sexta-feira, 3 de maio de 2013

Da tarde morta o murmurar se cala ...



A alma, como incenso, ao céu se eleva
Da férvida oração nas asas 
puras,
E Deus recebe como um longo hosana
O cântico de amor das criaturas.

Do trono d'ouro que circundam anjos
Sorrindo ao mundo a Virgem-Mãe se inclina,
Ouvindo as vozes de inocência bela
Dos lábios virginais de uma menina. 

Da tarde morta o murmurar se cala
Ante a prece infantil que sobe e voa
Fresca e serena qual perfume doce
Das frescas rosas de gentil coroa.

As doces falas de tua alma santa
Valem mais do que eu valho, ó querubim!
Quando rezares por teu mano, à noite,
Não te esqueças: também reza por mim.


Casimiro de Abreu

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Sociedade e Autoridade - Dom Curzio Nitoglia



Don Curzio Nitoglia
[Tradução: Gederson Falcometa]




(Do blog Salve Regina)

A natureza da autoridade

A sociedade é uma união moral de muitos homens, para agir em vista do bem comum.

causa final da sociedade é o bem estar comum temporal;

a causa material são as pessoas;

a causa eficiente é Deus que criou o homem sociável por sua natureza;

enquanto a causa formal é a união moral entre os sujeitos, ou seja, os direitos-deveres, mediante os quais os indivíduos estão unidos para agirem juntos, em vista do bem comum.

A autoridade, deriva da sociedade constituída, não é uma das quatro causas essenciais da sociedade, mas uma propriedade (ou acidente próprio-necessário, que deriva diretamente e necessariamente da natureza da autoridade, e não lhe é a essência).

Alguns filósofos (por exemplo o cardeal Tomás Zigliara O.P.), retém que a autoridade seja a essência da sociedade [1]; outros (por exemplo Joseph Gredt O. S. B. e Josephus Goenaga S. J.), sustentam que essa é um acidente próprio da sociedade e não a sua essência [2], também o Padre Felice Maria Cappello S.J., e o Cardeal Alfredo Ottaviani seguem tal tese [3].

Todavia esses não explicam o porque de tal tese e não se delongam além.

Parece-me possível dizer que a autoridade, tem a tarefa de endereçar os diversos indivíduos, (que constituem a sociedade) ao fim comum, propriamente enquanto sócios ou associados em vista do bem comum (causa formal da sociedade), mediante direitos e deveres que lhe unem ou associam a agir em vista do fim comum, pressupõe a causa formal (união moral dos cidadãos) e então não pode ser a essência da sociedade, mas uma consequência sua ou propriedade que deriva da natureza dos associados através dos direitos-deveres, em vista de um fim.

Por exemplo : o intelecto e a vontade são duas faculdades da alma humana que é co-princípio (junto ao corpo) da pessoa humana; essas por mais nobre que sejam não são a natureza humana, mas duas faculdades ou acidentes necessários, através dos quais a alma é diretamente operável, do mesmo modo é para a autoridade. Na verdade a autoridade é antes princípio próximo da ação, ela faz leis, as faz observar e castiga quem as viola, dirigindo assim – praticamente – a sociedade dos homens ao seu fim.

Portanto, a autoridade é uma consequência da sociedade já constituída no seu ser; essa tem o direito (e o exercita) de obrigar os membros da sociedade, afim de que cooperem com seus atos para o bem comum.

A autoridade, também sendo um acidente é necessária, de fato «em qualquer sociedade, escreve Leão XIII, é necessário que existam alguns que comandem, afim de que a sociedade, não se esfacele, privada do chefe pelo qual é regida» [4].

Como no corpo humano (pessoa física) existe o cérebro ou a cabeça que comanda, e os membros que seguem as suas ordens; assim na sociedade civil (ou pessoa moral) existe a autoridade ou chefe que ordena e os membros ou sujeitos que obedecem [5].

A autoridade e a pessoa humana

Santo Tomás de Aquino ensina que «o reino é para o rei, mas o rei é ordenado ao bom governo» [6], ou seja, o fim do Estado e da autoridade política é o bem comum dos cidadãos, que comanda – ensina São Paulo – é «ministro de Deus para o bem dos súditos». Leão XIII explica que «a autoridade governante deve ser endereçada a utilidade dos súditos e sua natureza é tutelar o bem da sociedade, a autoridade civil tendo sido estabelecida para vantagem de todos» [7].

É preciso evitar os dois extremos do individualismo ou personalismo e da estadolatria:

a)   O personalismo individualista e liberal:
A liberdade e a independência da pessoa humana não são absolutas e ilimitadas, esses dependem de Deus e são destinadas a Ele. O homem deve portanto, ser submisso a Lei divina, quando o homem faz o mal e adere ao erro, mantém a dignidade radical da natureza humana, mas perde a dignidade próxima de pessoa humana, ordenada ao verdadeiro e ao bem, e se abaixa ao nível das bestas.

Além disso, o homem sendo animal social é limitado pela necessidade de conviver em paz com os outros homens e deve repeitas os direitos dos outros. A independência, absoluta própria do liberalismo, termina necessariamente na anarquia.

a)   A estadolatria ou absolutismo totalitarista:

O homem não é uma coisa, um simples instrumento do Estado seu fim último.
Se o Estado como pessoa moral (grupo de mais pessoas físicas) é juridicamente mais nobre que ohomem-cidadão (animal social) como pessoa física individual; o homem é todavia, como pessoa humana(animal racional, espiritual e imortalontologicamente superior ao Estado.

A pessoa humana e o bem estar são o fim do Estado, enquanto a organização política é um meio através do qual o Estado pode colher o seu fim (bem estar comum dos cidadãos). «Sem dúvida o individuo deve servir a sociedade, deve também realizar sacrifícios, mas sempre para sua vantagem, porque o sacrifício do individuo – em última análise – torna vantagem o próprio individuo.  A sociedade civil tem poder sobre os súditos, mas apenas relativamente ao seu fim e ao seu bem» [9]

Tal relação entre Estado e individuo foi abordada por Jacques Maritain, em 1936, em Humanismo integral, que foi criticado por Padre Júlio Meinvielle em 1945 (Da Lamennais a Maritain) e pelo Padre Reginaldo Garrigou-Lagrange O.P. entre 1947-48 (Correspondência entre Padre Garrigou-Lagrange e Padre Meinvielle). Como se vê padre Andrea Oddone S.J., professor na Universidade Católica do Sagrado Coração em Milão e membro do Colégio dos escritores da La Civiltà Cattolica, foi o primeiro – em 1937 – a refutar a tese maritainiana, embora sem citá-la explicitamente.

Então a pessoa humana, imagem de Deus é metafisicamente superior ao Estado. Leão XIII ensina «homo est republica senior». O Estado portanto, «é o aperfeiçoador do individuo e então, o Estado é ordenado ao individuo, esse deve ajudar o homem e não ofendê-lo – como ensina Leão XIII na Rerum Novarum – tutelá-lo e não diminuir os próprios direitos» [8].

A intolerância católica

Para entender melhor aquilo que significa exatamente o conceito de in-tolerância, é preciso partir da ideia de tolerância. Essa se encontra acompanhada de qualquer mal a suportar ou tolerar, ( por exemplo, quando se tem uma dor de dente a noite, e não é possível recorrer imediatamente a um dentista, se é forçado a tolerar, até quando abrir o consultório odontológico, para poder obturar o dente sujeito de cárie, de dor e de mal). A tolerância de um mal moral, pressupõe um vício (por exemplo se toleram as assim chamadas "casas de tolerância"), enquanto a tolerância doutrinal pressupõe um mal do intelecto, ou seja, o erro. Então,  «tolerância significa suportar com paciência uma coisa má moralmente ou errônea doutrinalmente» [10].

Do ponto de vista teológico a tolerância dogmática «coloca sobre um igual plano jurídico, as várias e contrárias religiões, e concede a todas plena liberdade, porque supõe que devam considerar-se todas, de igual direito, diante de Deus e em ordem a salvação, essa não é outra que a indiferença, broto direto do liberalismo» [11].

Padre Andrea Oddone S.J., da La Civiltà Cattolica, afirma que a Igreja «não pode absolutamente admitir a tolerância dogmática ou doutrinal. Sobre este ponto ela será sempre intolerante, porque tem a consciência de ter recebido de Cristo o depósito da verdade divina e sabe ter sido investida de um magistério soberano e infalível» [12].

A intolerância doutrinal é uma conseqüência direta da verdade que se tem a fortuna de conhecer (por exemplo, o professor de matemática não pode tolerar que para um ou mesmo para todos os alunos, 2+2=6; não 2+2=4, só e apenas 4, nem mais nem menos; não quase 4, ou 4 e alguma coisa, mas só e apenas 4). Essa não pode não condenar cada erro; o catolicismo é intolerante do mesmo modo que a verdade não admite o erro doutrinal. Uma ciência que admitisse nas suas buscas os erros e as verdades sem distinções, destruiria a si mesma (um engenheiro que no projetar uma ponte admitisse o erro nos seus cálculos matemáticos, destruiria as suas profissões e tantas vidas humanas, como conseqüência do desmoronamento da ponte, que não pode sustentar ou tolerar carência de ferro ou de cimento). Assim «a Igreja, se não fosse intolerante na doutrina destruiria a si mesma» [13]. Apenas a verdade e o bem tem direito de existência, o erro e o mal moral não tem nenhum direito, podem apenas ser tolerados, excepcionalmente, apenas para evitar um mal maior (por exemplo o dentista que avista uma infecção no dente cariado, tolera a sua permanência na boca do pobre paciente, até que a infecção não desapareça, depois de uma eventual cura por antibióticos. Não se admite o mal do dente, não se lhe concede direitos; ele é tolerado, para evitar que a infecção se espalhe do dente para todo o corpo do paciente).

«A intransigência teorética da Igreja, tem sido capaz de levar em conta as situações práticas, porque uma coisa é o ideal, outra a realidade. Idealmente a verdade sendo apenas uma, deve impor-se a todas as inteligências, como a lei moral a todas as consciências. Mas a prática demonstra que, seja por fraqueza da razão, seja por caprichos da vontade, podem produzir-se frequentemente faltas de que é necessário levar em conta. Por isso a Igreja permite que os Estados acordem a tolerância política, em uma sociedade dividida sob o ponto de vista religioso, mas somente na medida necessária para impedir males maiores" [14].

Santo Agostinho afirma que «é preciso condenar e refutar as doutrinas heréticas e rezar pela conversão dos hereges. Estejamos altivos por conhecer e aderir a verdade, mas sem soberba, combatamos pela verdade, mas sem crueldade» [15]

É preciso saber que "as ações são dos sujeitos", onde a distinção clara entre erro e errante, não é muito correta, de fato, sem errantes não existiriam erros (na guerra sem soldados não existiriam flechas e tiros de canhão. Se um general quisesse combater um exército inimigo, e dirigisse os seus esforços contra as flechas e não contra os arqueiros, seria um péssimo general). A sã filosofia ensina que se deve combater o errante e o seu erro e a teologia ensina que com o errante não se deve ser exercitado o ódio de malevolência (querer o seu mal como fim), mas é lícito o ódio de inimizade que nos leva a querer o seu bem, o seu arrependimento como homem, e a combatê-lo como inimigo da verdade e do bem. São Leão Magno dizia que «não podemos governar os nossos fiéis, se não combatemos – com zelo divino – aqueles que são malvados e corruptores» [16].

