo pelo francamente abusivo instrumento das Medidas Provisórias.

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O constitucionalismo liberal de Montesquieu, com a tripartição dos Poderes, tinha a pretensão de criar um sistema de pesos e contrapesos capaz de refrear o apetite concentrador dos aspirantes a tirano. Era a ingênua pretensão de limitar o Estado por obra do mesmo Estado, análoga a confiar a contenção do gangsterismo de Chicago a Al Capone.

Pródigos em tentar construir a casa do governo justo a partir do teto das ficções legais, os liberais deveriam aproveitar os alicerces apriorísticos ao Estado para construir o edifício da governança benévola: os corpos sociais intermediários. Uma estrutura governamental irradiada da representação política da família, da vizinhança, das comunidades confessionais e das associações profissionais a partir do alargamento e instrumentalização da força do município é muito mais eficaz para limitar o governo que arranjadeiras jurídicas postiças. Para melhor apreciação do mérito das questões aqui abordadas, Mundividência sugere aos leitores que procurem conhecer a obra do eminente pensador brasileiro José Pedro Galvão de Sousa (ver aqui).

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O viés totalitário do deputado Nazareno Fonteles, recentemente celebrizado pela repercussão midiática da sua PEC 33, é bem mais antigo que se supõe. Em 2004, o parlamentar apresentou o Projeto de Lei Complementar (PLC) 137, o qual aprovado criaria a Poupança Fraterna, nada mais que a retenção compulsória numa conta bancária (gerida pelo governo) de todo rendimento financeiro pessoal mensal superior ao décuplo da renda per capita mensal brasileira por um prazo de sete anos. Urge acusar e combater os intentos sovietizantes de Fonteles e de seu partido.

A Armadilha do “Preconceito” e da “Homofobia” – O vocabulário que quer a inversão do que é racional





Recebemos de um amigo da Montfort a indicação do esclarecedor e preciso artigo do Padre Daniel Pinheiro IBP sobre esse tema mais do que polêmico. 

Padre Daniel Pinheiro


Os slogans, as frases feitas e o vocabulário pronto são extremamente corriqueiros. O programa de destruição do cristianismo, quer dizer, da santa Igreja Católica é mestre em bravejar slogans aparentemente inofensivos, mas que tem por objetivo último a completa mudança das mentalidades. Seguindo esse modus operandi, o aborto torna-se interrupção da gestação, por exemplo. A contracepção pode se tornar planejamento familiar. Queremos tratar neste breve artigo, todavia, de dois termos muito empregados atualmente pelo politicamente correto e pelo lobby homossexual para a promoção de comportamentos que se opõem francamente à natureza. São esses termos: preconceito e homofobia. Esses termos são utilizados por eles exatamente porque invertem completamente a realidade da questão.

Preconceito e homofobia são expressões muito precisas e que significam algo muito mais sério e profundo do que parece à primeira vista. A intenção com o uso desses termos e pelo próprio sentido deles é afirmar que se opor ao homossexualismo é algo contrário à razão. Convém, para explicitar melhor isso, considerar algumas noções filosóficas.

As três operações do intelecto humano

O conceito é o fruto da primeira operação do intelecto, que se denomina simplex apprehensio (simples apreensão). O conceito é o entendimento pelo intelecto da essência de um dado ser. O conceito é, então, o primeiro fruto da racionalidade humana, se assim podemos dizer. É somente com a segunda operação do intelecto, denominada compositio et divisio(composição e divisão) que se faz um julgamento, fruto dessa segunda operação. Depois de abstrair a essência dos seres materiais o intelecto é capaz de julgar associando (compositio) ou separando (divisio) conceitos, afirmando ou negando o predicado de um sujeito. Assim, depois de abstrair a essência de homem (animal racional) e a essência de justo (aquele que dá a cada um aquilo que lhe é devido), eu posso dizer que um homem é justo ou injusto, por exemplo. Finalmente, com a terceira operação do intelecto e seu fruto que se chamam ambos raciocínio (ratiocinatio) o homem pode progredir no conhecimento, chegando ao conhecimento de algo novo a partir daquilo que já é conhecido por ele: i) todo homem tem um corpo; ii) Ora, Cristo é verdadeiro Homem; iii) Cristo tem, então, um corpo. Eis as três operações do intelecto humano.

Opor-se à prática homossexual é um preconceito?

