terça-feira, 7 de maio de 2013

Carlos de Laet, paladino do Bem e da Verdade


Carlos de Laet, paladino do Bem e da Verdade



(De Apologética Católica)


Como sabemos, os grandes nomes de nosso país são esquecidos com facilidade, e se a pessoa em questão teve uma vida que não se enquadra nos atuais parâmetros culturais, o quadro é pior ainda. Carlos de Laet é um desses jogados no limbo. Além de monarquista, era um católico combativo, do tipo que foi levado a ação após o golpe republicano e que está na base do período áureo da Igreja em nosso país que se estende do final do século XIX até o desastre pós-conciliar. Por isso, fazendo companhia a postagens que fiz no meu blog (aqui e aqui trago um retrato sobre ele publicado na revista Vozes de setembro-outubro de 1947 (mais artigos de Carlos de Laet podem ser encontrados aqui): 


Leon Gautier dedica seu livro “La Chevalerie” a Cervantes, o demolidor da gloriosa instituição e ao mesmo tempo ele próprio o último dos cavaleiros, ao se levantar, de armas na mão, na batalha de Lepanto, em defesa da Cristandade contra o islamismo invasor. Não tem razão o paleógrafo francês. Em meio às ruínas da Cristandade, ainda costumam surgir, raramente embora, os Rolando e os Bayard. Cessaram as correrias de Roncesvales, os heróicos combates em campo raso cederam lugar à insidiosa guerra de trincheiras, e os assédios frontais às fortalezas foram substituídos pela técnica ultramoderna do paraquedismo. Em meio, porém, a essa ruína da antiga arte guerreira, perdura ainda o espírito que norteou os cruzados, graças à continuidade por assim dizer miraculosa do ideal da Cristandade.

Carlos de Laet encarnou entre nós o espírito do perfeito cavaleiro. Vivesse ele ainda hoje e esboçaria um sorriso irônico ao ouvir semelhante elogio. Não lhe emprestamos, entretanto, o papel de um moderno Dom  Quixote a investir contra rebanhos de carneiros e moinhos de vento. Nele vemos um autêntico sucessor de Bayard, fiel à Igreja, fiel à sua Pátria, fiel ao seu rei. Demonstremos, assim, de modo sumário, como o grande batalhador, cujo primeiro centenário de nascimento festejamos no dia 3 de outubro, obedeceu à risca, em toda a sua vida, aos dez mandamentos a que o citado Leon Gautier reduz o antigo Código da Cavalaria:

1) "Crerás em tudo que ensina a Igreja e observarás seus mandamentos". - Em Carlos de Laet ressalta em primeiro lugar o honroso título de católico. Dele se pode dizer o que pertence a Louis Veuillot de modo incontestável: não costumava pecar nem contra a Igreja nem contra a gramática. Infalível não era, nem estava livre de defeitos. Mas a qualidade de católico por completo informa toda a sua personalidade, todas as suas atitudes, sendo o verdadeiro centro propulsor de toda a sua vida de pensamento e de ação. Em um Brasil católico dominado em proporções assustadoras pela peste do liberalismo, soube manter intacta a sua ortodoxia e sua fiel observância da doutrina da Igreja. E este notável feito se baseava em uma coisa muito simples: como intelectual achava que seus conhecimentos religiosos não poderiam ocupar posição inferior à reservada aos conhecimentos profanos. Em segundo lugar - coisa ainda mais simples - não traía os seus conhecimentos da doutrina católica  e deles aceitava todas as conseqüências práticas: era um católico que vivia a sua Fé com um zelo inflexível e inquebrantável. Dele se pode dizer, portanto, que era fiel a tudo que ensina a Igreja e era escrupuloso observante de seus mandamentos.

2) "Protegerás a Igreja"- Instituindo a Santa Igreja colocou-a Nosso Senhor acima do poder de destruição dos homens, impedindo que as próprias portas do Inferno prevaleçam contra ela. Servos inúteis, quer porém Nosso Senhor que com Ele colaboremos na obra da Redenção do gênero humano. E como de Dom Silvério disse Carlos de Laet, qual novo Davi o católico não deve duvidar "baixar ao campo de batalha e apedrejar o incircunciso que afrontar as ostes de Israel". Laet foi, assim, denodado defensor da Igreja, descendo à liça todas as vezes que a causa católica o exigia. Numa época de ferrenho anticlericalismo e de vesgo jacobinismo, foi o escudo do "Frade Estrangeiro", o batalhador da causa do catecismo nas escolas, o adversário implacável do laicismo positivista e maçônico, que era a regra nos primeiros tempos da república. Era, certamente, uma das raras vozes isoladas que se faziam eco das palavras de ordem da hierarquia eclesiástica. Relembremos ainda suas campanhas contra o divórcio, contra o espiritismo, sua intrepidez e coragem de atitude diante, por exemplo, da decisão iníqua do governo Nilo Peçanha relativamente ao desembarque dos religiosos foragidos de Portugal. Em qualquer ponto ou lugar em que a Santa Igreja fosse atacada, ali estaria Laet na brecha, de espada em punho, a desferir golpes certeiros e cerrados contra as hostes da impiedade.