«Quando os errantes tentarem espalhar seus erros e prejudicar aos outros, a intolerância do erro deverá redundar também em dano para os errantes. Então, também os errantes não podem ser tolerados, mas devem ser removidos da sociedade ou ao menos é preciso torna-lhes impotentes para causar dano» [17]

Na verdade todo corpo, físico como moral, fisiologicamente tende a expelir os mórbidos e as infecções, (quem esta resfriado espirra, ou seja, tenta expelir o resfriado, seria louco se acordasse o direito de torná-lo doente).

Não é preciso fazer como Teófilo de Alexandria, o qual no combater a heresia origeniana, era de tal forma tolerante com os heréticos a incorrer-se na crítica de São Jerônimo que lhe escreveu «o teu comportamento desagrada a Deus, de fato, enquanto com a tua tolerância mire corrigir alguns poucos, fomentas a audácia de muitos malvados e faz de forma que a sua seita se enrobusteça» [18]

NOTE:
1) T. M. Zigliara O. P., Summa philosophica, De Propaganda Fide, Roma, 1876, Ethica, vol. III, pag. 184.
2) J. Gredt O.S.B., Elementa philosophiae aristotelico-thomisticae, Herder, Friburgo, 1921, 3ª ed., n° 847, pag. 346.
J. Goenaga S.J., Philosophia socialis, Gregoriana, Roma, 1964, pag. 278.
3) F.M. Cappello S.J., Summa Juris Publici Ecclesiastici, Gregoriana, Roma, 1954, 6ª ed., pag. 26.
A. Card. Ottaviani, Compendium Juris Publici Ecclesiastici, Typis Polyglottis Vaticanis, Roma, 1944, 4ª ed., pag. 12.
4) Leone XIII, Diuturnum illud, 29 giugno 1881.
5) Cfr. L. Taparelli D'Azeglio S.J., Saggio teoretico di Diritto naturale,Civiltà Cattolica, Roma, 1855, I vol.,
pagg. 267-270.
6) S. Tommaso d'Aquino, De regimine principum 1, 2.
7) Leone XIII, Immortale Dei, 1 novembre 1885.
8) A. Oddone, op. cit., pag. 52.
9) Id., pag. 53.
10) A. Oddone S.J., La costituzione sociale della Chiesa e le sue relazioni con lo Stato, Vita e Pensiero, Milano,1937, pag. 129.
11) Id. , pagg. 129-130.
12) Id., pag. 130.
13) Id., pag. 131.
14) Id., pag. 135.
15) S. Agostino Aurelio, Sermo 49, 7.
16) S. Leone Magno, cit. in A. Oddone, op. cit., pag. 137.
17) A. Oddone, op. cit., pag. 137.
18) S. Gerolamo, Epist; 63, 3.

PICCOLA BIBLIOGRAFIA:
A. Messineo S.J., Il fondamento giuridico dell'autorità, in «C.C.», anno 95, 1944, vol. II, quaderno 2255, 27 maggio 1944, pp. 285-294.
Id., Le origini trascendenti del potere politico, in «C.C.», 1944, vol. II, quad. 2259, 29 luglio 1944, pagg. 138-147.
P. Dezza S.J., I neotomisti italiani del XX secolo. Filosofia morale, Bocca, Milano, 1944.
M Cordovani O.P., Tirannia e Libertà. L'uomo e lo stato, Studium, Roma, s.d.

FIGURA DOS SACRIFÍCIOS



(Do blog dos Fiéis Católicos da Arquidiocese de Ribeirão Preto)



O que impressiona, em primeiro lugar ao estudar os sacrifícios antigos, é a estrita condição de que todas as vítimas eram escolhidas entre os animais inocentes e entre os mais familiarizados com o homem. Os animais selvagens ou deformados nunca eram admitidos no altar. Assim, poder-se-ia, de uma maneira óbvia, dizer de Jesus Cristo, que se torna familiar ao homem até se fazer a doce e santa vítima do Calvário, cujo sangue, infinitamente puro, formado do sangue mais puro da mais santa das Virgens, pela operação do próprio Espírito Santo?

Outra condição exigia que a vítima fosse o primeiro do rebanho. Ainda aqui temos a figura do Salvador, que segundo a linguagem de são Paulo, é o primeiro dentre os homens que se tornaram seus irmãos pela Encarnação (8).

Esses sacrifícios geralmente terminavam com uma refeição onde se participava da carne da vítima, e todas as condições da vida social, se achavam, por um instante, confundidas. Quem não enxerga, já nesse rito, uma imagem do banquete eucarístico? Ele termina a renovação do sacrifício da cruz todos os dias sobre nossos altares; nele nos alimentamos da Vítima divina; todas as classes se misturam junto de um Deus pobre e escondido.

As vítimas, após sua imolação, eram queimadas totalmente ou em parte. De acordo com Sto. Agostinho, podemos olhar a fumaça das vítimas imoladas que se elevavam ao céu como uma imagem de Jesus Cristo. Após ser imolado sobre a cruz, Ele ressuscita glorioso e se eleva por sua Ascensão até o trono de Deus (9).

Esses são apenas resumos dos sacrifícios. Vamos considerá-los em particular, afim de que a luz mais brilhante irrompa sobre o assunto. 



SACRIFÍCIO DE ISAAC — Este querido filho da promessa é descrito no relato bíblico, escalando, após uma caminhada de três dias, que foram para Abraão de uma agonia contínua, a montanha de Moria, e carregando ele mesmo a madeira de seu sacrifício. Atado por seu pai sobre a fogueira, ele não opõe nenhuma resistência. Ao ver a faca que vai mergulhar em seu peito, ele não tem a menor reclamação em seus lábios. Mas, a resignação do filho e a generosidade do pai satisfizeram o Senhor, e um anjo detém o braço já levantado de Abraão e lhe mostra, entre espinhos que se entrelaçam em seus chifres, um carneiro que foi imolado no lugar de Isaac.

Dois mil anos se passaram, e eis que um dia, o Filho divino da promessa, o Filho único e bem amado do Eterno, o verdadeiro Isaac, carrega a madeira de seu sacrifício, subindo, em silêncio, as mesmas trilhas que havia percorrido antes dele, o filho de Abraão (10). Pregam-no na cruz; não se ouve nenhuma reclamação. É a mão de seu Pai que, de alguma forma empurra os pregos pela mão do carrasco, e, para adicionar um último recurso, vemos o Cordeiro divino, assim como o nomeiam os padres, com os espinhos na fronte, imolado em nosso lugar.



SACRIFÍCIO DO CORDEIRO PASCAL — Era prescrito imolá-lo de tarde; não podendo quebrar-lhe nenhum osso (11). S. Justino nos fornece um detalhe comovente de que os membros do cordeiro eram dispostos em forma de cruz diante os presentes (12).

As portas dos Israelitas avermelhadas de seu sangue estavam preservadas da espada do Anjo da morte. Considerando a imagem, não se vê o Cordeiro de Deus morto na tarde do sábado, a Vítima santa, a quem os soldados não quebraram nenhum osso, e cujo sangue derramado sobre nossas frontes pelo santo batismo nos arranca da morte eterna?

Nessas comparações, Luis de Lion, acrescenta: “Se corta, diz ele, o Cordeiro pascal e se o come inteiramente, a carne, as vísceras, a cabeça. Não há parte no Salvador, onde a faca não tenha penetrado, onde o dente de seus inimigos não tenha mordido: as costas, os pés, as mãos, a cabeça, as orelhas, os olhos, a própria boca que foi preenchida de fel. Sua alma santíssima foi transpassada pela dor (13)”.

SACRIFÍCIO DA VACA VERMELHA – Para esse sacrifício, a vítima deveria ser de cor vermelha e de idade perfeita. Era preciso que o julgo jamais houvesse pesado sobre ela, e ela deveria ser imolada fora do campo (14). Encontramos tudo isso na imolação do Calvário. A Vítima divina não oferece mais do que uma imensa ferida. Ela é toda avermelhada em seu sangue. Ela tem a plenitude da idade, 33 anos. Livre, ela jamais conheceu o julgo do pecado, enfim, foi fora dos muros de Jerusalém que lhe crucificaram (15).

“Entregará a vítima ao sumo sacerdote, havia prescrito o Senhor sobre este sacrifício, e este, após a ter conduzido fora do campo, a imolará na presença de todo o povo. Todos aqueles que participaram de sua morte serão contaminados e permanecerão impuros até a tarde (16) ”. Que detalhes proféticos! Não é o povo que entrega Jesus Cristo ao grande sacerdote Caifás? Todo o povo judeu, reunido em Jerusalém para a Páscoa, não foi testemunha da morte de Nosso Senhor? Enfim, esse mesmo povo, culpado do sangue de Cristo, não portará até o fim dos dias a mancha indelével de seu crime?

SACRIFÍCIO DE DUAS ROLINHAS – Mencionaremos esse sacrifício por causa do interesse particular ligado a ele: o oferecimento dele pela augusta Virgem no dia da Purificação. Vamos ouvir Monsenhor Ollier: “Os mistérios da morte e da ressurreição de Nosso Senhor formam os termos do sacrifício oferecido exteriormente no templo no dia da Purificação. Eles eram representados por duas rolinhas, que, segundo a Escritura, deveriam ser apresentadas para Deus a fim de tomar o lugar do Filho e, para significar o sacrifício ao qual Ele estava destinado. Uma dessas pombas, ou rolinhas, era oferecida em sacrifício pelo pecado, e, nesse sacrifício, o animal era degolado e seu sangue derramado sobre o altar para representar a morte e a imolação de Jesus Cristo na cruz. A outra era lançada no fogo, e lá era consumida inteiramente. Por isso, chamavam-no (este ato) de holocausto, e ele representava a ressurreição de Jesus Cristo, abandonado em Deus e consumido pelo fogo de sua divindade. É por isso que Simeão, de forma profética, fala desses dois mistérios à santa Virgem. Ele será, em sua morte e em sua ressurreição, a causa da morte e da ressurreição de muitos (17)”.

Que dor pungente para a alma de Maria, testemunha da imolação desta vítima inocente que esboça a imolação desta outra vítima inocente que repousa sobre seu coração! Mas também para ela, que penhor de esperança ao ver a outra vítima consumida e destruída pelo fogo do holocausto! Inspirada do alto, ela vislumbrou sob este símbolo, seu Filho glorificado, transfigurado, consumido pela divindade na manhã de sua ressurreição.