Depois dessa breve análise das operações do intelecto e de seus frutos, podemos compreender aonde se pretende chegar quando se diz que se opor ao homossexualismo é um preconceito. O preconceito consiste, como o próprio nome indica, em uma maneira de agir que é anterior ao conceito. É uma ação sem qualquer indício de racionalidade, pois o preconceituoso se opõe a algo antes de conhecer a essência daquilo a que se opõe. Assim, aquele que é preconceituoso em relação ao homossexualismo agiria sem pensar, quer dizer, antes de saber exatamente o que significa o homossexualismo. Isso significaria, então, que aqueles que se opõem ao homossexualismo não agem segundo a razão, mas como animais, julgando simplesmente segundo sentimentos, paixões[1]. Ou ainda, aqueles que se opõem ao homossexualismo agem de maneira irracional porque agem movidos por razões religiosas. Como a religião é, para os modernos, inconciliável com a razão, aquele que julga por motivos religiosos julga sem ter conceitos racionais formados[2]. O que eles pretendem fazer, então, é informar essas pessoas consideradas por eles como preconceituosas e ignorantes, dizendo a elas o que é verdadeiramente o homossexualismo, para que elas tenham um conceito dele e possam julgá-lo a partir disso. Eles dizem, então, que se trata de “uma expressão legítima de amor”, “algo que faz parte da evolução humana”, “algo que leva certas pessoas à felicidade”, etc. Ao informar as pessoas não dão, então, o conceito correto de homossexualismo – comportamento contra a lei natural[3] e, portanto, irracional, portanto contra a virtude e conducente, como tal, à tristeza. Dão uma definição falsa que apela, sobretudo, aos sentimentos, às paixões. Com essa noção falsa as pessoas passarão a julgar falsamente a homossexualidade, aceitando-a e alguns até mesmo incentivando-a.

Notemos que há, assim, uma inversão completa da realidade, pois, na verdade,  os que se opõem ao homossexualismo o fazem justamente porque possuem o conhecimento exato da essência do homossexualismo, têm um conhecimento exato de seu conceito, e julgam seguindo a razão, baseada sempre na natureza das coisas. Assim, são contrários ao homossexualismo por que tal conduta, opondo-se à natureza, opõe-se à razão, e opondo-se à razão opõe-se ao bem do próprio homem e da sociedade. Assim, pela simples acusação de preconceito, aqueles que defendem a lei natural – participação da lei eterna em Deus e que pode ser e é conhecida pela razão – tornam-se os irracionais. Por outro lado, aqueles que defendem o homossexualismo, opõem-se, na verdade, à lei natural – sobre a qual deve ser fundada a razão que opera retamente. São os defensores desse comportamento que julgam segundo as paixões e, portanto, de forma irracional, mas, ao acusar os outros de “preconceito” pretendem ser os racionais e os razoáveis. A inversão foi feita com uma só palavra. Com um simples termo – preconceito – a virtude passou a ser o vício e o vício passou a ser virtude. O vício tornou-se um bem e uma condição para a felicidade.

O que significa homofobia?

Algo semelhante ocorre com o termo homofobia. O termo fobia significa geralmente uma aversão[4] (ou medo) exagerada, desproporcional, enfim irracional, em relação a algo que é considerado como um mal. A essa aversão se segue, em geral, um ódio com relação àquilo que é considerado um mal. Assim, a paixão do apetite concupiscível ou irascível seria tal que a razão deixaria de exercer seu domínio sobre as faculdades inferiores. Vemos claramente isso quando falamos de claustrofobia, que é a aversão irracional a lugares fechados ou agorafobia que é o medo irracional de lugares abertos ou públicos. Em todo o caso, a fobia é uma aversão (ou medo) irracional, que precede qualquer julgamento ou que advém de um julgamento falso: todo lugar fechado é perigoso ou todo lugar público é perigoso e deve ser evitado. Assim, quando se fala de homofobia o que se quer dizer é que existe uma aversão (ou medo) irracional em relação ao homossexualismo devido às paixões que suprimem o uso da razão ou devido ao falso juízo que se faz sobre o homossexualismo, que é, por sua vez, consequência do falso conceito que se tem dele. Voltamos ao mesmo ponto: é preciso informar os homofóbicos da “verdadeira” natureza do homossexualismo. Mais uma vez, com uma só palavra, a inversão completa da realidade foi operada. Aqueles que se opõem ao homossexualismo teriam uma aversão (ou medo) irracional, baseada em paixões que não estão de acordo com a razão. Aqueles que em realidade ordenam suas paixões segundo a razão, sempre com base, portanto, na lei natural, tornam-se os irracionais, enquanto aqueles que agem contra as leis mais básicas e evidentes da natureza e seguem as paixões desordenadas (contrárias à razão), tornam-se os grandes racionais e razoáveis.