3) "Respeitarás os fracos, tornando-te seu defensor". - Estava Laet várias léguas da deturpação da caridade representada pelo sentimentalismo liberal. Implacável com os inimigos da Igreja e da Verdade, seu coração se achava sempre aberto para a colher os fracos e oprimidos. Todos os códigos humanos, inclusive o da Cavalaria, são simples amontoados de redundâncias em face do primeiro mandamento da Lei de Deus. O verdadeiro amor do próximo é simples reflexo do amor de Deus. Eis o que explica o amor de Laet pelos fracos e pequeninos. Vejamos seus combates em favor da justiça social, seus quase proféticos estudos sobre a questão social brasileira, a defesa da mocidade contra a perversão do ensino, da sociedade contra os desmandos da política  e da má administração pública, das classes operárias contra o socialismo subvertedor, e até da pobre gramática contra a invasão dos solecismos... A própria classe social das sogras, tão caluniada pelas "chocarrices da plebe", teve em Laet um leal e carinhoso advogado, para não nos referirmos a combates singulares em socorro de qualquer criatura injustamente agredida, de que é exemplo sua polêmica com Camilo Castelo Branco em defesa do desditoso Fagundes Varela.

4) "Amarás o país em que nasceste". - Justamente pelo fato de amar estranhamente à sua pátria, Laet foi até o fim da vida um reacionário intransigente. Em seu elogio ao grande brasileiro, o Barão de Ramiz Galvão, ao sucedê-lo na Academia Brasileira de Letras, como que pediu desculpas aos seus pares pelo fato de Laet ter sido adepto da forma monárquica de governo. A república o teria recebido com hostilidade, daí seu "crescente azedume" em relação ao novo regime. Eis um grave erro de apreciação. Seria injuriar a inteireza de caráter de Laet o julgá-lo capaz de aduzir argumentos em favor de seu ideal monárquico e de se mostrar fiel a ele por toda a vida... apenas porque fora inicialmente mal recebido pelos republicanos históricos... Respeitemos seu ponto de vista. A própria Igreja não nos impede que sejamos a favor desta ou daquela forma de governo, uma vez ressalvada a justiça. Laet foi um modelo de patriota e se não se conformou com a república, foi porque viu que ela havia sido artificialmente implantada no Brasil, por um golpe revolucionário a que o povo assistiu "beatificado", sem nele tomar parte, nada havendo que legitimasse essa violência. E Laet previa que tal ilegitimidade de origem seria a causa da ruína do princípio da autoridade no Brasil, abrindo a porta aos posteriores golpes e revoluções , que tantos males vem causando à nossa pátria. Dir-se-á que melhor seria colaborar, numa tentativa de passar o poder político para boas mãos. Em defesa de Laet frisemos que ele foi uma voz isolada que clamava no deserto, pois a colaboração era a regra, e nem por isso vemos os seus vaticínios deixarem de ser cumpridos.

5) "Não recuarás diante do inimigo" e 6) "Farás aos infiéis uma guerra sem tréguas". - Laet sustentou suas idéias com desassombro, numa época em que era perigoso fazê-lo. Na revolta da armada, em 1893, o Marechal Floriano entendeu, no dizer do próprio publicista, que à saúde de Laet e à de outros  concidadãos, "melhormente convinham as alterosas montanhas de Minas, não empestadas pelo estado de sítio". Ei-lo exilado, por não ceder diante do adversário. A 8 de março de 1897, Gentil de Castro, jornalista, seu companheiro de lutas, sucumbiu na estação de São Francisco Xavier, no Rio, trucidado por uma alcatéia de assassinos. Está fora de dúvidas que se tratava de um crime político, expiando o jornalista a feia culpa de permanecer monarquista dentro de um regime republicano e liberal que pregava a mais desenfreada liberdade de pensamento.. Também sabemos o que aconteceu com o Barão de Cerro Azul e seus companheiros. Não era, portanto, sem grandes riscos que um tribuno ou jornalista podia enfrentar o sectarismo dominante. Eis, portanto, uma prova da intrepidez de Laet, que nunca deixou de usar a funda de Davi diante dos Golias incircuncisos.

7) "Cumprirás exatamente teus deveres feudais, se não forem contrários à lei de Deus" e 8) "Não matarás e serás fiel à palavra empenhada". - Laet foi um cavaleiro fiel ao seu soberano. Esta virtude, os próprios republicanos sinceros não lhe podem negar. E o principal dever do cavaleiro em relação ao suserano é o da fidelidade. Deposto Dom Pedro II, essa fidelidade continua. E não apenas simbólica, mas real, até ao ponto de exigir sacrifícios. Engenheiro pela antiga Escola Central, hoje Politécnica, Laet, entretanto, vivia principalmente do magistério. Pois bem: pelo decreto n. 9 de 21 de novembro de 1889, fora substituído por "Instituto Nacional de Instrução Secundária" o "Colégio Pedro II" em que ela era professor. Em sessão da Congregação, a 2 de maio do ano seguinte, Laet com desassombro dirige um apelo ao governo solicitando a restituição do antigo nome, pois D. Pedro II fora desvelado patrono daquele estabelecimento de ensino. No dia imediato, o "Diário Oficial" publicava um decreto de demissão de Carlos Laet, que somente seria plenamente reintegrado no cargo durante o governo Venceslau Brás ... Vale dizer, cerca de vinte anos depois. Quanto aos outros dois deveres feudais, de justiça e de milícia, bem sabemos como Carlos de Laet os cumpriu. Foi sempre um fiel distribuidor de justiça, um rigoroso observante de Direito contra a teoria dominante dos "fatos consumados". E nunca deixou de acudir  com o auxílio da temível arma que era sua pena, quando o dever o conclamava à luta.