O SACRIFÍCIO DO BODE EXPIATÓRIO – Tinha também um alto significado. Tomavam-se dois bodes. Um era imolado e o outro era reconduzido solto após ter sido carregado das iniqüidades de todo o povo. O bode imolado marcava a natureza humana de Jesus Cristo, que sofreu a morte. O bode reenviado marcava a natureza divina que não pode morrer. Esses dois bodes, oferecidos conjuntamente à Deus, pertenciam a um único sacrifício. Jesus Cristo, Deus e homem, se oferece a Deus. O homem morre, Deus subsiste, mas o Homem Deus quis carregar os pecados do mundo e tomar a forma do homem pecador, para nos salvar (18).

Sacrificavam-se para Deus, na antiga lei, somente três tipos de quadrúpedes, os da raça bovina, ovinos e caprinos. Eles também sacrificavam três espécies de aves, a rolinha e a pomba, que eram usadas em todo tipo de sacrifício, e o pardal, usado no sacrifício para a purificação dos leprosos. Sto. Tomás nos dá a razão disso: “Deus assim prescreveu, para oferecer a imagem do Salvador. O bezerro representava Jesus Cristo na virtude de sua cruz; o cordeiro, em sua inocência; o carneiro em sua força; o bode, na forma de pecador que Ele revestiu; a rolinha e a pomba, na união de suas duas naturezas; ou separadamente, a rolinha, em sua castidade, e a pomba, em sua caridade (19)”.

No sacrifício não sangrento, se oferecia pão, vinho, óleo, sal e incenso, mas nunca o mel que era proscrito por ordem de Javé (20). Aqui também temos sempre a figura de Jesus Cristo: o pão representava a carne sagrada na Eucaristia; o vinho, seu sangue precioso; o óleo, sua graça fortificante; o sal, sua ciência; o incenso, sua oração . O mel, símbolo dos prazeres, não teria sido um contra-senso no sacrifício de uma Vítima que deveria se chamar “o homem de todas as dores (21)”?

Nossa intenção não é fazer um estudo de todos os sacrifícios antigos. Os limites desta obra não o permitem. O que dissemos pode ser suficiente para solidificar esta convicção de que todas as vítimas da lei antiga eram somente a sombra da grande Vítima, que o mundo esperava, e que ainda nos resta dizer uma palavra.

(8) Rm 8, 29
(9) Questão XXXIII sobre os Números
(10) Santo Agostinho, Sem. VII, de Temp.
(11) Dt 16, 6
(12) In Tryphonem.
(13) Dos nomes de Jesus Cristo
(14) Nm 19, 3
(15)Teodoro, Quaest. XXXVI – Santo Agostinho, Quaest. XXXIII – Rabanus.
(16)Nm 19, 3, 7, 8
(17) Cerimônias da Missa da Paróquia
(18)Teodoro, sobre o Levítico – Catecismo de Charancy
(19) I. 2. Quest. CII, art. 3 – S. Cirilo, lib. IV, de Adorat. In Spir, et verit. – Procop. in cap. IV Lévit – Beda .
(20) Lv 2, 2
(21) Santo Tomás de Aquino

Papa São Pio X: Profeta da Grande Guerra


Por Dr. Peter E. Chojnowski
Traduzido por Andrea Patrícia





O Papa São Pio X, Giuseppe Melchior Sarto, parou diante da gruta de Lourdes, durante seu passeio nos jardins do Vaticano, na primavera do ano de 1914. Virou-se para Dom Bressan, seu confessor, e disse: "Eu estou pesaroso pelo próximo Papa. Eu não vou viver para ver isso, mas, infelizmente, é verdade que a religio depopulata está chegando muito em breve. Religio depopulata". O termo "religião despovoada", refere-se a profecia vinda do irlandês São Malaquias, e deveria ser aplicada ao reinado do sucessor no trono de São Pedro do próprio Pio X. Que São Pio X poderia prever o despovoamento da Europa, especialmente na medida em que essa tragédia iria afetar a Igreja Católica é realmente uma das características mais marcantes da relação entre este papa e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Muitos geo-políticos e estrategistas observadores de alto nível poderiam claramente vislumbrar algum tipo de briga entre duas ou mais das seis grandes potências da Europa (ou seja, Rússia, Grã-Bretanha, França, Áustria-Hungria, Itália e Alemanha), ninguém previu a queda da civilização cristã tradicional, exceto o Papa São Pio X. Mesmo seu próprio secretário de Estado e confidente íntimo, o anglo-espanhol Cardeal Merry del Val, ficava perdido ao tentar explicar a insistência do Papa de que o que ele previu não era guerra justa e sangue, mas a perda da Casa Comum Europeia; uma perda que explicita as dores para a Igreja Católica e a miséria e perda para a preponderância da humanidade.

Uma situação muito semelhante, envolvendo uma visão do Papa em um acontecimento geopolítico futuro, ocorreu durante sua audiência com a futura imperatriz austríaca Zita, no verão de 1911. A Princesa Zita da casa real franco-italiana de Bourbon-Parma acabara de se tornar noiva do futuro herdeiro do trono imperial austríaco, o arquiduque Charles. Charles, em 1911, era o segundo na linha sucessória do trono de seu tio-avô Franz Josef que reinou sobre o Império multi-nacional da Áustria desde 1848. O Papa, que, juntamente com o Cardeal Merry del Val foi um grande defensor da tradição européia dos Habsburgos, parabenizou a princesa por suas próximas núpcias. No final de uma conversa que começou com: "Eu estou muito feliz com esse casamento e eu espero muito dele para o futuro... Charles é um dom do Céu pelo que a Áustria fez para a Igreja", o Papa parecia vagar seu pensamento quando ele se referiu ao futuro marido de Zita como o herdeiro do trono. Quando a jovem princesa apontou gentilmente que seu futuro marido não era o herdeiro direto do trono, vindo primeiro seu tio, o predestinado Franz Ferdinand, São Pio X olhou sério e insistiu que Charles em breve seria imperador. Quando ela garantiu que Franz Ferdinand certamente não abdicaria dado o fato de que ele estava no auge da vida, o Papa parecia perturbado e ponderadamente disse em voz baixa: "Se é uma abdicação... Eu não sei".

Que o Papa São Pio X deve ter tido pressentimentos precisos sobre os dois grandes acontecimentos do ano de 1914, anos antes que esses eventos realmente de fato tenham ocorrido, é simplesmente fantástico e uma manifestação de sua intimidade com o Divino e sua preocupação paterna com as vidas diárias dos fiéis Europeus. O que essas ideias também revelam é o claro reconhecimento do Papa do fato primário europeu de seu tempo, que Áustria Habsburgo era a pedra angular da Europa. Para mover o edifício, era preciso cavar e remover a pedra. A Primeira Guerra Mundial ou a Grande Guerra foi simplesmente a erradicação desta pedra. Foi uma guerra em que o coração político da cristandade católica foi destruído, aparentemente para sempre.

Essa é a nossa tese, que a Áustria foi a razão para a Grande Guerra e que o resultado mais tangível do conflito foi o desmembramento do Império. Além disso, em artigos posteriores sobre os papas e a sua relação com o Grande Conflito, vou tentar mostrar como o destino da Áustria tem muito a ver com sua ligação com o Papado e como, nos anos mais críticos de 1917-1918, a política da Áustria estava em pleno acordo com os objectivos do Papa Bento XV. Que o fracasso da Áustria-Hungria marcou a exclusão da voz dos papas dos conselhos da Europa moderna, simplesmente confirma o fato de que, historicamente falando, o prestígio e a influência do altar e do trono têm aumentado e diminuído em conjunto.

A) Europa Pré-1914: A Torre Orgulhosa

Quando olhamos para a Europa de 1914, somos forçados a admitir um fato incontestável: funcionava. Com isso, quero dizer que existia uma sociedade, sustentada pelas mesmas instituições que tinham-na amparado por mais de um milênio (por exemplo, a aldeia rural, a Igreja, as dinastias reais, as aristocracias transnacionais). Esta sociedade estava confiante em si mesma, testemunhando a colonização européia do mundo este ano. Suas taxas de natalidade eram muito altas; seus reis eram venerados e, mesmo, amados. A indústria, mesmo na Rússia agrária, foi se expandindo a uma taxa desconhecida na anterior história da humanidade.

Por que, em um mundo em que as luzes estavam finalmente brilhando, elas tão de repente se apagaram? Estou, é claro, referindo-me aqui a famosa declaração de Sir Edward Grey, secretário britânico das Relações Exteriores em 1914 e, ironicamente, um dos homens mais responsáveis ​​pelo início do conflito sangrento, no qual ele comentou sobre as luzes de Whitehall gradualmente sendo extintas à noite, em agosto de 1914, quando o Império Britânico e o Império Alemão foram à guerra. "As luzes estão se apagando por toda a Europa; não vamos vê-las acesas novamente em nossa vida".

Como pode ser que as luzes da "Torre Orgulhosa", como Barbara Tuchman nomeou seu livro sobre a Europa pré-guerra, tenham ido embora? Como é possível que uma civilização que estava melhor alimentada, alojada melhor que qualquer outra no passado, uma de alfabetização quase universal --- foi afirmado por alguns historiadores contemporâneos que há mais analfabetismo na Inglaterra hoje do que em 1914 - uma civilização em que as normas da cultura e do debate parlamentar eram tão altas que, na década de 1890, em Berlim, havia até um mercado negro de ingressos para as galerias públicas do Parlamento alemão, caiu no esquecimento devido ao auto-abate?

Aqui, pode-se dar fatos históricos e opiniões sobre bastidores da diplomacia, os níveis de tropas, o estado das estradas de ferro, e postura geopolítica, no entanto, estas coisas somente eram apenas manifestações de uma desorientação mais fundamental na vida européia, aquela que São Pio X identificou em sua encíclica inaugural E Supremi Apostolatus em 4 de outubro de 1903. Aqui, o Papa, falando de sua própria época, diz: "como se poderia esperar encontramos extinto entre a maioria dos homens todo o respeito ao Deus Eterno, e nenhuma consideração prestada nas manifestações da vida pública e privada à Suprema Vontade."

É isso, talvez, este pensamento que São Pio X tinha em mente quando, em 28 de julho de 1914, o embaixador austríaco apareceu diante de Pio X para informá-lo que o Império tinha formalmente declarado guerra contra o Reino da Sérvia. Durante esta reunião, o embaixador pediu ao Papa para abençoar as armas do exército imperial e real da Áustria e Hungria. A isso Pio X respondeu: "Diga ao Imperador que eu não posso abençoar nem a guerra, nem aqueles que desejaram a guerra. Eu abençôo a paz". Quando o embaixador então seguiu com um pedido de bênção pessoal para o imperador, Franz Josef, o Papa afirmou: "Eu só posso rezar para que Deus possa perdoá-lo. O Imperador deve considerar-se sortudo por não receber a maldição do Vigário de Cristo!".

Qual teria sido o resultado de uma bênção papal ou de uma maldição papal nunca se saberá. O que está claro, porém, é que o Papa São Pio X percebeu o que imperador Franz Josef e a maioria dos generais europeus parecem ter se esquecido, pela declaração de guerra contra a Sérvia, o monarca Habsburgo havia soltado os cachorros de uma luta longa e assassina que iria nivelar tudo o que sua dinastia tinha construído ao longo de cerca de 700 anos.