Revolução operada

Vemos, então, como duas palavras aparentemente inofensivas operam uma verdadeira revolução. O racional torna-se irracional. O irracional torna-se racional. A virtude, que consiste justamente em uma disposição bem enraizada e dificilmente removível na alma de agir segundo a razão, torna-se vício. O vício, disposição idêntica à outra, mas contrária à razão, torna-se virtude. Não deixemos que esse vocabulário mais do que tendencioso nos seja imposto, enganando-nos. Aquele que se opõe ao homossexualismo não é preconceituoso nem homofóbico. Ele tem aversão a um mal que reconhece, baseado na realidade das coisas, como profundamente contrário à natureza. Um mal que corrompe a moralidade com a mesma gravidade que a negação dos princípios especulativos (princípio de não contradição, por exemplo) corrompe a razão.

O homossexualismo não pode, ademais, levar à felicidade. Ora, o bem de um ser – que é, claro, a sua felicidade – consiste em operar segundo a sua natureza. A natureza do homem é racional. Portanto, a felicidade do homem consiste em agir segundo a razão, conhecendo a verdade, agindo segundo a verdade e deleitando-se nela. Tal felicidade será plena quando atingirmos a Verdade pela visão beatífica e a amarmos em consequência desse conhecimento. Para chegar lá, porém, é preciso desde já agir segundo a razão. A razão nos mostra, por um lado, que o homossexualismo é intrinsecamente mau. Por outro lado, ela nos mostra que devemos aderir plenamente a Deus que se revela – o que pode ser conhecido pelos milagres e profecias, critérios de credibilidade. Ora, o Deus que se revela condenou igualmente o homossexualismo, querendo, porém, a conversão do pecador. É preciso amar as pessoas que possuem a tendência homossexual não para confortá-las em suas tendências, modos ou práticas, mas para desejar-lhes e fazer-lhes o bem, que é viver segundo a lei natural e segundo a lei divina.

Conclusão

Nosso Senhor falou que se conhece a árvore pelos frutos. Ora, os frutos naturais do homossexualismo não existem, ou se existem são frutos que se rebaixam à pura alegria sentimental e passageira, advinda da satisfação das paixões. Os frutos do casamento, do verdadeiro e único casamento possível, entre um homem e uma mulher, são inúmeros, desde que se evite a contracepção e a mentalidade da contracepção. Aqui a alegria é real, pois se age segundo a natureza humana, segundo a razão.

                                                                              Padre Daniel Pinheiro
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[1] De fato, quem age por preconceito age de maneira irracional. Assim, julgar moralmente alguém simplesmente pela cor da pele é um verdadeiro preconceito, algo irracional e, portanto, um pecado. Neste caso, faz-se um juízo antes de ter um conceito preciso do que é cor de pele (acidente do tipo qualidade) e antes de estabelecer a relação da cor da pele com a moralidade (acidente do tipo qualidade que não tem nenhuma influência na vida moral).

[2] É evidente que a religião não é algo irracional, não é uma superstição nem um salto no escuro, como pretendem muitos. O católico não crê porque é absurdo. Ao contrário, o católico crê porque é razoável crer, porque ele reconhece que Deus existe, reconhece que Deus pode falar e reconhece que Deus falou em virtude dos milagres e profecias, que só podem ter sua origem em Deus e que são, por isso, motivos de credibilidade. A fé é algo em conformidade com a razão, superando-a, mas nunca a contradizendo. Uma religião que contraria a razão é necessariamente uma falsa religião, pois, nesse caso, haveria contradição em Deus, que é o autor tanto da razão quanto da religião.

[3] A lei natural é a lei conhecida pela razão em virtude da própria natureza das coisas, tais como elas existem. Ela não pode evoluir nem mudar, pois a natureza das coisas não muda. Querer mudar a lei natural seria, em última instância, querer mudar Deus, pois a natureza das coisas é um reflexo da natureza divina, que não muda. É evidente que a própria natureza do homem mostra que a finalidade primária da união sexual é a procriação e que se o homem possui um apetite com relação a esse hábito é justamente para garantir a conservação da espécie, como lhe foi dado um apetite para se alimentar, a fim de conservar o indivíduo.

[4] Estritamente falando, fobia significa medo. Todavia, fobia parece aqui ser usado em sentido mais amplo, abrangendo tanto o medo quanto a aversão. O medo é a paixão (do apetite irascível) face ao mal árduo quando tememos sucumbir, enquanto a aversão ou fuga é simplesmente o desejo de afastar-se de um mal. Quando se trata dessas fobias, pode haver as duas paixões e mesmo a ira, que combate o mal presente.