9) "Serás magnânimo, fazendo 'largesse' a todos" e 10) "Será sempre e em todo lugar o campeão do Direito e do Bem contra a injustiça e o mal". - As mancheias Laet distribuiu a "largesse" de sua palavra inflamada, de suas beneméritas campanhas, de sua sábia orientação nos complicados problemas em que se viu envolvido o laicato católico no Brasil, sempre dócil instrumento da hierarquia, sempre cioso de dar o pão da verdade à sociedade faminta e explorada pelos Shylocks da incredulidade e do ateísmo. Que dizer também da "largesse" de sua prosa amena, de seu "humour" incomparável, da graça e leveza de suas páginas literárias?

Fiel a Deus e à sua Pátria, magnânimo com os próprios inimigos, pois lhes desejava o maior dos bens que é a reconciliação com a Igreja e a sua bem-aventurança eterna, Laet foi certamente o campeão do Direito e do Bem contra a injustiça e o mal. Carlos Magno o aceitaria entre os seus pares.

De Maria Santíssima, Mãe de Deus e Advogada nossa



(Do site do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira - IPCO)





É frequente entre os devotos de Maria – com especial empenho no mês que é consagrado a Ela – favorecer o aprofundamento dos fundamentos que justificam tal devoção.  A este propósito recebi um e-mail que gostaria de repassá-lo a todos, mas, dado que o projeto é inexequível, valho-me deste site e a fim de repassar o valioso texto que meu amigo recebeu do próprio autor e referindo-se ao texto comenta que é uma “Bela explicação, comparativa, da mediação universal de Nossa Senhora.”



Apreciem:

“Por que necessitamos de Maria, se já temos a Jesus? Por que A chamamos mediadora ou medianeira, se São Paulo disse que Jesus é o único Mediador?
 Se eu tivesse que subir por uma ponte (Jesus) ao altíssimo céu, precisaria de um corrimão do começo ao fim: esse corrimão é Maria, cuja mediação não se acrescenta à de Jesus, senão que faz parte dela, como o corrimão faz parte da ponte. Não há concorrência. Maria não “é” o centro, mas “está” no centro.”

Miguel Ruiz Tintoré, sacerdote da diocese de Burgos, Espanha.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Manter a incorporação de Timor à Lusosfera: é preciso corresponder aos apelos dos lusófonos locais





(Do blog
Timor Lorosae Nação)

Díli, 05 mai (Lusa) - O presidente da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Francisco Guterres Lu Olo, afirmou hoje, dia da Língua Portuguesa, que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa precisa de fazer mais para defender o português.

"Há ainda muito a fazer pela defesa de uma língua que é nossa, pela defesa do nosso património comum", disse o ex-presidente do parlamento timorense em comunicado divulgado à imprensa.

Francisco Guterres Lu Olo sublinhou que na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) há "ainda cidadãos que não falam português" e que a defesa da língua é essencial para "ajudar a reforçar" a "identidade e a posição" daquela organização no mundo.

"Nos países da CPLP é possível e desejável que a língua portuguesa se consolide e que coexista em harmonia com outros idiomas nacionais, que enriquecem as nossas sociedades. Defender a língua portuguesa e aquilo que nos é comum não significa desrespeitar ou ignorar aquilo que nos é próprio, de cada país", disse.

Para Francisco Guterres Lu Olo, Timor-Leste precisa também de fazer "mais e melhor pela promoção e defesa da língua", salientando que o Estado timorense deveria prestar mais atenção ao dia da Língua Portuguesa, que não foi comemorado pelas autoridades timorenses.

O Dia da Língua Portuguesa foi assinalado em Díli pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua - com a projeção do documentário "Língua - Vidas em Português", de Victor Lopes, e com uma mostra de gastronomia portuguesa.

domingo, 5 de maio de 2013

Herdeiro do trono português defende "commonwealth" lusófona



(Do site noticioso Sol)



O Chefe da Casa Real, D. Duarte de Bragança, defende uma confederação dos países lusófonos, semelhante à Commonwealth, e rejeita quaisquer «fantasias iberistas, que seriam inconvenientes para Portugal».


Em entrevista, antes da comemoração da Restauração da Independência de 1640, D. Duarte de Bragança afirmou que uma comunidade dos países lusófonos «poderia ser extremamente positiva e benéfica».

D. Duarte de Bragança referiu que a ideia recolheu «grande aceitação» numa recente visita que efectuou ao Brasil, além de ser bem acolhida por diferentes países africanos de língua oficial portuguesa.

«Não é necessário, mas é verdade que um rei facilitaria a unidade dos países lusófonos porque não se punha tanto o problema de quem seria a chefia de estado dessa união. Mas pode-se perfeitamente levar o projecto para a frente com repúblicas», acrescentou o Chefe da Casa Real.

A ideia «não vai no sentido contrário à União Europeia e a outras uniões regionais dos diferentes países, antes pelo contrário. Seria uma dinâmica económica que provavelmente seria mais fértil e mais forte do que a dinâmica exclusivamente europeia», declarou o herdeiro da Coroa portuguesa.

Questionado sobre a pertinência histórica de uma união do mesmo tipo com Espanha, D. Duarte de Bragança rejeitou «fantasias iberistas ideológicas que seriam muito inconvenientes» para Portugal.

«Se perguntar aos bascos e aos catalães o bom que é ser governado pelos castelhanos, vai perceber o problema que têm os espanhóis, que é (que) os castelhanos querem mandar em todos», respondeu D. Duarte de Bragança.

O Chefe da Casa Real acrescentou também a situação dos galegos e defendeu que Portugal devia estreitar os laços com aquela região espanhola.