Qual era exatamente a situação europeia, que deu a São Pio X tal preocupação em 1914? Como a "guerra de curta duração" que todos planejaram, tornar-se-ia a Grande Guerra, que pouquíssimos, exceto o Papa, previram? Para entender a situação europeia, de um modo geral, tal como existia em 1914, deve-se focalizar a atenção sobre duas outras datas, a da Revolução Francesa de 1789 e a da derrota de Napoleão e da restauração do sistema monárquico em 1815. A Revolução Francesa, um ressurgimento de entusiasmo por duas formas antigas de governo, o da república e o da democracia, havia aterrorizado a grande massa de europeus - e americanos - por sua violência, sua estúpida derrubada de antigas instituições, e sua impiedade anticlerical e hostilidade a tudo o que era cristão. Esta aberração política guiada pela inveja teria sido sufocada em 1795, por uma multidão monarquista em Paris, que estava reagindo à guerra, à fome incessante, e ao anticatolicismo da regicida Primeira República, se um corso jovem de origem italiana, Napoleão Bonaparte, não tivesse usado uma metralha sobre a multidão em busca de justiça. Esta intervenção salvou a República, a herança da Revolução, e criou as condições necessárias para espalhar esse fervor Revolucionário em toda a Europa.

Foi exatamente isso que aconteceu quando Napoleão Bonaparte institucionalizou a Revolução no Primeiro Império. Fazendo a si mesmo Jacobino coroado, Napoleão tentou trazer a revolta maçônica para toda a Europa, de Lisboa a Moscou. Ele não conseguiu, após uma geração de guerra devido à vitória do Almirante Nelson na Batalha de Trafalgar e da sua derrota para o Duque de Wellington na Batalha de Waterloo em 1815. Após o Congresso de Viena, as potências europeias da Rússia, Prússia (que viria a se tornar líder do Segundo Reich alemão), Áustria, Grã-Bretanha, e a França monarquicamente reabilitada, estabeleceram-se em uma um tanto tensa e relativamente estável ordem política de impérios multi-nacionais unidos pela lealdade a um monarca e pelo desejo comum de evitar outro surto da barbárie que foi experimentado durante a Revolução Francesa. Por, aproximadamente, 100 anos este sistema foi a Ordem Europeia, apesar de sentimentos democráticos e revoltas, do republicanismo francês e seitas maçônicas sempre agindo como células cancerosas prontas para matar o corpo dessa Ordem.

Foi em participação especial que a Grande Ordem Europeia se viu entrar na incerteza do século XX. Este Sistema firmemente interligado tinha uma especial preocupação e ponto de instabilidade: o Império Otomano, a Turquia, o "Homem Doente da Europa". Os turcos Osmanli, uma tribo turco-tártara islâmica fora da Ásia Central, no início do Renascimento começaram a empurrar os gregos bizantinos para fora da Ásia Menor e, finalmente, cruzaram pela Europa, onde subjugaram os búlgaros, sérvios, gregos e bósnios. O ponto alto do avanço islâmico turco foi em 1683 às portas de Viena, onde o rei polonês Jan Sobieski os parou. A partir de então houve uma retirada lenta e agonizante em toda a Península Balcânica, até o século XIX, quando os otomanos perderam a soberania sobre a Sérvia, Grécia e Romênia. Durante a Guerra dos Bálcãs de 1912-1913, as propriedades europeias do sultão foram reduzidas à Trácia Oriental ou às propriedades que a Turquia tem até hoje. Devido à mistura étnica e religiosa desta área, e a vulnerabilidade dos pequenos reinos, que, como rochas marítimas, surgiram com a recessão do dilúvio islâmico, a instabilidade crônica, que caracterizou a região, teve que ser "resolvida" pelos impérios multinacionais da Áustria ou da Rússia.

B) Bósnia, 1914: O Poder Keg Inflama [1]

À luz do vácuo de poder que estava se desenvolvendo nesta região altamente volátil da Europa, a Conferência de Berlim de Potências Européias outorgou as antigas províncias turcas Bálcãs da Bósnia e Herzegovina para a Áustria-Hungria em 1878. Bósnia e Herzegovina, com sua capital em Sarajevo, eram províncias difíceis de governar, uma vez que eram preenchidas por uma mistura étnica e religiosa dos sérvios ortodoxos, que foram aliados de uma maneira muito informal ao império do Czar no Oriente, dos croatas católicos, que viam a si mesmos como um corte sobre os sérvios por conta de suas ligações com Viena e Budapeste e, finalmente, os muçulmanos, que eram, na verdade, os croatas que apostataram ao Islã quando a região estava sob o jugo turco. É muito possível que este distrito diverso pudesse ter permanecido tranquilo se não fosse pelas ações subversivas de sérvios bósnios que desejavam se juntar ao reino sérvio ao leste. Após a guerra dos Bálcãs de 1912-1913, a Sérvia dobrou de tamanho criando um chamado quase irresistível para os seus irmãos bósnios. Aqui, novamente, tal situação não precisava ter se desenrolado da forma como se desenrolou, se comandantes militares e agentes sérvios não tivessem treinado e armado jovens bósnios sérvios com táticas subversivas e terroristas de lugares seguros através da fronteira na própria Sérvia. Os historiadores que escrevem sobre este período não contestam o fato desta atividade por parte dos sérvios. Como veremos mais tarde, o Papa São Pio X não contestou o fato de que os sérvios estavam agindo para subverter a Áustria-Hungria, nem se opôs sobre "disciplinar" esta nação renegada pela monarquia dos Habsburgos.

Á Áustria dos Habsburgos realmente tentou fazer avançar o nível de civilização e educação dos bósnios durante os anos antes da guerra. Depois de anexar o território formalmente às terras da Monarquia em 1908, evitando assim qualquer esperança por parte dos turcos ou sérvios de recuperar o território (o território havia sido controlado pelos sérvios antes das invasões turcas), os austríacos construíram 4.000 quilômetros de ferrovia, 5.000 escolas (por conta de que metade da população estava alfabetizada em 1914), e estradas e prédios públicos por toda a capital, Sarajevo. O que foi mais importante, no entanto, do ponto de vista da Grande Guerra, é que o herdeiro do trono imperial, o arquiduque Franz Ferdinand, trabalhou ativamente para estabelecer uma divisão de três partes dos domínios dos Habsburgo, o que implicaria a configuração de um reino eslavo do Sul, reinado pelo monarca de Habsburgo, que incluiria os croatas e os sérvios em uma estrutura política unificada que teria tanta autonomia quanto o Reino da Hungria. Pensa-se que este plano sério foi muito temido por aqueles nacionalistas sérvios que não podiam admitir a ideia de sérvios sendo incorporados em um estado multi-étnico pacífico.

A situação veio à tona em junho de 1914, quando o arquiduque Franz Ferdinand (note que isso foi antes dos dias dos “chicken-hawks” [2] de poltrona), como inspetor do Exército, foi ver as manobras militares na Bósnia e, em seguida, com sua esposa, a duquesa de Hohenburg, foi fazer uma visita de cortesia a Sarajevo em 28 de junho, o dia de um grande feriado sérvio comemorativo da batalha de Kosovo. Um fino cordão militar era a única proteção para o carro do arquiduque nas ruas de Sarajevo. Um nacionalista sérvio jogou uma bomba, no entanto, não foi até a tarde que o arquiduque e sua esposa, ansiosa para visitar um oficial de sua equipe de segurança que foi ferido, foram mortos a tiros pelo nacionalista sérvio Gavrilo Prinčip. Prinčip, depois do fracasso para alcançar seu alvo na parte da manhã, descobriu que, devido à uma curva errada para baixo numa rua lateral não manobrável, o carro do arquiduque dirigiu até ele, muito lentamente, e parou. Prinčip disparou várias vezes antes que ele fosse dominado, e o arquiduque e sua esposa foram mortos.

C) O Dilema do Austríaco e o Apelo do Papa Pela Paz

Na noite de 28 de junho de 1914, o Papa estava incomodado com uma apreensão crescente. Ele chamou seu secretário de Estado. Merry del Val ficou assustado com a aparência do Santo Padre. Medo e preocupação estavam expressos em suas feições, e a mão que ele estendeu tremeu. "Il guerone, a guerra mundial", sussurrou Pio. "Eu sei que está quase em cima de nós." "Ah, não, Santo Padre", "O céu político está sem nuvens. Não há perigo; os diplomatas estão se preparando para viajar durante as férias." Ao ouvir isso, Pio X balançou a cabeça em desaprovação: "Nós não vamos passar 1914 em paz", gemeu Pio, "Acredite em mim, Eminência". Uma batida na porta, em seguida, interrompeu a conversa. Uma missiva foi entregue ao Papa Pio. Um olhar sobre a folha e sua mão trêmula a deixou cair. Empolgado, Merry del Val pegou o papel e leu que o herdeiro austríaco e sua esposa tinham sido assassinados. Ainda não vendo todas as implicações do evento, o Cardeal tentou diminuir a ansiedade do Santo Padre, argumentando que um evento como esse não se desenvolveria numa guerra de escala continental. "Óh meu Senhor", gemeu o Papa. Então Pio arrastou-se para a sua capela e caiu de joelhos diante do tabernáculo.

O que o Papa viu e o que o Cardeal não conseguiu ver foi que a situação precária das entrelaçadas alianças europeias não seriam capazes de simplesmente ignorar um evento tão chocante como o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand. O que o Papa parece ter percebido na época, era que a Áustria seria "necessária" para se mover, a fim de preservar seu prestígio no conjunto das nações e, ainda, "incapaz" de se mover sem hipotecar a sua segurança e soberania para o seu vizinho alemão. Mesmo que nenhuma informação tenha surgido sobre a natureza específica da atividade diplomática do Papa de 28 de junho de 1914 a 04 de agosto de 1914, o dia em que os britânicos deram um ultimato que provocou a guerra com a Alemanha, é claro, pelo que se sabe que único desejo do Papa era que a guerra não acontecesse de jeito nenhum. Mesmo que ele obviamente tenha apreciado o serviço que a Áustria tinha prestado à Igreja Católica contra os protestantes ao Norte e os cismáticos ao Oriente, a partir do conteúdo da entrevista entre o embaixador da Áustria e do Papa em 28 de julho, é claro que ele não aprovou de forma alguma a decisão da Áustria de ir à guerra, a fim de resolver o problema sérvio. Na verdade, houve algumas testemunhas que disseram que o Papa escreveu uma carta ao imperador Franz Josef, implorando-lhe para evitar uma guerra. Mas, o Cardeal Merry del Val mesmo disse que ele não tinha conhecimento desta carta, não há nenhum vestígio dela nos arquivos austríacos ou romanos.

Em julho de 1914, a iniciativa estava com a Alemanha. Como as 48 ½ divisões da Áustria não poderiam lidar adequadamente com as 11 da Sérvia, especialmente se aquelas 11 fossem apoiadas por 114 ½ divisões de infantaria da Rússia e um aliado francês, a Alemanha tinha que ficar pronta para apoiar os Habsburgos se o caminho da guerra com a Sérvia fosse escolhido. A atitude alemã relativamente a guerra, as várias opiniões dentro da liderança alemã em si, e a seqüência de eventos que precipitaram a invasão alemã da Bélgica e Luxemburgo não são fatos históricos que podem ser facilmente discernidos. O fato alemão que, talvez, tenha sido o mais incompreendido é o da pessoa do imperador alemão Wilhelm II. Não parecia haver nenhuma hostilidade aberta a Wilhelm II por parte de São Pio X. Sabe-se que Wilhelm, da Casa de Hohenzollern (cujo ramo sênior é católico na religião), não era abertamente hostil à Igreja Católica. Ele era o único que havia rejeitado Otto von Bismark, o "Chanceler de Ferro" da Kulturkampf anti-católica, ele gostou muito de viagens que fez para visitar o papa no Vaticano, e foi fundamental para permitir que os jesuítas voltassem para a Alemanha após o governo de Bismark. A Casa de Hohenzollern, claro, permitiu que os jesuítas existissem na Prússia, depois que eles foram extintos no resto da Europa devido a gratidão do Hohenzollern por uma crítica intervenção jesuíta no início do século XIX, o que permitiu que o Duque da Prússia recebesse uma coroa real do Sacro Imperador Romano. Quanto à responsabilidade de Wilhelm sobre a eclosão da guerra mundial, dois historiadores alemães G.P. Gooch e Arthur Rosenberg investigaram essa questão depois da guerra. Eles foram contratados para fazer esta investigação pelo governo socialista republicano da Alemanha e, ainda assim, esses historiadores vieram com um relatório negativo. Não há evidências de que Pio X tenha pensado que o Kaiser fosse o principal responsável também.

Se a iniciativa estava com os alemães, qual era o pensamento estratégico deles no verão de 1914? A este respeito, é claro que os alemães estavam principalmente preocupados com o maciço progresso militar da Rússia tanto quanto aos números quanto ao seu exército, o seu desenvolvimento de uma frota naval do Báltico, e sua construção de ferrovias pela Polónia ao lado da fronteira alemã. O embaixador alemão nos Estados Unidos, Kanitz, em 30 de julho de 1914, indicou que o alemão não podia esperar enquanto a Rússia completava seus planos para organizar um exército de 2,4 milhões de homens. Com a ferrovia francesa financiada logo capaz de mover esses números enormes para dentro de 100 quilômetros de Berlim, a capital imperial, o pensamento do Estado-Maior Geral alemão era que, se uma guerra viesse, era preferível que ela viesse mais cedo do que mais tarde. Como o ministro alemão Riezler, baseando a sua afirmação sobre a inteligência militar na mão, declarou: "Após a conclusão das suas [da Rússia] ferrovias estratégicas na Polônia a nossa posição será insustentável... O Entente sabe que estamos completamente paralisados." O que parece confirmar esta mentalidade pré-guerra dos alemães são as declarações de duas das principais figuras políticas e diplomáticas no mundo anglo-americano, Sir Edward Grey, secretário liberal das Relações Exteriores Britânicas, e o coronel House, principal conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. Segundo Grey, em julho de 1914: "A verdade é que, enquanto anteriormente o governo alemão tinha intenções agressivas... agora eles estão realmente alarmados com os preparativos militares na Rússia, o aumento potencial em suas forças militares e, particularmente com a construção prevista, com a insistência do governo francês e com dinheiro francês, de ferrovias estratégicas convergindo para a fronteira alemã... A Alemanha não tinha medo, porque ela acreditava que seu exército seria invulnerável, mas ela tinha medo de que em poucos anos, portanto, ela poderia ter medo... A Alemanha tinha medo do futuro." O coronel House confirma esta avaliação em uma carta que escreveu para Wilson antes do assassinato do arquiduque Franz Ferdinand: "Quando a Inglaterra consentir, França e Rússia vão fechar-se sobre a Alemanha e a Áustria."

D) A Agonia de Verão do Papa e da Europa Cristã

Em uma audiência de despedida em 30 de maio de 1914, Dr. Chaves, o embaixador brasileiro, que havia sido chamado para casa por seu governo, indicou ao Papa São Pio X que ele não tinha dúvidas a respeito dos eventos mundiais. No decorrer da conversa, no entanto, o Papa perguntou:

 - "Você está feliz, Embaixador por poder voltar para o Brasil? Você não vai ser uma testemunha da guerra."

- "A sua Santidade fala sobre o conflito dos Bálcãs?"

 - "Não, não, o problema dos Bálcãs é apenas o começo de uma conflagração mundial que não posso evitar."

Nós vimos essa estranha visão profética antes em Pio X nos meses antes da eclosão da Grande Guerra, o que não vimos até o momento é essa compreensão que ele, como Sumo Pontífice era impotente, no cenário geopolítico, para deter o conflito por quaisquer tipo de meios naturais. "Nos tempos antigos, o Papa com uma palavra podia parar a matança, mas agora eu sou impotente."

As palavras do Papa São Pio X foram as mesmas para um consistório privado em 25 de maio de 1914, quando ele disse aos cardeais reunidos: "Mais do que nunca o mundo suspira pela liberdade. E ainda vemos como nação se levanta contra nação, raça contra raça, e nós sabemos como o ódio se transforma em guerra terrível." Além disso, dias antes, o Papa disse: "A tragédia que está chegando é uma que eu sou impotente para ajudar os homens a escapar e que eu não serei capaz de parar. Tenho o maior ministério de paz, e se eu não puder proteger a segurança de tantas vidas jovens, quem pode - quem irá?". Neste consistório no qual foi concedido ao seu sucessor Giacomo della Chiesa (Papa Bento XV) o chapéu vermelho, o Papa se mostrou pessimista sobre as chances dos homens de boa vontade para evitar a catástrofe por vir: "a menos que ao mesmo tempo seja feita uma tentativa para estabelecer nos corações dos homens as leis da paz e da caridade. A paz ou o conflito na sociedade civil e no Estado dependem menos daqueles que governam do que das próprias pessoas." Este pessimismo em relação à sua capacidade de influenciar os problemas em cascata inundando a Europa não deve ser tomado como um fracasso em apreciar o papel do Soberano Pontífice no mundo dos assuntos humanos. Na verdade, quando olhamos para as declarações do Papa no início do seu pontificado sobre o papel do papa em assuntos políticos e sociais, podemos compreender mais perfeitamente a sua profunda decepção por ser incapaz de afetar a situação europeia em qualquer forma. No primeiro consistório de seu pontificado, em 09 de novembro de 1903, o Papa São Pio X enfatizou o papel do papa como o supremo mestre da Lei Moral e seu direito e dever de desempenhar um papel integrante na política do mundo. Aqui, ele afirmou que: "Nosso programa é renovar tudo em Cristo, Cristo é a verdade, e nós tornaremos o nosso primeiro dever pregar a verdade e explicar em linguagem simples que pode penetrar as almas de todos e imprimir-se sobre sua vidas e conduta... Estamos convencidos de que muitos irão se ressentir de nossa intenção de tomar parte ativa na política mundial, mas qualquer observador imparcial vai perceber que o Papa, a quem o cargo supremo de professor foi confiado por Deus, não pode ficar indiferente a assuntos políticos ou separá-los das preocupações de Fé e Moral. E como chefe e líder da Igreja, uma sociedade de seres humanos, o Papa deve, naturalmente, entrar em contato com os governadores da terra daqueles seres humanos... Um dos principais deveres do ofício apostólico é refutar e condenar as doutrinas errôneas e opor-se as leis civis em conflito com a lei de Deus e, assim, preservar a humanidade de trazer sua própria destruição.

Simultaneamente aos seus esforços diplomáticos para evitar a guerra, o Papa Pio começou a organizar um Congresso Eucarístico, para acontecer em Lourdes de 22 a 26 de julho de 1914. O Papa claramente acreditava que a única solução era que os fiéis, em oração, se valessem da misericórdia do Amor Divino e da solicitude maternal de Nossa Senhora. "Devemos orar. Somente o Céu pode ajudar --- Deus e a Virgem Santa." De um nível puramente natural, é de cortar o coração ver a confiança como a de uma criança que o Papa colocou em Nosso Senhor e de Sua Mãe Santíssima, especialmente quando vemos as suas declarações esperançosas, retrospectivamente, a partir da perspectiva da catástrofe da Grande Guerra. De fato, sua declaração gravada: "Devemos orar. O mundo inteiro deve orar... o Senhor e Sua Mãe podem evitar a provação, eu quero um Congresso Eucarístico que será realizado em Lourdes. Talvez " só pode ser realmente apreciada sem piedade piegas, se considerarmos essa esperança através dos olhos da fé e com aparição de Nossa Senhora de Fátima em mente. Atrevo-me a dizer que a aparição de Nossa Senhora, sua mensagem e os milagres em Fátima são uma resposta direta ao pedido de oração do Papa.

O Congresso Eucarístico em si foi um grande evento, que reuniu povos de todo o mundo, todos unidos em espírito e oração. Houve palestras, conferências, e cerimônias litúrgicas. A cada noite, havia grandes fogueiras. Tudo terminou com o canto de um grande hino eucarístico de louvor escrito por São Tomás de Aquino, o Tantum Ergo. Dentro de dias, as armas de guerra foram ouvidas sobre as fronteiras. Deus iria responder as orações dos fiéis, mas no Seu tempo e à Sua maneira.

Em um dos últimos dias de julho daquele ano fatídico, o Cardeal di Belmonte, Delegado Pontifício para o Congresso, voltou a Roma e disse ao Santo Padre que, apesar da crescente onda de ódios nacionais, não havia dúvida de que o Papa era muito amado em toda a terra: cada vez que o nome de Pio era mencionado grande entusiasmo havia sido mostrado pelas multidões reunidas em Lourdes. O Papa havia provado a si mesmo ser o que os papas deveriam ser devido ao seu ofício sagrado e exaltado: Pai de toda a Cristandade - uma cristandade que em breve perderia sua reivindicação de uma presença visível no mundo dos homens.