Os laços da língua comum, ocioso e esquecido patrimônio mundial dos povos da Lusosfera




(Adaptado do blog O Português Não Tá Cansado)

[...]Não pude deixar de o evocar perante o texto de Elia, em que o espaço geolinguístico do Português aparece como uma unidade que se subdivide em cinco «faces», as suas cinco primeiras «variedades» (em sentido empírico): a Lusitânia Antiga (Portugal, Madeira, Açores, Galiza), a Lusitânia Nova (Brasil), a Lusitânia Novíssima (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné e São Tomé e Príncipe), a Lusitânia Perdida (Goa, Damão, Diu, Angediva, Dadrá, Nagar Aveli, Simbor, Gongolá, Macau e outros) e a Lusitânia Dispersa (as comunidades migrantes espalhadas pelo mundo).[...]

[...]Ora, por reacção ou obra do destino, eis que o mesmo Instituto [Camões] disponibiliza noutro lugar a informação sobre um estudo encomendado ao ISCTE sobre o Valor Económico do Português (assim mesmo, com maiúscula!) em Setembro de 2007. Segundo os resultados preliminares, divulgados a 13 de Novembro na palestra Uma Abordagem Ecléctica do Valor da Língua: O Uso Global do Português, do professor e investigador José Paulo Esperança, integrada na 6ª conferência anual da Federação Europeia das Instituições Nacionais para a Língua (EFNIL), o Português representa assim 17% do PIB, o que não é peso de somenos.[...]

Acerca das tramas subversivas e desagregadoras da Sinagoga contra os gentios




Mundividência compartilha com os leitores esta pequena compilação de textos esclarecedores a respeito da atuação da seita cabalístico-talmúdica hebréia no sentido de favorecer a prosperidade dos vícios, dos maus costumes e dos sistemas políticos avessos ao protagonismo social da Santa Igreja em meio aos povos de origem gentílica, simultaneamente poupando-se do contágio pernicioso do ideário e do imaginário que difunde entre eles. Créditos à Confraria dos Penitentes de São João Batista pelo oportuno apanhado de escritos.

Falcatruas Maçônicas (I): "Os maçons italianos e o ouro da Iugoslávia"




(Da Voz da Rússia)



Foi no dia 14 de janeiro de 1953, há exatamente 60 anos, que o marechal Tito se tornou presidente da Iugoslávia, mas ainda hoje muitos historiadores dizem que ele andou a construir o socialismo na Iugoslávia se apoiando no ouro da dinastia real dos Karadordevic.


O destacado dirigente da Internacional Comunista Maurice Thorez e o líder da URSS Josef Stalin entregaram ao marechal o enorme patrimônio da antiga Iugoslávia. Quando esse dinheiro acabou, a Iugoslávia se desmoronou.


Os companheiros do “Duce” enganaram o próprio Hitler

A misteriosa história das reservas de ouro do Reino da Iugoslávia começa na primavera de 1941, quando os aviões da Luftwaffelargavam diariamente milhares de bombas sobre Belgrado. Já era evidente que faltava pouco para que Hitler ocupasse o país. O rei da Iugoslávia, Petar Karadordevic de 18 anos, decide em conjunto com o seu governo retirar da capital todas as reservas de ouro estatais, primeiro para o Montenegro e depois para o Egito. As 60 toneladas de metal precioso foram embaladas em 1300 malas de madeira. Um trem especial de 57 vagões começou sua viagem cumprindo todas as medidas de segurança. O “trem do ouro” necessitou de precisamente um mês para chegar até ao porto de Kotor no mar Adriático. Juntamente com as reservas estatais, Petar Karadordevic e a sua comitiva transportaram também muitos valores e divisas pessoais. Eles não conseguiram carregar o ouro no navio, os fascistas italianos já tinham ocupado o Montenegro. Nas montanhas, onde em tempos oshajduk (bandoleiros) escondiam o produto dos roubos, encontraram uma gruta, onde esconderam as 60 toneladas de ouro do Reino da Iugoslávia. O rei Petar levou consigo apenas uns trocados para despesas pessoais e fugiu para Londres. 
Os italianos estiveram convencidos até 1943 que o ouro tinha sido transportado para o Egito, até que alguém denunciou a caverna aos fascistas. Mussolini ordenou imediatamente que esse ouro fosse transportado para Roma sem, é claro, ter informado o seu aliado Adolf Hitler. A operação “Ouro” foi chefiada pelo jovem fascista Licio Gelli. Este viajou até Trieste, evitando o controle dos alemães, num trem sanitário especial que alegadamente transportava 73 soldados doentes com varíola. Ele entregou oficialmente 8 toneladas do metal precioso ao gerente do banco estatal italiano, escondendo as restantes 52 toneladas. Gelli se estava preparando para viver no novo regime.


Como os comunistas e os maçons dividiram o ouro

Nos finais de 1944, Licio Gelli se encontrou com o líder dos comunistas italianos, e amigo de Stalin, Palmiro Togliatti que nesse tempo era membro do governo de coalizão da Itália. O camarada Togliatti pediu a reabilitação do antigo fascista, pelo que Gelli entregou a Togliatti 27 toneladas de ouro, não tendo informado que tinha roubado na Iugoslávia 60 toneladas e ficando com as restantes 25 toneladas do tesouro.