E) A Paixão de Agosto

Em 29 de julho de 1914, apenas três dias após o término do Congresso Eucarístico e um dia depois da declaração de guerra contra a Sérvia pela Áustria, os russos ordenaram uma mobilização parcial das suas forças armadas. Esta era exatamente a ação que ameaçava encontrar uma reação da Alemanha. A Alemanha estava comprometida com um plano estratégico nomeado depois do general Von Schlieffen, em que a mobilização pela Rússia ou França seria recebida com uma invasão imediata da França e uma declaração de guerra e, depois, uma invasão do leste da Rússia. A fim de evitar o vício do cerco pelos da Tríplice Entente, a Alemanha acreditava que ela primeiro deveria bater a França para fora da guerra, antes de voltar para uma Rússia que estava lentamente se mobilizando. Embora o imperador Nicolau II da Rússia tivesse garantido aos alemães que essa mobilização parcial não significava guerra, os alemães declararam que, no entanto, eles seriam forçados a se mobilizar. O ministro Pan-eslavo das Relações Exteriores, Sazonov, e o Chefe do Estado-Maior, Nikolai Yanuskyevich, estavam comprometidos com a plena mobilização e, finalmente, persuadiram Nicolau II a concordar com ele em 30 de julho. Aqui o primo de Nicolau, o imperador alemão apelou para o imperador russo para parar a mobilização ou isso significaria guerra. Estes apelos ao monarca russo foram em vão por conta da insistência inflexível na mobilização pelo General Yanuskyevich. Após a guerra, Yanuskevich declarou  agir como ele agiu com relação aos princípios Pan-eslavos (a crença de que todos os povos eslavos devem ser unidos sob a hegemonia russa), os sentimentos que ele sabia que o imperador, sendo de origem tanto dinamarquesa quanto alemã não partilharia. Assim, nos últimos dias de julho de 1914, Yanushkyevich resolveu "quebrar o meu telefone e, geralmente, adotar medidas que impeçam alguém [ou seja, o Csar] de encontrar-me com a finalidade de dar ordens contrárias que voltariam a parar a nossa mobilização." Se a Rússia continuou a se mobilizar, os alemães insistiram que não tinham outra opção senão fazer o mesmo. Isso significou, por conta da ofensiva/defensiva do plano de Von Schieffen, a invasão da Bélgica e da França. A "Guerra por calendário" entre as quatro potências continentais começou no momento em que a Rússia decidiu pela plena mobilização. Para colocar de uma forma simples: a I Guerra Mundial começou quando Yanushkyevitch, com a ajuda do ministro russo da Guerra, Sukhomlinov, transformou o conflito armado austro-sérvio em uma guerra mundial preparando, portanto, para a vinda do comunismo e da "propagação dos erros da Rússia" em todo o mundo.

O tempo da religio depopulata estava se aproximando rapidamente. Em 02 de agosto, o Papa dirigiu uma advertência com palavras duras para o mundo inteiro e pediu a todos para orar. Pio estava esgotado de tristeza e preocupação. Ele só podia arrastar-se para seu público, mas não tinha forças para falar a multidões. "Meus filhos, meus filhos, eu sofro por todos que morrem em campo de batalha” “Oh, essa guerra. Eu sinto que essa guerra é a minha morte. Mas eu alegremente ofereço a minha vida pelas crianças e pela paz no mundo.” Durante a primeira metade de agosto, Pio X abençoou grupos de peregrinos em silêncio, mas não fez nenhum discurso público. Ele dormia menos do que costumava. Entretanto sua saúde antes dos últimos cinco dias de sua vida parecia muito boa e nem seus médicos nem suas irmãs que ajudaram a tomar conta dele quando ele assumiu residência no Vaticano, estavam preocupados com a saúde dele.

Depois de conceder sua última audiência na Festa da Assunção, a um grupo de americanos – como ele tinha entretido na primeira audiência de seu pontificado em 1903 – ele caiu com uma febre leve em 19 de agosto e ficou completamente prostrado. Agora ele percebia a gravidade de sua situação e é lembrado que ele disse: “Que a vontade de Deus seja feita. Eu acho que é o fim. Talvez Ele em Sua bondade deseje poupar-me dos horrores que irão abater a Europa.” Naquela tarde o Cardeal Merry del Val ao ouvir dos médicos que o Papa estava acometido de pneumonia, ficou sem esperanças pela sua recuperação: “Ele sofreu muito por causa da tensão dos eventos públicos para conseguir resistir a uma doença grave”. De acordo com seu médico Dr. Machiafva, Pio X disse: “Eu estou oferecendo minha miserável vida como holocausto para prevenir o massacre de tantos dos meus filhos.” Então, nas primeiras horas de 20 de agosto, com os sinos tocando por Roma indicando a agonia final do Papa, ele falou suas últimas palavras, que, de acordo com os mais recentes estudos foram um ato de confiança. No seu próprio dialeto veneziano ele disse: “Gesu, Giuseppe e Maria, vi dono il cuore de l’anima mia! (Jesus, José e Maria, eu entrego a vós o coração da minha alma!). O católico, o camponês, o pontífice, e o amante de tantas almas humanas eram um só no momento de perfeita e total autorrendição.

Original aqui.
_________________________________Notas da tradutora:
 [1] Poder Keg: no original Keg Power. O termo origina-se de “powder keg” que é uma barreira feita com pólvora. É usado como metáfora para questões políticas, sociais, históricas que envolvem regiões que podem levar a explosões de violência. O termo é usado para tratar de territórios que parecem estar calmos, mas que explodem repentinamente. Muito utilizado para se referir a região dos Bálcãs e ao assassinato de Franz Ferdinand (acontecido em Sarajevo, Bósnia-Herzegovina) que deu origem a I Guerra Mundial.
[2] “chicken-hawks”: literalmente “galinhas-falcões”. Termo que se refere a pessoas que querem a guerra sem se envolver pessoalmente nela, sem terem feito serviço militar, sem irem para o campo de batalha. Então o autor aqui alude aos líderes de hoje que defendem ou fazem a guerra sentados em suas poltronas, em seus gabinetes protegidos, sem nem passarem perto de um campo de batalha.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Uma visão geral sobre a implantação do aborto







Prepare-se para o que você vai ficar sabendo agora, tenho convicção que depois de ler este artigo você nunca mais vai ver a questão do aborto da mesma forma.
De forma bem resumida e acompanhando uma linha histórica você vai saber tudo sobre os reais motivos da implantação do aborto no mundo.
Vinculado ao conhecimento sobre a real intenção abortista, proponho às pessoas de boa vontade, uma organizada, entusiasmada e sistemática defesa da vida humana.

Considerando a trama orquestrada abortista,  cito aqui um trecho do documento Evangelii Nuntiandi do Papa Paulo VI : “A Igreja se sentiria culpada diante do seu senhor se ela não lançasse mão desses meios potentes que a inteligência humana torna a cada dia mais aperfeiçoados. É servindo-se deles que ela ‘proclama sobre os telhados’ a mensagem de que é depositária”

O que faz toda a trama promotora do aborto ser ainda mais nociva é a quase total ignorância por parte da sociedade a respeita dela.

Introdução

Durante esta apresentação, inevitavelmente, passaremos por algumas questões morais, éticas e políticas, mas vamos nos deter na questão ideológica que culmina, obviamente, em ações concretas, deixando para outra ocasião as questões biológicas, teológicas, filosófica e psicológicas que envolvem o tema.

Gostaria de começar citando uma notícia recente: “DUPLA DE ESPECIALISTAS DEFENDE O DIREITO DE ASSASSINAR TAMBÉM OS RECÉM-NASCIDOS.”
Por Reinaldo Azevedo – colunista da revista VEJA

“Os neonazistas da 'bioética' já não se contentam em defender o aborto; agora também querem a legalização do infanticídio! …! E ainda atacam os seus críticos, acusando-os de “fanáticos”. “Os acadêmicos Alberto Giublini e Francesca Minerva publicaram um artigo no, ATENÇÃO!, “Journal of Medical Ethics” intitulado “After-birth abortion: why should the baby live?“ – literalmente: “Aborto pós-nascimento: por que o bebê deveria viver?” Ao longo da reportagem é relatado os argumentos daqueles que defendem o infanticídio.
Justificando o assassinato em vez de entregar a adoção, disseram: 'Precisamos considerar os interesses da mãe, que pode sofrer angústia psicológica ao ter de dar seu filho para a adoção.'
'A mãe que sofre pela morte da criança deve aceitar a irreversibilidade da perda, mas a mãe natural [que entrega filho para adoção] sonha que seu filho vai voltar. Isso torna difícil aceitar a realidade da perda porque não se sabe se ela é definitiva'.

Resumindo, já estamos presenciando a defesa do infanticídio em revistas científicas e a tendência é relaxar ainda mais os parâmetros morais. Estamos à beira de uma catástrofe moral.

De onde surgiu o atual movimento abortista?

O movimento pró-aborto atual, com intuitos políticos, tem início em 1920 com Lênin na União Soviética marxista ateia.

O primeiro país do mundo a legalizar o aborto foi a União Soviética em 1920. Segundo as leis daquele país, os abortos seriam gratuitos e sem restrições para qualquer mulher que estivesse em seu primeiro trimestre de gravidez. Os hospitais soviéticos tinham os chamados “abortórios“, unidades especiais criadas para realizar abortos em ritmo de produção em massa. Segundo relatos de médicos estrangeiros que visitaram a União Soviética em 1930 para estudar a implantação do aborto, um labortório com 4 médicos era capaz de realizar 57 abortos em 2 horas e meia. Desde 1913 Lênin já defendia a legalização do aborto.

Depois foi implantado por Adolf Hitler em 1935.

O segundo país a legalizar o aborto foi a Alemanha Nazista em 1935, mediante uma reforma da “Lei Para Prevenção de Doenças Hereditárias Para a Posteridade“, que permitia a interrupção da gravidez de mulheres consideradas de “má-heredietariedade” (ou seja, “não-arianas” ou portadoras de deficiência física ou mental). Posteriormente esse programa pró-aborto nazista foi ampliado e acabou se transformando em um programa de “eutanásia de crianças” em larga escala, chegando a um ponto onde até mesmo crianças arianas sem defeitos físicos eram mortas apenas por razões sociais. A morte era assistida por médicos pediatras e psiquiatras. Com o tempo, a idade das crianças mortas ia ampliando e no final até mesmo crianças arianas eram mortas por razões banais como orelhas deformadas ou até mesmo por urinarem na cama ou ainda por serem consideradas difíceis de educar.

Em meados de Julho de 1942, Karl Brandt, médico pessoal de Hitler, e Martin Bormann, secretário pessoal de Hitler, viajaram pela Ucrânia com a finalidade de estudarem a sua demografia. Hitler assumiu as conclusões desse estudo:

“A fertilidade dos eslavos não é desejável. Podem usar contraceptivos ou praticar o aborto – quanto mais, melhor. Tendo em vista a grandeza das famílias só nos pode servir que as moças e as mulheres façam o maior número de abortos possíveis.” [1]

A política de controle populacional incluía um parágrafo que parafraseava Hitler: “Quando as moças e as mulheres dos territórios ocupados do Leste provocam o aborto, só podemos estar a seu favor; para todos os efeitos não nos devemos opor a isso ” [2]

[1] A. Hitler, citado in 1. William Shirer, The Rise and Fall of the Third Reich, London, Pan Books, 1964, p. 1,118.
Documento fonte: Nuremberg # 1130-PS, ‘Nazi Conspiracy and Agression,’ Volume VIII, p. 53. 2. Hillel and Henry, Of Pure Blood, p. 148, citando ‘Tigesprache im Fuhrerhauptquartier’.
[2] Leon Poliakov, Harvest of Hate, Syracuse, New York, 1954, pp. 272-274. Também Kamenetsky, pp. 197-199.


Como e quando o aborto se torna projeto mundial?

Em 1952, o bilionário americano, John Rockefeller, na época, o 2º homem mais rico dos Estados Unidos, preocupado com o crescimento populacional no mundo, pois era uma ameaça à soberania americana, decide investir pesado em projetos de controle demográfico e cria, juntamente com 26 especialistas em demografia, o Conselho Populacional.
Este Conselho deixou clara a posição de que somente através da implantação do aborto seria possível controlar a explosão demográfica mundial.

Rockefeller conseguiu nas três primeiras décadas, estabelecer em diversos países nos cinco continentes, departamentos de demografia, fábricas de DIU’s e na África e Ásia programas de planejamento familiar.

Em 10 anos, Rockefeller gastou mais de 1 bilhão e 700 mil dólares para promover o controle demográfico.
Ao longo dos anos foram se ajuntando a ele várias instituições e empresas privadas, políticos e fundações gigantes como: Fundação FORD, Fundação MacArthur, OAK Fundation e Global Fund for Women.
As ONG’s e movimentos feministas recém criados tomaram o mundo sendo patrocinados por essas fundações.


O Relatório Kissinger

Definitivamente se mostrou como projeto mundial em 1974 com a apresentação do “Documento do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos”, também chamado de “Relatório Kissinger”, pois foi assinado pelo então secretário de Estado Henry Kissinger.

Esse documento foi classificado como confidencial e tem como título: “Implicações do crescimento da população mundial para a segurança e os interesses externos dos Estados Unidos” cód. NSSM 200

O Documento foi desqualificado pela Casa Branca em 1989 e isso fez com que se tornasse conhecido amplamente.
O relatório Kissinger foi rejeitado como projeto oficial do Governo americano, porém, enviado a todas as embaixadas dos Estados Unidos, como instrumento de trabalho e posto em prática.

Para tornar a situação ainda pior, as tais fundações e instituições privadas, compraram a ideia e hoje são as grandes financiadoras do projeto contido no Relatório Kissinger.

No Relatório Kissinger encontramos:

“A condição e a utilização das mulheres nas sociedades dos países subdesenvolvidos são particularmente importantes na redução do tamanho da família … As pesquisas mostram que a redução da fertilidade está relacionada com o trabalho fora do lar” (NSSM 200, Pag.151)


“Ter como prioridade educar e ensinar sistematicamente a próxima geração a desejar famílias menos numerosas” (idem pag.111)

“A grande necessidade é convencer a população que é para seu benefício individual e nacional ter em média, só 3 ou então dois filhos” (idem pag.158)
“…devemos mostrar nossa ênfase no direito de cada pessoa e casal determinar livremente e de maneira responsável o número e o espaçamento de seus filhos e no direito a terem informações, educação e os meios para realizar isso, e mostrar que nós estamos sempre interessados em melhorar o bem-estar de todos (idem pag.22, §34)
“Há também o perigo de que alguns líderes dos países menos desenvolvidos vejam as pressões dos países desenvolvidos na questão do planejamento familiar como forma de imperialismo econômico e racial; isso bem poderia gerar um sério protesto” (idem pag.106)
“Prestar serviços de planejamento familiar integrados aos serviços de saúde de maneira mais ampla ajudaria aos EUA a combater a acusação ideológica de que os EUA estão mais interessados em limitar o número de pessoas dos países menos desenvolvidos do que em seu futuro bem-estar” (idem pag.177)
“A assistência para o controle populacional deve ser empregada principalmente nos países em desenvolvimento de maior e rápido crescimento nos que os EUA têm mais interesses políticos e estratégicos especiais. Esses países são Índia, Bangladesh, Paquistão, Nigéria, México, Indonésia, Brasil, Filipinas, Tailândia, Egito, Turquia, Etiópia e Colômbia (idem, pag.14/15, §30)


Quanto diretamente ao aborto o documento diz:

“Certos fatos sobre o aborto precisam ser entendidos: -Nenhum país já reduziu o crescimento de sua população sem recorrer ao aborto. -As leis de aborto de muitos países não são estritamente cumpridas e alguns abortos por razões médicas são provavelmente tolerados na maioria dos lugares. É sabido que em alguns países com leis bastante restritivas, pode-se abertamente conseguir aborto de médicos, sem interferência das autoridades. …sem dúvida nenhuma, o aborto legal ou ilegal, tem se tornado o mais amplo método de controle da fertilidade em uso hoje no mundo (idem.pag. 182/184)


Um breve resumo

Resumindo, eles estão interessados na hegemonia dos países do Norte (desenvolvidos) sobre os países do Sul (subdesenvolvidos). O desenvolvimento dos países mais pobres é uma ameaça para eles.

Explico: Para que os países do Norte continuem sendo potências mundiais, precisam que os países mais pobres não se desenvolvam e continuem dependentes e submissos a eles, fornecendo suas riquezas em vez de consumi-las. Obviamente este é o motivo dos países do Sul não poderem crescer também em números de habitantes, razão pela qual se aplica o Controle Populacional ou Controle Demográfico.

Referente a eles próprios, também querem um povo saudável, inteligente, notável, sem defeitos mentais ou físicos… Enfim, o mais próximo do perfeito, para que comandem o mundo e tenham a mais alta qualidade de vida. Um mundo de poucos e com alta qualidade de vida.

Por isso o interesse em implantar o aborto eugênico (por seleção genética), visando eliminar todos os nascituros portadores de alguma deficiência. Exatamente como Adolf Hitler queria e chegou fazer pelo Nazismo.

Existe também o interesse da lucrativa indústria do aborto, que gera milhões de dólares todos os anos para as clínicas aborteiras.

O tráfico de órgãos e indústria de cosméticos que utilizando gordura de fetos abortados, também tem interesses na desqualificação do nascituro como ser humano.  (Fatos denunciados por Carlos Heitor Cony – Folha de São Paulo – 11/04/2008)

Assim como é do interesse de alguns cientistas que não se assuma que a vida comece na fusão do ovócito com o espermatozoide, porque isso seria empecilho para as pesquisas com manipulações de embriões humanos e para o mercado da fertilização in vitro.


Ações práticas para implantar o controle demográfico

Para conquistar seus objetivos eles investem em alguns princípios que impedem o crescimento e o desenvolvimento dos países subdesenvolvidos, são eles:

·                     Homossexualismo
·                     Feminismo
·                     Cultura da família pequena
·                     Contracepção
·                     Esterilização
·                     Alarde sobre o aquecimento global e explosão demográfica na tentativa de afirmar que o problema do mundo está no número de pessoas.
·                     Abortos

Todas estas coisas implantadas e assimiladas nos países em desenvolvimento têm como consequência a redução drástica da população e por consequência o enfraquecimento do país.

O Brasil foi o único país que reduziu em 20 anos a taxa de natalidade em 50%. Façanha que os promotores do Controle Populacional comemoraram. A taxa de 6 filhos por mulher caiu para 2 da década de 60 até 2006, ou seja, estamos atingindo a taxa incapaz de repor a própria população existente (fonte: Indicadores Socio-demográficos e de Saúde no Brasil – 2009” –IBGE)


A “raça pura” – o aborto como instrumento racista

Sobre o interesse na subsistência de uma “raça pura”, o aborto também foi incorporado como método para eliminar pessoas consideradas de raça inferior ou possuidoras de defeitos físicos e mentais.

A IPPF (International Planning Parenthood Federation)- em tradução: Federação Internacional de Planejamento de Paternidade, cuja fundadora é Margaret Sanger, possui 142 filiais no mundo e no Brasil a BEMFAM, sua afiliada, tem um orçamento médio anual de 2 milhões e meio de dólares para seus projetos.

Margaret Sanger a fundadora e primeira presidente da IPPF declarou suas ideias no livro “Pivot of Civilization” e em sua revista “Birth Control Review”:

“Controle de natalidade – mais filhos dos saudáveis, menos dos incapazes”; “Controle de natalidade – para criar uma raça de puro-sangue”; “Os filantropos que dão recursos para atendimentos nas maternidades encorajem os sãos e os grupos mais normais do mundo a igualar o fardo da irracional e indiscriminada fecundidade de outros, que trazem com ele, sem nenhuma dúvida, um peso morto de desperdício humano. Em vez de reduzir e tentar eliminar as espécies que mais comprometem o futuro da raça e do mundo eles tendem a tornar essas raças dominantes numa proporção ameaçadora”  (M. Sanger, Pivot of Civilization - N. York, Bretano’s, 1992, p. 177, in Father of Modern Society - Elasah Drogin).

Em Um Plano para a Paz (1932), p. 106, Margaret Sanger propôs a criação de um departamento no Congresso Americano para:

“Manter as portas da imigração fechadas à entrada de certos estrangeiros cuja condição seja reconhecidamente prejudicial à força da raça, tais como retardados mentais e disléxicos, idiotas, lentos, loucos, portadores de sífilis, epiléticos, criminosos, prostitutas profissionais e outros nesta classe barrados pela lei de imigração de 1924.” Sanger, "A Plan For Peace", Birth Control Review, April 1932, p. 106

E, seguindo:

Aplicar uma estrita e rígida política de esterilização e segregação àquele grau da população cuja prole já seja manchada por algum defeito ou cujas características genéticas passadas de pai para filho sejam tais que traços censuráveis possam ser transmitidos aos descendentes.

Sanger, "A Plan For Peace", Birth Control Review, April 1932, p. 106

Um outro documento de estratégias para mudanças da legislação, resultante da 9ª Conferência da IPPF -, que aliás é a maior organização privada internacional abortista de controle de população, estabelece:

“Vemos, pois que um terceiro papel das associações nacionais (no Caso do Brasil a BEMFAM) o de encontrar novas áreas para a atividade dos grupos de pressão… poderá exercer pressão em favor de mudanças da legislação referente ao aborto, para colocá-la de acordo com a política da IPPF e as atitudes culturais da população” (Gente sin Opción, pág. 59/60) “De tal modo, as associações nacionais deverão operar até mesmo à margem da lei e até contra a lei, onde a legislação é dúbia ou não está sincronizada com a opinião pública” (idem pág. 77)

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Evidentemente todas essas estratégias e diretrizes não ficaram apenas nesses documentos.
Para materializar essas ações algumas medidas foram tomadas:

a) destinação de recursos nos chamados “Projetos de População”;

b) criação de associações e movimentos feministas para implementarem as medidas;

c) criação e manutenção de um “lobby” junto ao Congresso Nacional para trabalhar pela aprovação de leis que atendam àqueles objetivos;

d) criação e manutenção do “Grupo Parlamentar de Estudos de População e Desenvolvimento” para apresentação e aprovação de projetos de lei que consubstanciassem as medidas propostas;

d) destinação de recursos específicos para “assessoramento” a parlamentares a nível federal.

e) pressão dos países ricos, nas conferências internacionais, para que se adote o “planejamento familiar” com o objetivo de controlar o crescimento da população através da contracepção da esterilização e do aborto.


A ONU compra a ideia

Em 1994, na Conferência Populacional, realizada no Cairo, a ONU manifesta a adesão ao controle demográfico e define conceitos totalmente novos para o mundo, conceitos estes que já vinham sendo defendidos pelas grandes fundações internacionais.