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, Palmiro Togliatti entregou a “prenda” de Licio Gelli ao novo dono da Iugoslávia, Josif Broz Tito. Assim, a base financeira para o arranque do país em direção ao amanhã comunista era bastante sólida. Stalin e Togliatti ajudaram Tito a consolidar o seu poder. Já depois de se ter zangado com Moscou em 1948, Tito recebeu igualmente dos EUA 30 bilhões de dólares a fundo perdido. Até ao fim dos seus dias, o marechal Tito idolatrou o ouro, adorando joias e luxos.


O bonequeiro silencioso

Licio Gelli sobreviveu a todos os seus patrões. Em abril deste ano, ele cumprirá os seus 94 anos. Depois da guerra ele se tornou proprietário de uma tipografia na sua cidade natal de Pistoia, depois entrou no negócio de mobílias. Em 1962, foi admitido na loja maçónica "Propaganda-2" (P2), em 1969 foi seu secretário-organizador e depois – seu grão-mestre (Maestro Venerabile).

Depois do encerramento oficial da loja, em 1974, ele transformou-a de fato numa sociedade política secreta. Gelli criou 25 empresas testa-de-ferro no Liechtenstein, no Luxemburgo e no Panamá, teve contatos com a administração Reagan, manteve ligações ao presidente Duvalier do Haiti e com os círculos próximos do presidente Perón da Argentina. De seu património pessoal fizeram parte propriedades no Chile e no Paraguai, casas e apartamentos no México e no Brasil. Gelli colaborou ativamente com a CIA e viajou por todo o mundo, mais frequentemente para os EUA e América Latina. Ele não negociou em heroína e coca nem vendeu armas. Ele apenas tudo controlava.

Mas depois vieram os tempos difíceis. Em 1981, ao abandonar a sua moradia Wanda antes da chegada da polícia, tendo sido previamente avisado da chegada dos carabineiros, Gelli não teve tempo de desenterrar no seu jardim o cofre que continha parte do ouro iugoslavo e a lista dos membros da loja maçónica. Esta incluía 3 ministros, 23 deputados do parlamento, 10 prefeitos, 10 generais do corpo de carabineiros, 7 generais da guarda financeira, 6 almirantes, 83 presidentes de empresas públicas, 12 diretores-gerais de bancos e um número incontável de juízes, procurados e altos funcionários públicos. A comissão parlamentar que divulgou as listas da loja P2 com os seus 972 nomes reconheceu-as como autênticas, mas “incompletas”. E a loja era chefiada por Licio Gelli.

Mais tarde se seguiu o confisco de 120 milhões de dólares de um banco de Genebra, a detenção e a prisão, a fuga e, vários anos depois, uma nova detenção. No entanto, em vez dos 12 anos de prisão, Gelli apanhou apenas a obrigação de não sair do país. A moradia Wanda foi confiscada pelo Estado mas, depois de várias tentativas frustradas de sua venda em leilão, foi confiada a Licio Gelli como fiel depositário (custode giudiziario). Nos últimos anos, ele se retirou dos negócios e se dedica a escrever versos e contos líricos.

Gelli é um dos personagens mais contraditórios da vida política italiana. A loja maçónica P2 era, em 1974-1981, o ponto de intercessão de interesses políticos, de negócios e dos círculos militares. Agora, a sociedade mudou e as pessoas na cúpula do poder são outras. Mas Gelli não gosta de recordar a sua vida antiga, é que os tagarelas vivem pouco tempo. O silêncio é de ouro e ainda falta muito para o fim do espetáculo.

Necromancia iluminista (kardecismo): engodo, ultraje a Deus e atalho para a insanidade mental


Frei Boaventura Kloppenburg



"[...]Deus, autor da vida e criador do homem, teve por certo razões graves para interditar com tanta severidade a evocação dos falecidos. Quais seriam estes motivos? Os textos bíblicos dão alguma indicação "... para que não contamineis por meio deles (os necromantes): eu sou o Senhor vosso Deus" (Lev XIX, 31); "Porque o Senhor abomina todas essas coisas" (Deut XVIII, 13); porque afasta o homem de Deus (Deut XIII, 2-6); porque desvia da Lei e do Testamento (Is VIII, 19-20); porque o mago "perverte os caminhos retos do Senhor" (At XIII, 10); porque a magia faz parte das “obras da carne” (Gl 5,20). Segundo a Bíblia, a magia é uma injúria à soberana independência e transcendência de Deus e aos seus direitos exclusivos de criar, revelar, fazer milagres e santificar os homens; a magia tende a rebaixar a Deus ao nível de criatura e abre os caminhos para as mais estranhas religiões. E porque a magia é aviltamento da soberania divina, por isso ela é também degradação da dignidade do homem, é deformação do autêntico sentimento religioso.

Não é difícil constatar como, de fato, entre nós, a prática da evocação foi distanciando os espíritas da doutrina cristã e da Igreja de Cristo. Vítimas da miragem espírita, milhões de brasileiros já se sentem praticamente desvinculados da Igreja. São os frutos da evocação. Jesus previu a invasão dos falsos profetas e nos deu uma grave exortação: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7,15-16).

Pelos seus frutos os conhecereis: penso sobretudo também nos efeitos que a diurna prática da evocação produz sobre a saúde de seus praticantes. Pois o espiritismo é uma religião “de possessão”, como se diz agora. A suposta ou imaginada possessão se realiza sempre em um estado psicológico de transe.

Para poder atuar como instrumento dos espíritos, o médium deve entrar neste estado que não é normal. Segundo as normas de estatuto para sociedades espíritas, dadas pela Federação Espírita Brasileira, os centros espíritas devem realizar “sessões para obtenção dos fenômenos espíritas”, que são reguladas nestes termos pelo art. 2 §

2: “O desenvolvimento das faculdades mediúnicas consistirá, principalmente, no aprendizado, para o médium, da doutrina, em geral, e em particular, no exercício da concentração, da meditação e da prece, no apuramento da sensibilidade, para o efeito de perceber, pela sensação que lhe produzam os fluidos perispirícos do espírito que dele se aproxime, de que ordem que é este; na aprendizagem da maneira com que se deve comportar o seu próprio espírito durante a manifestação, tudo mediante o estudo de O livro dos médiuns e de outras obras congêneres, estudo sem o qual nenhum médium deverá entregar-se à prática da mediunidade, sobretudo sonambúlica”.

Em vista disso e considerando a enorme multiplicação destes centros entre o povo simples, já por todo e vasto Brasil, interroguei a opinião de médicos-psiquiatras, professores de psiquiatria, diretores de hospícios e psicólogos, sobre a conveniência de promover o desenvolvimento das faculdades “mediúnicas” e provocar “fenômenos espíritas”. Perguntei-lhe também se o médium “desenvolvido” pode ser considerado tipo normal e são; e que pensam acerca da pratica popularizada de tantos centros espíritas com supra-indicada e prescrita finalidade.

Recebi numerosas respostas, publicadas na brochura O livro negro da evocação dos espíritos (Vozes, Petrópolis). A sociedade de Medicina e Cirurgia, do Rio de Janeiro, por iniciativa de Leonídio Ribeiro, promoveu inquérito semelhante publicado em seu livro O espiritismo no Brasil (Ed. Nacional, 1931), que ajuntei à, minha sindicância.

Inclui também as observações feitas pelo Dr. Xavier de Oliveira em sua obra O espiritismo e loucura (Rio, 1931), que na p. 211, fala assim de O livro dos médiuns de Allan Kardec: “É a cocaína dos debilitados nervosos que se dão à pratica do espiritismo.

E com um agravante a mais: é barato, está no alcance de todos, e por isso mesmo, leva mais gente, muito mais aos hospícios, do que a ‘poeira do diabo’, a ‘coca maravilhosa’... É o tóxico com que se envenenam, todos os dias, os débeis mentais, futuros hóspedes dos asilos de insanos.

Lêem-no, assimilam-no, incluem a essência diabólica de que é composto, caldeiam os conhecimentos nele adquiridos nas sessões espíritas”. Falando da proporção que ao espiritismo “como fator imediato de alienação mental de feição puramente religiosa”, revela que “é, de muito, muitíssimo, cem vezes, mil vezes superior à de todas as outras seitas reunidas, e, atualmente, praticada em todo o mundo” (p.15).

Uma análise sistemática da ampla documentação por mim recolhida pode ser resumida nos seguintes pontos:

1) Existe impressionante unanimidade entre psiquiatrias, professores de psiquiatria, diretores de hospícios etc., em denunciar a prática da devoção dos espíritos como nociva, prejudicial, desaconselhável, perigosa, perniciosíssima etc.

2) Há também unanimidade moral em ver na prática do espiritismo um poderoso fator de loucuras. Neste sentido os depoimentos são realmente notáveis:

- é o maior fator produtor de insanos (F.Franco);
- é um grande fator de perturbações mentais e nervosas (H. de Melo);
- é uma das causas predisponentes mais comuns da loucura (A. Austregésilo);
- é uma verdadeira fabrica de loucos (H. Roxo, J. Moreira, M. º de Almeida);
- é um agente provocador de delírios perigosíssimos (H. Roxo)
- as práticas espíritas avolumam proeminentemente a população dos manicômios (J. Dutra);
- é grande o numero de doentes, procedentes dos centros espíritas, que vão bater a porta do Hospício Nacional de Alienados (J. Moreira);
- entre os dementes que diariamente dão entrada no hospício, a maioria vem dos centros espíritas (H. Roxo, M. O de Almeida);
- os hospitais de psicopatas estão repletos desses casos (Porto Carrero).

3) Mas não há unanimidade na questão se a prática do espiritismo apenas desencadeia distúrbios mentais já latentes e em indivíduos predispostos à loucura, ou se também deve ser considerada como fator que por si só é capaz de provocar reações psicopatológicas em indivíduos perfeitamente sãos. Nem todos se pronunciaram sobre a questão. Mas todos concordam em dizer que a sessão espírita é a melhor oportunidade para desencadear enfermidades mentais latentes. Em favor da tese que afirma que o exercício da mediunidade não age apenas desfavoravelmente sobre os predispostos mas também sobre os sãos, não somente desencadeando mas também preparando loucuras, temos os seguintes pronunciamentos:

- J. Leme Lopez sustenta que “ a freqüência às sessões espíritas se encontra amiúde entre os fatores predisponentes e desencadeantes das psicoses e das reações psicopatológicas” e que “o exercício das faculdades mediúnicas prepara, facilita e faz explodir alguns quadros mentais”.