Essa adesão foi um marco para a implantação do aborto, até mesmo pelo prestígio que a ONU gozava e goza perante muitos países no mundo.
Entre as novas diretrizes no documento final emitido pela ONU, provenientes da conferência encontram-se estas:

- O conceito de saúde reprodutiva, considerado como algo mais do que a simples ausência de doenças

-O direito das mulheres ao acesso a serviços de abortos de qualidade quando a prática não for contrária à lei

- A urgência das ONG’s, ainda que não sejam constituídas por profissionais da saúde, de cooperar e supervisionar (ou pressionar) os governos na prestação dos serviços de saúde reprodutiva (incluindo o serviço ao aborto legal)

-Os direitos reprodutivos, que derivam do conceito de saúde reprodutiva, como um novo tipo de direito humano ( que futuramente poderia incluir o direito ao aborto).


O plano de pressão da ONU

Com o sucesso da Conferência Populacional em 1994 e da Conferência sobre a Mulher em 1995, a ONU promoveu em 1996, informalmente, a famosa Reunião de Glen Cove, numa ilha próxima a Nova York, onde reuniu as recém criadas ONG’s e movimentos feministas.

Ali se estabeleceu o plano de gradual pressão sobre os vários países, em especial sobre os da América Latina, no sentido de acusá-los de violarem os direitos humanos ao não legalizarem o aborto.

Entre outras metas para implantarem o aborto no mundo estava a de conseguir fazer com que o direito ao aborto entrasse oficialmente na Declaração Universal dos Direitos Humanos.


A denúncia do Papa

O Papa Bento XVI, publicou em Junho/09, sua 3ª Encíclica: “CARITAS IN VERITATES” (caridade na verdade). Nela o Sumo Pontífice denuncia claramente os grupos e movimentos nacionais e internacionais que tramam para impor o aborto principalmente aos mais pobres, como controle demográfico.

Parágrafo 28
28. Um dos aspectos mais evidentes do desenvolvimento atual é a importância do tema do respeito pela vida, que não pode ser de modo algum separado das questões relativas ao desenvolvimento dos povos. Trata-se de um aspecto que, nos últimos tempos, está a assumir uma relevância sempre maior, obrigando-nos a alargar os conceitos de pobreza [66] e subdesenvolvimento às questões relacionadas com o acolhimento da vida, sobretudo onde o mesmo é de várias maneiras impedido. Não só a situação de pobreza provoca ainda altas taxas de mortalidade infantil em muitas regiões, mas perduram também, em várias partes do mundo, práticas de controle demográfico por parte dos governos, que muitas vezes difundem a contracepção e chegam mesmo a impor o aborto. Nos países economicamente mais desenvolvidos, são muito difusas as legislações contrárias à vida, condicionando já o costume e a práxis e contribuindo para divulgar uma mentalidade antinatalista que muitas vezes se procura transmitir a outros Estados como se fosse um progresso cultural. Também algumas organizações não governamentais trabalham ativamente pela difusão do aborto, promovendo nos países pobres a adoção da prática da esterilização, mesmo sem as mulheres o saberem. Além disso, há a fundada suspeita de que às vezes as próprias ajudas ao desenvolvimento sejam associadas com determinadas políticas de saúde que realmente implicam a imposição de um forte controle dos nascimentos. Igualmente preocupantes são as legislações que preveem a eutanásia e as pressões de grupos nacionais e internacionais que reivindicam o seu reconhecimento jurídico.


O Brasil como porta de entrada para o aborto na América Latina

No final dos anos 80 a América Latina foi visitada por diversas vezes por profissionais da IWHC (International Women Health Coalition) traduzindo: Coalizão Internacional Saúde da Mulher – Muitos destes profissionais já haviam participado do processo de elaboração do Relatório da Fundação Ford sobre saúde reprodutiva.

Eles chegaram à conclusão que o Brasil seria o país que levaria toda a América Latina a legalizar o aborto, por sua influência política e pela facilidade de criar e coordenar os grupos de pressão pró-aborto.

Foram criadas então, organizações que pressionariam as políticas públicas no Brasil, após um evento realizado pela IWHC e CEPIA em 1993, no Rio de Janeiro.


Financiando o aborto no Brasil

Nos anos 90 a Fundação MacArthur despejou no Brasil U$36 milhões de dólares para financiar e criar estratégias para a legalização completa do aborto no país.
Criou algumas ONG’s e outras foram escolhidas para serem patrocinadas visando estes interesses internacionais.

Entre elas estão:

·                     CASA DA CULTURA DA MULHER NEGRA
·                     CATÓLICAS PELO DIREITO DE DECIDIR
·                     IPAS
·                     CFEMEA
·                     REDE FEMINISTA DE DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS
·                     CEPIA
·                     CUNHÃ
·                     EDUCAÇÃO SEXUAL LIBERAL
·                     ECOS
·                     GTPOS
·                     SOS CORPO – GÊNERO E CIDADANIA
·                     THEMIS


Algumas delas atuam pra derrubar a questão moral do aborto, outras para implantar leis que  facilitem o aborto “legal”, algumas especialistas em Lobby junto ao Congresso Nacional, outras para defender o aborto na área jurídica, outras ainda para tentar conquistar a adesão popular pela mídia, muitas delas especialistas em manipular dados e pesquisas, enfim, entram em pontos estratégicos da sociedade brasileira.


Revelações surpreendente de médico ex-abortista

Dr. Bernard Nathanson , foi um dos fundadores da NADAL, 1969; Hoje é a Liga Nacional do Direito ao Aborto nos EUA.

Ele foi por 2 anos o diretor da maior clínica de aborto do mundo e compôs o núcleo que conseguiu a legalização do aborto nos Estado Unidos.
Nathanson se transformou num dos maiores defensores da vida, quando, após a chegada do Ultra-Som, fez a verificação da vida intra-uterina.
Ele abre o jogo e revela como fazem os abortistas para conquistarem a opinião pública e a aprovação das leis a favor do aborto:

“1º A tática de ganhar a simpatia dos meios de comunicação.

A tática de atacar o Catolicismo.

A tática de denegrir e suprimir toda evidência de que a vida se inicia na concepção.”


O Governo Lula

Ao assumir o poder, em 2003, tanto o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, como o próprio Partido dos Trabalhadores, aderiram entusiasmadamente a este projeto.

O movimento internacional pró-aborto contou com a aliança do governo brasileiro que deu passos concretos em direção para o aborto totalmente livre no Brasil, foram eles:

*2004, o então presidente Lula assinou de próprio punho o PLANO NACIONAL DE POLÍTICA PARA AS MULHERES, onde continha como prioridade nº 3.6, envolver o poder executivo, legislativo e judiciário a fim de despenalizar o aborto. A então Ministra Nilcéia Freire revelou a conversa pessoal dela com Lula e revelou a adesão pessoal de Lula e do Partido dele pela legalização do aborto.

*Abril de 2005 o governo Lula comprometeu-se com a ONU, em legalizar o aborto no Brasil. Registrado no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº 45).

*Maio de 2005 a comissão da Secretaria para a Política das Mulheres do Governo Lula, após seminário com grupos pró-aborto da ONU, começou a defender não só a legalização do aborto, mas a própria inconstitucionalidade de qualquer criminalização do aborto

*Agosto de 2005, o governo reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher. Entregou ao comitê da ONU para a Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher (CEDAW) documento confirma a declaração.

*Setembro de 2005, o governo apresentou ao Congresso o Projeto de Lei 1135/91 de autoria do Dep. José Genoíno – PT, que propunha descriminalizar o aborto até o 9º mês de gestação e por qualquer motivo.

*Abril de 2006, a discriminação do aborto foi oficialmente incluída pelo PT como diretriz do programa de governo para o segundo mandato do Presidente Lula. O documento intitulado “Diretrizes para a Elaboração do Programa de Governo” foi oficialmente aprovado pelo PT e contém: “…o Governo Federal se empenhará na agenda legislativa que contemple a descriminalização do aborto.

*Setembro de 2006, quatro dias antes do primeiro turno das eleições, em exatamente, 27 de Setembro, o próprio Presidente Lula incluiu o aborto em seu programa pessoal de governo para o segundo mandato e se compromete em legalizar o aborto no documento intitulado: “Lula Presidente: Compromisso com as mulheres, Programa Setorial de Mulheres 2007-2010”

*Setembro de 2007, No 3º Congresso Nacional do PT, no documento intitulado: “Por um Brasil de Mulheres e Homens livres e iguais”, o Partido assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público, como programa do Partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir a causa como programa.

*Outubro de 2007 A então Ministra Dilma Roussef, em entrevista gravada em vídeo para Folha de São Paulo afirma ser um absurdo que no Brasil ainda não haja a descriminalização do aborto.

*Em Setembro de 2009 o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto.

*Com o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o governo Lula emplacou o discurso: “legalizar o aborto é questão de saúde pública.”

*Fevereiro de 2010 o Partido dos Trabalhadores, o presidente Lula e a então Ministra Dilma Rousseff, firmaram oficialmente, com assinaturas de próprio punho, o apoio incondicional ao 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, a retirada de símbolos religiosos das repartições públicas, a união civil homossexual, entre outros absurdos.

*junho de 2010 o PT e os aliados boicotaram a criação da CPI do Aborto que investigaria as origens dos financiamentos por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil. Por temerem ser revelado o financiamento das fundações internacionais que investem para que o aborto seja legalizado no Brasil, entre elas a Fundação Ford, Fundação Rockfeller, Fundação MacArthur, etc.

*O partido do governo não respeitou a própria constituição do país que declara o direito de todos à vida, não respeitou o Pacto de São José da Costa Rica do qual é signatário, onde se confirma a vida começando na concepção. (obs: O pacto de São José da Costa Rica é um pacto internacional, compromisso acima das leis nacionais, ficando abaixo apenas da Constituição Federal)

*Em Julho de 2010, exatamente dia 16, o governo Lula assinou um documento chamado “Consenso de Brasília” que propõe a liberação completa do aborto para todos os governos da América Latina.

*Fevereiro de 2010 – A Presidente Dilma Roussef coloca Eleonora Menicucci, feminista e militante pró-aborto, como Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres; ela que revelou ter feito – inclusive – um curso fora do país de abortamento por sucção.


A população brasileira contra o aborto

Uma boa notícia é que a última pesquisa realizada pela Vox Populi, mostra que 82% da população brasileira não aceita a legalização do aborto no país e este número continua crescendo.
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Referências

– As informações desta apresentação estão contidas no documento intitulado “CONTEXTUALIZAÇÃO DA DEFESA DA VIDA NO BRASIL –Como foi planejada a introdução da cultura da morte no país” ” elaborado pela Comissão em Defesa da Vida da Diocese de Guarulhos, pela Comissão em Defesa da Vida da Diocese de Taubaté, ambas compondo a Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul -1 da CNBB.

Encíclica “CARITAS IN VERITATES” – Papa Bento XVI – Junho/09

Também no documento intitulado “O Aborto e sua legalização”, elaborado pela presidente do movimento Pró-Vida Família, Prof. Humberto L. Vieira, ex-consultor da OMS (Organização Mundial da Saúde), consultor legislativo do Senado Federal e membro vitalício e consultor da Pontifícia Academia para a Vida, nomeado por João Paulo II.

Assim como no texto “Ubi PT, Ibi abortus” de Padre Luiz Carlos Lodi, Presidente do Pró-Vida de Anápolis.