- Franco da Rocha endossa as observações de Charcot, Forel, Vigoroux, Henneberg e outros, que publicaram exemplos de pessoas, sobretudo moças, anteriormente sãs, que se tornaram histéreo-epilépticas, em consequência de terem tomado parte nas cenas da evocação dos espíritos;

- Juliano Moreira confessa que viu “casos de perturbações nervosas e mentais evidentemente despertadas por sessões espíritas”,
- J. Dutra pensa que as práticas espíritas exageradas “preparam a loucura”;
- A. Austregésilo declara que o espiritismo é “uma das causas predisponentes mais comuns da loucura”;
- Xavier de Oliveira garante que dos casos por ele estudados no Pavilhão de Assistência a Psicopatas, 1.723 pessoas enlouqueceram “só exclusivamente pelo espiritismo”;
- Henrique B. Roxo insiste: “Uma coisa a discutir é se essas pessoas já não eram doentes mentais antes da sessão. Não, absolutamente. Não apresentavam antes qualquer perturbação mental” Depois repete: “Raramente o individuo era alienado antes do espiritismo”.

4) Mas a prática do espiritismo ou da evocação dos espíritos não é somente causa de loucuras ou perturbações das faculdades mentais; os médicos denunciam outras conseqüências ainda:

- faz explodir e agravar a neurose (Franco da Rocha);
- produz perturbações nervosas (Juliano Moreira);
- determina emoções que acarretam perturbações vaso-motoras (J.Dutra);
- provoca alterações nas secreções internas (J.Dutra);
- produz histeria e epilepsia (Franco da Rocha).

5) Não apenas os médiuns, também a assistência pode ser vitima de semelhantes males:

- a pratica pública de sessões espíritas, com manifestações ditas mediúnicas, exerce sobre a maior parte dos assistentes uma intensa tensão emocional e nos predispostos (psicopatas, neuróticos, fronteiriços, desajustados da afetividade) é a oportunidade de desencadeamento de reações que os levam ao pleno terreno patológico (Leme Lopez);

- a prática popularizada é prejudicial à saúde mental da coletividade (R. Cavalcanti), é nociva (P. de Azevedo), é prejudicial, principalmente nos meios incultos (M. Andrade);

- por impressionáveis, tais práticas públicas produzem alucinações (J. Dutra);
- a prática do espiritismo tem produzido danos à saúde mental dos adeptos e freqüentadores (J. Fróes);
- o delírio espírita episódico comumente se desenvolve pela freqüência de sessões de espiritismo (H. Roxo);
- as sessões espíritas finalizam sempre com crises de nervos e um estado geral de excitação mais ou menos intenso (H. Roxo);
- algumas vezes há uma questão de contágio mental e numa casa muitas pessoas passam o delírio uma para a outra (H. Roxo);
- temos observado um sem-número de débeis mentais apresentarem surtos delirantes após presenciarem sessões espíritas ou delas participarem ativamente (Pacheco e Silva).

6) Há unanimidade quase total em qualificar a pessoa do médium como tipo anormal, insano, neurótico, desequilibrado, degenerado, histérico etc.:

- os médiuns são os neuróticos de certa classe, histéricos e obsessivos (A. Garcia);
- o médium deve ser considerado como uma personalidade anormal, predisposto a enfermidades mentais, ou já portador de psicopatas crônicas ou em evolução (R. Cavalcanti);
- o médium não pode ser considerado como tipo normal e são (D. Araújo, O. M. Andrade);
- o médium torna-se um neurastênico, autômato, visionário, abúlico (F. Franco);
- o médium nunca pode ser normal (F. Franco);
- o chamado médium desenvolvido já é um insano (P. de Azevedo);
- nunca vi um médium que fosse individuo normal; é quase sempre um desequilibrado (Franco da Rocha);
- ainda não tive a ventura de ver um médium que não fosse nevropata (Juliano Moreira);
- o médium é um tipo anormal , um degenerado (H. de Mello);
- os médiuns devem ser considerados indivíduos nevropatas próximos da histeria (A. Austregesilo);

7) Com particular veemência é unanimemente condenado o desenvolvimento e o exercício das chamadas faculdades mediúnicas, pois esta prática:

- exalta qualidades patológicas latentes (J. A. Garcia);
- sugestiona as pessoas simples (J. A. Garcia);
- em doentes mentais precipita a psicose e da colorido especial aos delírios (J. A. Garcia);
- é causa freqüente de perturbações psicológicas (D. Araújo);
- retarda o tratamento dos pacientes (R. Cavalcanti);
- põe em evidência enfermidades mentais pré-existentes (R. Cavalcanti);
- é o principal responsável pela transformação psicológica que prepara, facilita e faz explodir alguns quadros mentais (Leme Lopez);
- exerce sobre a maior parte dos assistentes uma tensão emocional (Leme Lopez);
- age como fator desencadeante de distúrbios mentais em indivíduos predispostos (M. Andrade);
- é danoso para o organismo do médium (F. Franco);
- produz personalidades histereo-epilépticas (Franco da Rocha);
- prepara o automatismo (Franco da Rocha);
- produz perturbações nervosas e mentais (Juliano Moreira);
- concorre para a alucinação (J. Dutra)
- determina emoções que acarretam perturbações vaso-motoras (J. Dutra);
- provoca concentração psíquica e estados de abstração (J. Dutra);
- altera as secreções internas (J. Dutra);
- predispõe a loucura (A. Austregésilo)
- provoca delírios perigosíssimos (A. Roxo)
- agrava muitos estados mentais já iniciados por pequenos distúrbios psíquicos (A. Austregésilo);

8) Todos são unânimes em declarar que o exercício abusivo da arte de curar pelo espiritismo acarreta perigos para a saúde pública.

9) Em vista de tudo isso reclamam ou apóiam medidas públicas de profilaxia contra a proliferação de centros espíritas como nocivos à saúde publica:
- considero a prática do espiritismo um grave problema social no Brasil (D. Araújo);
- as sessões publicas de mediunidade deveriam ser interditadas (Leme Lopez);
- os excessos nocivos deveriam ser coibidos (P. Azevedo);
- é urgentíssima uma medida pública neste sentido (F. Franco);
- a lei devia tolher-lhe a marcha (H. de Mello);
- os prejuízos que o espiritismo traz à saúde pública são evidentes (Porto Carrero);
- julgo indispensável e urgente que se estabeleçam leis que regulem esse caso (L. da Cunha);
- é uma prática perniciosíssima, que deveria ser combatida a todo transe, por isso que, sobre prejudicial à saúde pública, contribui para a ruína de muitos lares e dá margem a explorações as mais ignóbeis (Pacheco e Silva);
- o poder público não pode ser indiferente à ruína nervosa, são à alienação daqueles sobre os quais lhe é missão velar: os inocentes, incautos, crédulos, que desses espetáculos e dessas sugetões podem ser vitimas (Afrânio Peixoto).
Deus autor do homem, tinhas pois, motivos graves para proibir a evocação. A posterior experiência comprova a sabedoria desta disposição divina. "

(Frei Boaventura Kloppenburg, OFM, Espiritismo: Orientação para Católicos, 6a. edição, Ed. Loyola, cap. II pp. 56-62).

O amor cristão da Pátria




"Nem se deve recear que a consciência da fraternidade universal, fomentada pela doutrina cristã, e o sentimento que ela inspira, estejam em contraste com o amor às tradições e glórias da própria pátria, ou impeçam que se promovam a prosperidade e os interesses legítimos, porquanto essa mesma doutrina ensina que existe uma ordem estabelecida por Deus no exercício da caridade, segundo a qual se deve amar mais intensamente e auxiliar de preferência os que estão a nós unidos com vínculos especiais. E o divino Mestre deu também exemplo dessa preferência pela sua pátria, chorando sobre as ruínas da Cidade Santa. Mas o legítimo e justo amor à própria pátria não deve excluir a universalidade da caridade cristã que faz considerar também aos outros e a sua prosperidade, na luz pacificadora do amor."


S.S. Venerável Papa Pio XII. CARTA ENCÍCLICA SUMMI PONTIFICATUS.

Porque urge combater as práticas de bruxaria (II)





"(...) No Brasil, que é de fato o único pais do mundo onde as religiões africanas se expandem, a maior parte de seus seguidores já não é constituída de negros e sim de mestiços, e a maior celebridade religiosa que os representa é um branco francês: Pierre Verger. (...) A propósito do sr. Verger, é preciso lembrar que a ambigüidade do seu personagem vai além do simples fato de ser um branco a suprema autoridade da religião negra: o sr. Verger é um ser bifronte, misto de antropólogo e pai-de-santo – uma posição que lhe permite mudar a clave de seu discurso conforme as demandas do momento, ora falando do culto africano com a liberdade de um espectador científico livre e descomprometido, ora com a autoridade de um porta-voz oficial. Essa duplicidade de papéis por sua vez permite que ele desfrute do prestígio da autoridade religiosa sem ter de arcar com a concomitante responsabilidade. Os hierarcas das demais religiões, se recebem a veneração e obediência de seus fiéis, por outro lado têm de responder, perante a sociedade, pelos pontos de sua doutrina que pareçam duvidosos ou extravagantes aos olhos dos não-crentes. (...) Nenhum desses sacerdotes está em posição de furtar-se às cobranças que os de fora possam fazer à sua religião. É precisamente essa a posição que o sr. Verger ocupa na sociedade brasileira. (...) Assim, por exemplo, no seu recente livro Ewé. O Uso das Plantas na Sociedade Yoruba (Salvador, Odebrecht, 1995) ele nos dá várias receitas de mandingas usadas no candomblé para matar pessoas, sem que a ninguém ocorra acusá-lo de pregar uma religião homicida – pois afinal ele está falando como observador científico e não como porta-voz responsável pela crença que prega. É um privilégio que nenhuma autoridade religiosa deste mundo pode invocar. (...) Para piorar as coisas, a nenhuma autoridade religiosa deste mundo é moralmente permitido ensinar a prática de ritos sem que esteja persuadida da eficácia desses ritos. Um rabino não submeterá meninos ao bar-mitzvah, ou um padre os submeterá ao batismo, dizendo-lhes ao mesmo tempo que se trata provavelmente de ritos inócuos, sem eficácia neste mundo ou no outro. Mas o caráter peculiar de sua religião e a posição ainda mais peculiar que dentro dela ocupa permitem que o sr. Verger ensine os ritos homicidas ao mesmo tempo que deixa numa conveniente ambigüidade as questões que uma consciência religiosa sã jamais deixaria de buscar esclarecer:Esses ritos funcionam ou não? São praticados ou não? Pois, se declaradamente não funcionam, sua religião é uma farsa. Se funcionam, é intrinsecamente homicida. Se funcionam e são correntemente praticados, já não se trata somente de uma doutrina homicida, mas de um costume homicida generalizado e legitimado pela religião. Convenhamos que são questões incômodas. Mas por que conceder ao sr. Verger o privilégio de permanecer na indefinição ante essas perguntas, quando as demais autoridades religiosas são constantemente cobradas até mesmo por violências indevidas e sem relação com o dogma – ou mesmo contrárias a ele – que seus correligionários tenham cometido no passado?"


(Olavo de Carvalho, em "A divida dos faraós", em O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras, Rio de Janeiro: Ed. da Faculdade da Cidade, 1996.)